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Expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz faz preço do petróleo cair

Mercado reage positivamente ao cessar-fogo no Irã e influência do acordo deve reduzir o valor dos derivados de petróleo nas bombas nos próximos dias
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Especialistas do setor indicam que esse cenário deve chegar em breve aos postos de abastecimento, reduzindo o custo final para o consumidor. Foto: Agência Brasil

Os mercados globais de energia registraram um alívio significativo nesta terça-feira (7). Logo na abertura, os preços do gás na Europa recuaram cerca de 20%, acompanhando a trajetória de queda do petróleo. O movimento ocorre após o anúncio de um cessar-fogo temporário e da decisão de reabrir o Estreito de Ormuz, canal por onde circula um quinto de todo o petróleo consumido no mundo.

​Nas negociações em Lisboa, o contrato futuro holandês TTF, que serve como referência para o continente europeu, apresentou uma queda de 19,24%, sendo cotado a 43 euros. No auge da baixa matinal, o recuo chegou a superar os 20%.

A descompressão nos preços reflete o otimismo dos investidores com o início das conversas diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, agendadas para a próxima sexta-feira (10).

Impacto no valor do petróleo e combustíveis

A cotação do barril de petróleo também operou em forte queda com a garantia de desbloqueio imediato do fluxo marítimo no Oriente Médio. O petróleo Brent, referência do mercado global, caiu 13,13%, situando-se na casa dos US$ 94,92. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana para entrega em maio, registrou baixa de 14,53%, sendo negociado a US$ 96,54.

​Especialistas do setor indicam que esse cenário deve chegar em breve aos postos de abastecimento, reduzindo o custo final para o consumidor. No entanto, o mercado financeiro mantém cautela, observando se o funcionamento do Estreito de Ormuz voltará à normalidade total e se a trégua temporária poderá, de fato, evoluir para o encerramento definitivo dos conflitos na região.

Barco apreendido pelo Irã no dia 19 de março no Estreito de Ormuz
Barco apreendido pelo Irã no dia 19 de março no Estreito de Ormuz. Foto: Fotos Públicas

Reação das bolsas e moedas internacionais

O anúncio diplomático enfraqueceu o dólar frente às principais divisas globais, com a moeda americana perdendo mais de 1% de valor diante da libra esterlina. Por outro lado, as bolsas asiáticas fecharam em alta expressiva, impulsionadas pela expectativa de uma recuperação econômica acelerada na Europa após o choque de oferta.

​O fechamento recente do Estreito de Ormuz é considerado o maior impacto no fornecimento de petróleo já registrado na história, retirando do mercado entre 12 e 15 milhões de barris por dia.

Embora os sinais atuais sejam positivos, analistas reforçam que os efeitos deflacionários não são instantâneos e dependem da consolidação da estabilidade política entre as potências envolvidas.

Tarifa de 50% para países que venderem armas para o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira uma nova ofensiva comercial para isolar militarmente o Irã. Por meio de sua rede social, o Truth Social, o republicano afirmou que qualquer nação que forneça armamentos militares aos iranianos será punida com a aplicação imediata de tarifas de 50%, sem direito a qualquer tipo de isenção ou exceção.

​A medida ocorre em um momento de rápida reviravolta diplomática, apenas um dia após Washington e Teerã fecharem um acordo de cessar-fogo com duração de duas semanas. O anúncio reforça a estratégia de Trump de utilizar o poder econômico e as barreiras alfandegárias como ferramentas de pressão geopolítica.

Aproximação diplomática e mudança de regime

Apesar da ameaça tarifária aos fornecedores de armas, Trump indicou uma disposição de cooperação com o novo cenário político em Teerã. Na mesma publicação, o presidente afirmou que o país passou por uma “mudança de regime” e que os EUA pretendem trabalhar em “estreita colaboração” com o governo local.

​Segundo o presidente norte-americano, o alívio de sanções econômicas e das tarifas atuais entrará na mesa de negociações. Em contrapartida, Trump foi enfático sobre a questão nuclear na região. “Não haverá enriquecimento de urânio”, escreveu o mandatário em sua mensagem oficial.

Leia também: Trump recua mais uma vez e suspende “extermínio” da população do Irã

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