
Responsável pela quase totalidade da produção terrestre nacional de petróleo e gás natural, o Nordeste ampliou sua participação na estrutura energética em 2025, passando de 1,7% para 2% do total brasileiro, sob expansão contínua de campos maduros e de frentes gasíferas regionais. Publicado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural – edição de novembro – registrou avanço regular da região no ano, enquanto o pré-sal manteve 79,6% da produção nacional.
O Nordeste concentra cerca de 2.360 poços produtores de petróleo e gás, sendo aproximadamente 2.300 terrestres e 60 marítimos, segundo a ANP. Essa estrutura corresponde a 41% dos poços onshore do país e 11% dos poços offshore, com predominância da operação terrestre em cinco estados. Em novembro, o conjunto regional produziu cerca de 100 mil barris diários de petróleo e 14 milhões de m³/dia de gás natural, dentro de produção nacional total de 4,9 milhões de boe/d.
A maior parte dos poços terrestres do país está localizada em regiões de baixa produtividade média, especialmente nas áreas marginais das bacias amazônicas e do interior paulista. O Nordeste, embora reúna menos da metade dos poços ativos, responde por mais de 90% da produção efetiva onshore, sustentado por campos operacionais nas bacias Potiguar, Recôncavo, Parnaíba e Sergipe-Alagoas, sob regime contínuo de extração.
A evolução da produção nordestina em 2025 integrou três movimentos simultâneos: revitalização de campos maduros em Potiguar e Recôncavo; ampliação da Bacia do Parnaíba, com elevação do peso do gás natural na matriz regional; e entrada de operadores privados em contratos de acumulações marginais na Bahia, Alagoas e Sergipe.

Eixo regional
O Nordeste mantém 160 mil barris equivalentes diários (boe/d) distribuídos entre cinco estados e quatro bacias, representando 3,2% da produção nacional. Parnaíba, Recôncavo, Potiguar e Sergipe-Alagoas respondem pela totalidade da produção terrestre regional, com 190 campos ativos. O Maranhão, pela Bacia do Parnaíba, alcança 47,6 mil boe/d. A Bahia registra 52,5 mil boe/d. O Rio Grande do Norte opera 36 mil boe/d. Sergipe e Alagoas mantêm polos integrados de operação.
O Rio Grande do Norte liderou a produção regional com 29,9 mil barris/dia de petróleo e 949 mil m³/dia de gás, sustentando a Bacia Potiguar. A Bahia, com 20,1 mil barris/dia e 5,15 milhões de m³/dia, mantém estrutura derivada do Recôncavo. Sergipe e Alagoas produziram cerca de 25 mil boe/d. O Maranhão, pela Bacia do Parnaíba, atingiu 7,55 milhões de m³/dia de gás natural, integrando produção e geração térmica sob a Eneva.
A estrutura produtiva do Nordeste mantém presença entre os principais poços terrestres do país. Dos 30 maiores poços de petróleo, seis estão na região. O campo de Pilar (AL) registrou 707 barris/dia. O campo de Tiê (BA) registrou 670 barris/dia. O Recôncavo inclui ainda os poços 7-TIE-11DP-BA e 7-TIE-14D-BA. A Bacia Potiguar registra o poço 7-MA-34D-RN em Macau.
A Bacia do Parnaíba posicionou três poços entre os 15 maiores produtores de gás onshore do país, com volumes entre 254 mil e 323 mil m³/dia: 7-GVP-3D-MA, 7-GVP-2D-MA e 7-GVP-5D-MA, integrados ao campo de Gavião Preto.
Poços por estados nordestinos
A infraestrutura produtiva do Nordeste sustenta a principal malha terrestre do país, com predominância de poços de baixa vazão distribuídos entre cinco estados e quatro bacias. Bahia e Rio Grande do Norte concentram mais de 80% das unidades e formam o núcleo histórico da produção onshore. Sergipe, Alagoas e Maranhão completam o conjunto com campos menores e integração às redes de gás e energia.
A Bahia mantém cerca de 1.050 poços terrestres. O Rio Grande do Norte opera aproximadamente 950 poços em terra e 35 offshore. Sergipe contabiliza 120 poços terrestres e 25 marítimos. Alagoas mantém 85 poços. O Maranhão opera cerca de 70 poços terrestres. A presença de 60 poços marítimos distribuídos entre Sergipe e Rio Grande do Norte sustenta continuidade operacional offshore.
O modelo regional opera com alta densidade de campos maduros, programas de recuperação secundária e controle de declínio, mantendo regularidade de extração e estoques locais de petróleo e gás.
Petrobras e operadores
A Petrobras registrou 4,39 milhões de boe/d em novembro de 2025, equivalente a 89,35% da produção nacional, mantendo domínio sobre o sistema marítimo. No Nordeste, operadores privados — PetroRecôncavo, 3R Petroleum, 3R Potiguar, 3R Bahia e Origem Alagoas — responderam por cerca de 60 mil boe/d, sob contratos de acumulações marginais.
A Eneva mantém integração direta entre produção e geração na Bacia do Parnaíba, responsável pelo suprimento térmico regional e pela expansão da oferta gasífera em 2025.
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