- Publicidade -

Nordeste lidera alta de preços em supermercados com 2,49% em março

Feijão acumula 28% e tomate 45% no trimestre; cesta de supermercados no Nordeste chega a R$ 738,47 em março, maior alta regional do país, aponta Abras
- Publicidade -
Vitória (ES) - Supermercados lotados com filas nos caixas e na entrada funcionam com horário reduzido. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Abras alerta para risco de alta em parte dos alimentos nos supermercados nos próximos meses, com pressão de frete, clima e oferta como principais vetores de incerteza. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Nordeste registrou a maior alta regional de preços em supermercados em março de 2026, com variação de 2,49% no Abrasmercado, indicador que mede a variação de preços de 35 produtos de largo consumo calculado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A cesta de referência passou de R$ 720,53 para R$ 738,47 no período, o menor valor absoluto entre as cinco regiões do país, mas com o maior ritmo de alta mensal. Os dados integram o balanço do primeiro trimestre de 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pela Abras.

No conjunto do país, o Abrasmercado registrou alta de 2,20% em março, após variações de +0,47% em fevereiro e -0,16% em janeiro. O valor médio da cesta nacional passou de R$ 802,88 para R$ 820,54. As demais regiões registraram altas menores: Sudeste (+2,20%), Sul (+1,92%), Centro-Oeste (+1,83%) e Norte (+1,82%).

No acumulado do primeiro trimestre, o consumo real em supermercados cresceu 1,92% em todo o país, com alta de 6,21% em março em relação a fevereiro e avanço de 3,20% frente a março de 2025. Todos os dados foram deflacionados pelo IPCA/IBGE.

A Abras atribui o desempenho de março a três fatores: antecipação de compras para a Páscoa, celebrada no início de abril; efeito-calendário de fevereiro, mês com menor número de dias; e entrada de recursos na economia. Em março, o Bolsa Família contemplou 18,73 milhões de lares, com transferência de R$ 12,77 bilhões, e o PIS/PASEP injetou cerca de R$ 2,5 bilhões no segundo lote de pagamento.

Feijão, tomate e carne lideram pressão nos preços nos supermercados

Entre os produtos básicos, o feijão registrou a maior elevação em março (+15,40%), com acumulado de 28,11% no trimestre. O leite longa vida subiu 11,74% no mês e 6,80% no trimestre. Também avançaram a massa sêmola de espaguete (+0,91%), a margarina cremosa (+0,84%) e a farinha de mandioca (+0,69%). Em sentido oposto, recuaram o açúcar refinado (-2,98%), o café torrado e moído (-1,28%), o óleo de soja (-0,70%), o arroz (-0,30%) e a farinha de trigo (-0,24%).

No grupo das proteínas, os ovos subiram 6,65% e a carne bovina avançou 3,01% no corte do traseiro e 1,12% no dianteiro, com acumulado de 6,29% no trimestre para o traseiro. Frango congelado (-1,33%) e pernil (-0,85%) recuaram no mês. Entre os alimentos in natura, as maiores altas foram do tomate (+20,31%), da cebola (+17,25%) e da batata (+12,17%). No acumulado do trimestre, as variações chegam a 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente, refletindo sazonalidade e dinâmica de oferta.

Nos itens de higiene pessoal, avançaram sabonete (+0,43%), xampu (+0,34%), papel higiênico (+0,30%) e creme dental (+0,13%). Na limpeza doméstica, subiram detergente líquido (+0,90%), desinfetante (+0,74%) e água sanitária (+0,38%), com recuo apenas no sabão em pó (-0,29%).

INSS e IR sustentam perspectiva para o segundo trimestre

Para o segundo trimestre, a Abras projeta novo impulso ao consumo. A antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS deve injetar R$ 78,2 bilhões a partir de 24 de abril para cerca de 35,2 milhões de segurados. O primeiro lote de restituições do Imposto de Renda de 2026 pode somar cerca de R$ 16 bilhões para 9 milhões de contribuintes ao final de maio.

“Mesmo em um cenário favorável para a renda das famílias, o setor mantém foco em competitividade de preços, eficiência operacional e planejamento, diante de eventuais pressões logísticas e de custos no ambiente internacional”, afirmou Marcio Milan, vice-presidente da Abras. A entidade também alerta para risco de alta em parte dos alimentos nos próximos meses, com pressão de frete, clima e oferta como principais vetores de incerteza.

*Com informações da Agência Brasil

Leia mais: Parceria com a China quebra barreira da mecanização agrícola no Nordeste

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -