
A Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal e representantes dos empresários que exportam para os Estados Unidos vão visitar os senadores americanos em Washington, na próxima semana, e também fazer contato com importadores de produtos brasileiros. Essa missão, inclusive, visa atender aos empresários do setor sucroalcooleiro do Nordeste. A finalidade é sensibilizar os políticos americanos chamando a atenção para o impacto que a tarifa de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump podem ter sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, como o açúcar. A previsão é de que a taxação entre em vigor em 1º de agosto.
A expectativa é de que oito senadores embarquem para Washington acompanhados de representantes dos exportadores, segundo informações do Senado. A taxação vai prejudicar vários setores exportadores desde a indústria até o agronegócio.
Uma das preocupações dos produtores do açúcar do Nordeste é com relação a cota americana, que beneficia as usinas do Norte e Nordeste, pagando o que corresponde a duas vezes o preço estabelecido no mercado internacional. No Nordeste, são 36 usinas que venderam açúcar dentro da cota americana.
A cota americana de açúcar beneficia 39 países. A maior cota é da República Dominicana, seguida pelo Brasil. Há países que não conseguem entregar a cota fixada pelos EUA, que acabam passando parte da cota para os outros países.
“Essa taxação de 50% inviabilizaria a cota”, segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, que também está à frente da Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio). Ele vai com os senadores para Washington na próxima semana. Na última safra, os produtores nordestinos venderam 150 mil toneladas de açúcar dentro da cota. “É importante separar a agenda técnica da política. As tarifas vão onerar a comercialização de muitos produtos e podem acarretar em desemprego, desindustrialização e diminuição da renda”, comenta Renato Cunha.
Os produtores do Nordeste já fizeram a exportação da cota da última safra. A cota americana do açúcar será anunciada em setembro para a safra 2025/2026. Até agora, não houve uma informação oficial de que a taxação de 50% inclui as cotas americanas do açúcar.
Há uma tendência de haver uma judicialização com relação às tarifas divulgadas por Trump porque os importadores americanos vão aumentar os seus custos. No começo desta semana, dois importadores de suco de laranja recorreram à Corte de Comércio Internacional dos EUA, em Nova Iorque, contestando a cobrança de 50% da tarifa para os produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos. Pelo que foi divulgado, a argumentação deles é que a taxação de 50% vai inviabilizar os seus negócios.
Missão internacional
O presidente da Comissão de Relações Exteriores, Nelson Otradi (do PSD de Mato Grosso), disse a Agência Senado, que a missão parlamentar é suprapartidária vai buscar diálogo político de alto nível e a defesa dos interesses estratégicos do Brasil, na pauta Comércio Exterior, Investimentos, Cadeias Produtivas, Agricultura e Segurança Jurídica, além de tentar fortalecer as relações bilaterais entre o Legislativo dos dois países.
O senador argumentou que a entrada em vigor desta tarifa pode aumentar o preços nos supermercados norte-americanos e provocar demissões no Brasil. Um estudo da CNI estimou que a taxação pode afetar cerca de 100 mil empregos no Brasil.
Além de Nelson, integram a comitiva os senadores Teresa Cristina (PP-MS), Jacques Wagner, (PT-BA), Rogério Carvalho (PT-SE), Fernando Farias, (MDB-AL), Marcos Pontes, do PL de São Paulo, Esperidião Amin, do PP de Santa Catarina, e Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais.
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