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Novo tarifaço de 12,5% dos EUA eleva tributação a 37,5%, mas isenta 471 produtos

Sobretaxa por trabalho forçado entra em vigor nesta sexta e se soma aos 25% aplicados na quarta. Café, petróleo, fertilizantes e suco de laranja estão entre os itens isentos do novo tarifaço
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  1. Sobretaxa de 12,5% entra em vigor e eleva tributação acumulada a 37,5% para exportações brasileiras aos EUA.
  2. EUA acusam Brasil de não adotar mecanismos eficazes contra importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
  3. USTR identifica alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco como setores com produtos de trabalho forçado.
  4. Listagem com 471 produtos brasileiros isentos inclui café, petróleo, gás natural, fertilizantes e derivados agrícolas estratégicos.
  5. Decisão baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e considera insuficientes mecanismos brasileiros existentes.
EUA ampliam pressão sobre exportações brasileiras com mais 12,5% de tarifaço
Os Estados Unidos anunciaram uma nova sobretaxa sobre produtos brasileiros, alegando que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Somada às tarifas já em vigor, a taxação pode chegar a 37,5% para parte das exportações brasileiras, ampliando os desafios para empresas que atuam no mercado norte-americano. Arte: IA/ME

Uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos entra em vigor nesta sexta-feira (24) e eleva a tributação acumulada a até 37,5% para itens que não constam na lista de 471 produtos isentos divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio norte-americano (USTR). A medida foi anunciada nesta quinta-feira (23) e substitui a taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro.

A nova alíquota se soma à sobretaxa de 25% sobre exportações brasileiras em vigor desde 22 de julho, resultado de outra investigação conduzida pelo USTR sobre práticas comerciais. Segundo o governo norte-americano, o Brasil integra um grupo de 54 países que não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

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Investigação e justificativa do tarifaço

A decisão do USTR teve como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o órgão, a ausência de barreiras à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado gera vantagem competitiva indevida para os países envolvidos.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou em comunicado que a prática prejudica empresas e trabalhadores norte-americanos. O relatório do USTR identificou cinco segmentos em que o Brasil teria importado, entre 2021 e 2025, produtos associados ao trabalho forçado: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.

O documento reconhece que o Brasil participa de acordos internacionais de combate ao trabalho escravo e mantém a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, mas considera que os mecanismos existentes são insuficientes para impedir a importação desses bens.

Produtos isentos

O USTR publicou, junto com a nova tarifa, uma lista com 471 produtos brasileiros isentos da sobretaxa de 12,5%. A relação reúne exceções distribuídas em 20 grandes categorias e inclui itens considerados estratégicos para o comércio bilateral e para a indústria norte-americana.

Entre os principais produtos isentos estão café, petróleo e derivados, gás natural, fertilizantes, madeira, suco de laranja, derivados de açaí, defensivos agrícolas, couros, ferro-gusa, resíduos e sucata de alumínio, equipamentos para fabricação de semicondutores e determinados medicamentos e ingredientes farmacêuticos. Obras de arte, antiguidades e itens de coleção também ficaram fora da nova tarifa.

Segundo o USTR, as isenções levaram em conta a importância de determinados insumos para a economia norte-americana, compromissos comerciais já existentes e características específicas de alguns mercados.

Alcance internacional

A investigação alcançou 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. Além do Brasil, outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%, entre eles China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul.

Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia foram enquadrados em categoria distinta e terão tarifa adicional de 10%, por já manterem mecanismos legais de controle, embora considerados insuficientes pelos EUA. Para importações de vestuário e têxteis provenientes de Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia, o governo norte-americano criou um sistema de cotas que permite a entrada sem a tarifa da Seção 301, desde que as empresas utilizem algodão e insumos produzidos nos Estados Unidos.

Reação do governo brasileiro

O governo federal classificou a nova tarifa de 12,5% como “arbitrária” e “injustificada” em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Segundo o comunicado, o Brasil apresentou ao governo norte-americano informações sobre sua legislação e os mecanismos de fiscalização para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, além de destacar o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

O governo federal informou que pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já havia contestado as conclusões da investigação em manifestação anterior, afirmando que eventuais sanções seriam desproporcionais e que o país mantém legislação e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado.

Enquanto avalia uma resposta diplomática, o governo federal mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas por meio do Plano Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados.

*Com informações da Agência Brasil

Leia mais: EUA retiram 56 mil toneladas do Norte-Nordeste na cota de açúcar bruto exportado

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