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Governo federal promete ajuda ao NE diante do tarifaço dos EUA

O tarifaço dos EUA vai provocar queda nas vendas das empresas exportadoras e pode aumentar o desemprego no Nordeste
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O ministro Geraldo Alckmin deve anunciar, nos próximos dias, medidas para ajudar os segmentos exportadores mais atingidos pelo tarifaço de Donald Trump que entra em vigor nesta quarta-feira (06). “O presidente Lula nos tranquilizou, assim como o ministro Alckmin, de que esses setores, sobretudo os que geram muitos empregos, serão bastante atendidos por uma gama de medidas”, disse o presidente do Consórcio Nordeste e governador do Piauí, Rafael Fonteles, depois de participar da Assembleia do Consórcio Nordeste. O mesmo grupo se reuniu antes com o presidente Lula na 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão.

As medidas, segundo Fonteles, vão envolver “certamente a parte de crédito, incentivos, compras governamentais para garantir a manutenção dos empregos dessas empresas exportadoras”. Grande parte dos produtos brasileiros vão ser taxados em 50%, quando ingressarem nos Estados Unidos a partir desta quarta-feira (06).

Os setores mais atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos variam dependendo dos Estados, mas alguns dos segmentos mais atingidos são frutas, pescados, açúcar, sal, mel, minérios, entre outros. “Estamos esperando para ver a medida federal que vai ser tomada e nos somar a essas medidas. Por exemplo, compras governamentais. Em haver a possibilidade do governo federal fazer compras governamentais para fazer estoque desses produtos, o Estado também poderá disponibilizar orçamento para compras do governo”, comentou Fonteles.

Neste momento, cada setor prejudicado vai apresentar a sua demanda ao governo federal. “O setor de frutas já teve reunião com o ministro Fernando Haddad e com o ministro Geraldo Alckmin. Então, certamente está sendo feito todo o estudo do impacto. Se as frutas não entrarem também na lista de exceções”, argumentou o governador. A expectativa dele e do governo federal é de que as frutas entrem na lista de exceções.

Segundo Fonteles, o governo federal está fazendo um esforço para conseguir ampliar a lista das exceções ao tarifaço ou reduzir a tarifa de 50%. “Isso pode diminuir o tamanho do problema”, contou Fonteles.

Também presente a coletiva depois que acabou a assembleia do Consórcio Nordeste, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, disse que o seu estado já adotou duas medidas para ajudar os exportadores que serão impactados pelo tarifaço.

“Primeiro, ampliar a desoleração do PROED, um programa de incentivo à indústria que a gente tem no Rio Grande do Norte. Então, para esses setores, repito, caso se confie nesse tarifaço, estamos ampliando o incentivo fiscal. Uma outra medida é ampliar os chamados créditos acumulados no ICMS, também destinados a esses setores”,comentou. No Rio Grande do Norte, os setores mais afetados são os pescados, sal e doces. Para a governadora, o mais importante é garantir o emprego nos setores atingidos pela medida de Trump.

A governadora Raquel Lyra também participou dos dois encontros. “Estou junto com todos os governadores do Nordeste intensificando o diálogo para encontrarmos soluções que minimizem o impacto das sobretarifas previstas para serem impostas pelo governo norte-americano ou até que elas sejam evitadas. Nosso trabalho é garantir a solidariedade ao empresariado e a manutenção dos nossos empregos, principalmente na produção de frutas e do açúcar, que são bastante fortes no nosso Estado”, afirmou a chefe do executivo pernambucano.

A governadora tambem entregou ao ministro Fernando Haddad os pleitos dos setores mais atingidos pelo tarifaço de Trump em Pernambuco, como os do setor sucroenergético. Na semana passada, o governo de Pernambuco solicitou apoio ao governo federal em três frentes de suporte ao setor produtivo atingido pelo tarifaço: disponibilização, via Banco do Nordeste do Brasil (BNB), de linhas emergenciais de crédito para os setores diretamente afetados; adoção de medidas compensatórias, – como o incentivo à diversificação de mercados internacionais -, e a proteção e promoção dos interesses dos setores produtivos do Nordeste brasileiro na interlocução com os Estados Unidos. 

Além dos governadores já citados, estiveram presentes a assembleia do Consórcio Nordeste, os seguintes governadores: Jerônimo Rodrigues (Bahia), Carlos Brandão (Maranhão), Fábio Mitidieri (Sergipe) e também a vice-governadora do Ceara, Jade Romero.

Impacto do tarifaço de Trump

Oito Estados do Nordeste terão uma perda estimada em R$ 1,492 bilhão, segundo um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Este impacto será maior nos estados mais dependentes do mercado americano, como o Ceará, que destinou 44,9% das suas exportações aos Estados Unidos em 2024. A perda do Ceará pode chegar a R$ 190 milhões com as novas tarifas.

Em termos absolutos, no Nordeste, as maiores perdas vão ficar com a Bahia, estimadas em R$ 404 milhões, embora aquele Estado destine somente 7,4% das suas exportações aos EUA. Os demais estados da região podem perder os seguintes valores, de acordo com o mesmo estudo: Pernambuco (R$ 377 milhões), Maranhão (R$ 147 milhões), Alagoas (R$ 171 milhões), Paraíba (R$ 101 milhões), Rio Grande do Norte (R$ 40 milhões), Piauí (R$ 32 milhões) e Sergipe (R$ 30 milhões).

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