
A Casa Branca emitiu nesta sexta-feira (14) um decreto assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que isenta uma série de produtos agrícolas da tarifa recíproca, em vigor desde abril deste ano. A medida, segundo nota oficial, integra o esforço do governo norte-americano para conter os preços elevados de alimentos no país.
Conforme o documento, passam a ser isentos das tarifas os seguintes produtos: café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau, especiarias, bananas, laranjas, tomates, carne bovina e fertilizantes adicionais. A Casa Branca esclareceu que alguns fertilizantes já estavam fora da alíquota recíproca desde o início da vigência da medida.
A iniciativa visa responder às preocupações crescentes da população norte-americana com os preços persistentemente altos dos alimentos e ocorre em meio a negociações comerciais conduzidas pelos EUA com diversos parceiros. O Brasil, como principal fornecedor de café e um dos principais exportadores de carne bovina para os Estados Unidos, está entre os mais diretamente impactados.
Contexto e repercussão no Brasil
Desde abril, os produtos brasileiros estavam sujeitos a uma tarifa recíproca de 10%, à qual se somou um adicional de 40% em agosto, totalizando uma carga de 50% — a mais alta entre os países afetados pela política tarifária norte-americana. A nova ordem executiva, no entanto, não especifica se ambas as tarifas foram integralmente suspensas.
A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) avalia que apenas a tarifa base de 10% foi suspensa, enquanto a Cecafé aguarda confirmação oficial. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considerou a medida positiva e destacou que a previsibilidade retornou ao comércio do setor, com os Estados Unidos sendo o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira.
Impacto do fim do tarifaço para o Nordeste
A retirada das tarifas recíprocas pode favorecer diversos segmentos agrícolas do Nordeste brasileiro, região com destaque na produção e exportação de frutas tropicais (como manga, melão e banana), castanha-de-caju, coco, café orgânico e tomate industrializado. Estados como Ceará, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte tendem a se beneficiar da retomada de competitividade no mercado americano.
Além disso, a produção de cacau no sul da Bahia e a crescente exportação de sucos de frutas oriundos da região reforçam o potencial de impacto positivo para a balança comercial regional.
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