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Consórcio NE reúne governadores preocupados com o tarifaço de Trump

Os governadores percebem o impacto que o tarifaço pode trazer aos polos produtivos das suas regiões, diminuindo as vendas e impactando o emprego
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As mangas do Vale do São Francisco vão ter uma taxa de 50% quando ingressarem nos EUA. Foto: Marcelino Ribeiro

O Consórcio Nordeste realiza nesta terça-feira (5) a sua 3ª Assembleia Geral Ordinária a partir das 14h, na Sede I do Banco do Brasil, na Asa Norte, em Brasília e o principal tema a ser tratado é o tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos exportadores brasileiros. A taxação entra em vigor a partir da quarta-feira (6). Os chefes dos executivos estaduais vão levar para reunião algumas reivindicações do setor produtivo. O tarifaço vai incidir sobre produtos perecíveis, como mangas, pescados, prejudicando principalmente o agronegócio e a indústria do País.

Segundo o presidente da Fiepe, Bruno Veloso, a primeira reivindicação será um pedido de prorrogação do prazo para a entrada em vigor da taxação, trazendo mais tempo para dialogar com representantes do governo americano. “A segunda pauta é que não deve ser aplicado reciprocidade sobre os produtos americanos no Brasil. Isso vai só criar mais problemas”, comenta Bruno.

Ele diz que os principais produtos que Pernambuco importa dos Estados Unidos são o gás de cozinha (GLP),o óleo diesel e componentes automotivos. “Se a gente aplicar uma reciprocidade de 50%, o óleo diesel vai ficar 50% mais caro. Imaginem 50% a mais de preço no gás de cozinha”, argumenta Bruno, acrescentando que a reciprocidade será “um tiro no pé”.

Bruno diz também que a terceira reivindicação “tem que ser guardada enquanto as outras duas não forem resolvidas”. Seria uma ajuda via empréstimos para ajudar as indústrias que estão impactadas pelo tarifaço. E complementou: “a gente precisa perder a guerra para ir para uma segunda batalha”.

A expectativa de uma parte do empresariado e políticos é de que ocorra um adiamento da entrada da taxação em vigor. A maior parte dos produtos pernambucanos vai receber uma taxação de 50%, quando ingressar nos Estados Unidos. O impacto desta tarifa pode afetar cerca de 100 mil empregos no Brasil, segundo uma estimativa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

José Gualberto
Presidente da Valexport, José Gualberto, acredita que pode ocorrer uma negociação que diminua a tarifa das frutas do Vale do São Francisco.Foto: Divulgação

O tarifaço e os produtores de manga do Vale do São Francisco

“A nossa expectativa é de que ocorra uma negociação. As frutas vão embarcar, mas o preço vai ficar mais alto para o importador. Quando aumenta o preço, diminui o volume da compra. Esta é uma regra de mercado”, cita o presidente da associação de produtores do Vale do São Francisco (Valexport), José Gualberto, acrescentando que com o preço mais alto devem ser realizada novas negociações.

O Vale do submédio São Francisco emprega cerca de 120 mil pessoas e a produção de fruticultura irrigada se concentra em Petrolina, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista, Juazerio, Curaça e Casa Nova. As três primeiras são em Pernambuco e as três últimas, na Bahia. A região vai exportar 25 mil toneladas de manga que devem começar a embarcar depois do dia 15 de agosto.

Oito Estados do Nordeste terão uma perda estimada em R$ 1,492 bilhão. Este impacto será maior nos estados mais dependentes do mercado americano, como Ceará, que destinou 44,9% das suas exportações aos Estados Unidos em 2024, principalmente em produtos de metalurgia, alimentos e calçados. A perda do Ceará pode chegar a R$ 190 milhões com as novas tarifas.

Em termos absolutos, no Nordeste, as maiores perdas vão ficar com a Bahia, estimadas em R$ 404 milhões, embora aquele Estado destine somente 7,4% das suas exportações aos EUA. Os demais estados da região podem perder os seguintes valores estimados num levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI): Pernambuco (R$ 377 milhões), Maranhão (R$ 147 milhões), Alagoas (R$ 171 milhões), Paraíba (R$ 101 milhões), Rio Grande do Norte (R$ 40 milhões), Piauí (R$ 32 milhões) e Sergipe (R$ 30 milhões).

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