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Com avanço do pré-sal, Nordeste perde espaço em produção de petróleo e gás

Cinco estados do Nordeste mantêm 268 campos ativos e extraem 145 mil barris/dia. Participação regional cai para 4,7% enquanto pré-sal alcança 79,5% do nacional
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ANP Petrobras plataforma de petróleo exploração Nordeste perde espaço
Plataforma da Petrobras de produção de petróleo em alto-mar, modelo que predomina no país com exceção do Nordeste. Foto: Alexandre Brum/Petrobras

A produção de petróleo e gás natural do Nordeste encolheu para 4,7% da extração nacional em 2025, refletindo a deterioração gradual da participação regional no abastecimento do país enquanto o pré-sal offshore consolida domínio de 79,5% da produção brasileira. Os cinco estados produtores da região — Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas — mantiveram 268 campos ativos e extraíram 145,19 mil barris equivalentes por dia, enquanto a produção brasileira alcançou 5,2 milhões de barris equivalentes diários com concentração no pré-sal marítimo do Rio de Janeiro, segundo dados do Painel Dinâmico da Produção de Petróleo e Gás Natural da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referentes a dezembro de 2025.

A Bahia liderou a produção regional com 45.820 barris equivalentes por dia, seguida pelo Maranhão com 39.429 barris. Juntos, os dois estados respondem por 58,6% da extração nordestina. A estrutura produtiva organiza-se em três eixos principais: a Bahia detém o maior volume combinado de petróleo e gás, o Maranhão emerge como maior produtor regional de gás natural e o Rio Grande do Norte consolida-se como segundo maior em petróleo.

Os três estados concentram 143 campos produtores e acumulam 118,9 mil barris equivalentes por dia. A participação nordestina no abastecimento nacional registrou contração entre 2021 e 2025 em todos os estados produtores.

Nordeste lidera produção terrestre

A produção brasileira de petróleo e gás em dezembro de 2025 atingiu 5,2 milhões de barris equivalentes por dia, estruturada em três segmentos: pré-sal marítimo com 4,164 milhões de barris equivalentes diários (79,5%), pós-sal marítimo com 825 mil barris equivalentes diários (15,7%) e produção terrestre com 248 mil barris equivalentes diários (4,7%).

O Nordeste opera exclusivamente em ambiente terrestre, posicionamento que delimita a região fora da dinâmica offshore que domina o abastecimento nacional. A produção nordestina de 145,19 mil barris equivalentes por dia corresponde a 58,5% da extração terrestre brasileira, confirmando o protagonismo regional no segmento onshore. Contudo, essa liderança no segmento terrestre não se converte em relevância nacional, dado que a produção onshore representa fração inferior a 5% do total brasileiro.

A estrutura operacional nordestina caracteriza-se por campos maduros, com predominância da Petrobras na operação geral, complementada por operadores de menor porte como Petrorecôncavo (Bahia), 3R Petroleum e 3R Potiguar (Rio Grande do Norte), Origem Alagoas (Alagoas) e operadores regionais.

O modelo onshore nordestino sustenta-se economicamente devido a custos operacionais reduzidos, infraestrutura consolidada de transporte e abastecimento regional estabelecido há décadas. A trajetória de contração de participação nacional — observável em todos os estados entre 2021 e 2025 — ocorre em contexto de expansão acelerada da produção pré-sal offshore concentrada na Bacia de Santos.

BA, MA e RN na liderança regional

A Bahia encerrou dezembro de 2025 com 19.854 barris diários de petróleo e 4.128 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. A performance estadual ancora-se na Bacia do Recôncavo, que operou com 72 campos produtores — a maior concentração de ativos da região. A bacia contribuiu com 19.741 barris diários de petróleo e 3.062 milhões de metros cúbicos diários de gás, perfazendo 39.006 barris equivalentes por dia.

A representatividade baiana na produção nacional de petróleo recuou de 0,77% (2021) para 0,55% (2025), contração de 0,22 pontos percentuais. No segmento de gás natural, a participação declinou de 4,06% (2021) para 2,17% (2025), queda de 1,89 pontos percentuais.

O Maranhão extraiu 6.247 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, alcançando produção total de 39.429 barris equivalentes por dia. O volume de petróleo limitou-se a 136 barris diários. As operações concentram-se na Bacia de Parnaíba, que abriga 7 campos produtores ativos, incluindo Gavião Preto, Gavião Branco, Gavião Real e Gavião Caboclo. A fatia maranhense na produção nacional de gás encolheu de 4,39% (2021) para 2,65% (2025), perda de 1,74 pontos percentuais.

O Rio Grande do Norte extraiu 27.967 barris diários de petróleo, 907 milhões de metros cúbicos diários de gás natural e alcançou produção total de 33.678 barris equivalentes por dia. A atividade estadual concentra-se na Bacia Potiguar, que reúne 58 campos produtores. A representatividade potiguar na produção nacional de petróleo regrediu de 1,15% (2021) para 0,83% (2025), retração de 0,32 pontos percentuais.

O campo de Estreito opera com 795 poços em produção — a maior densidade de drenagem dentre campos terrestres nordestinos. O campo de Canto do Amaro entregou 5 mil barris equivalentes por dia em dezembro de 2025, correspondendo a 2,0% da produção terrestre nacional.

SE e AL são destaques em gás natural

Sergipe extraiu 11.988 barris diários de petróleo e 73 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, totalizando 12.447 barris equivalentes por dia. A Bacia de Sergipe manteve 17 campos produtores em 2025. A participação sergipana na produção nacional de petróleo avançou marginalmente de 0,27% (2021) para 0,34% (2025).

O campo de Carmópolis, situado em Sergipe mas integrado à estrutura estratégica de abastecimento nordestino, entregou 8 mil barris equivalentes por dia em dezembro de 2025, correspondendo a 3,2% da produção terrestre nacional. O ativo posiciona-se como quinto maior campo onshore do Brasil no ranking da ANP.

Alagoas produziu 3.822 barris diários de petróleo e 1.588 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, perfazendo 13.811 barris equivalentes por dia. A Bacia de Alagoas abrigou 11 campos produtores. A operadora Origem Alagoas controlou 3.503 barris diários de petróleo e 1.579 milhões de metros cúbicos diários de gás, totalizando 13.436 barris equivalentes por dia — equivalente a 77% da produção estadual. A representatividade alagoana manteve-se em 0,10% da produção nacional de petróleo em 2025.

CE, PB e PE têm produção residual ou nula

O Ceará apresentou 0,02% de participação na produção nacional de petróleo em 2025 — volume residual que reflete desativação ou abandono de campos menores. Historicamente, a Bacia Potiguar estende-se do Rio Grande do Norte ao Ceará, mas a produção comercial concentra-se exclusivamente no lado potiguar.

Paraíba e Pernambuco não registraram produção nos boletins da ANP referentes a dezembro de 2025, sinalizando encerramento de operações comerciais ou volumes abaixo dos limites reportáveis pela agência reguladora.

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