
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (24) a conclusão da assinatura dos nove contratos que viabilizam a retomada das obras do Trem 2 da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. O investimento de R$ 8,3 bilhões está inserido no Plano Estratégico 2025-2029 da companhia e no Novo PAC do governo federal. Parte das frentes de trabalho já está mobilizada, e a conclusão das obras está prevista para 2029.
Durante o pico da construção, a Petrobras estima a geração de cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos, dos quais 2,5 mil já foram mobilizados. A expectativa é que, com o Trem 2 concluído, a capacidade de refino da RNEST alcance 260 mil barris por dia, o dobro da atual, consolidando a refinaria como um dos principais polos de processamento de petróleo do país.
Contratos assinados com consórcios e empresas especializadas
As contratações foram firmadas com o Consórcio RNEST (formado pelas empresas Método, Engeform e GDK), além das empresas Andrade Gutierrez, Formitex, Elfe, RIP Serviços Industriais, TSE e Consag Engenharia S.A. Esta última será responsável por três unidades centrais do projeto: a Unidade de Coqueamento Retardado (UCR), com capacidade para 75 mil barris/dia; a Unidade de Hidrotratamento de Diesel S10 (UHDT-D), com capacidade de até 82 mil barris/dia; e a Unidade de Destilação Atmosférica (UDA), projetada para cerca de 130 mil barris/dia.
Os contratos incluem escopos de engenharia, construção, montagem eletromecânica, fornecimento de materiais, comissionamento e integração de sistemas. As empresas foram selecionadas por meio de processos conduzidos sob a Lei nº 13.303/2016, que rege as licitações de estatais.
Expansão do refino e impacto na economia pernambucana
A RNEST é considerada a refinaria mais moderna da Petrobras, com alto grau de automação e taxa de conversão de petróleo cru em diesel de até 70%. Em março deste ano, a companhia concluiu a ampliação da capacidade do Trem 1, que passou de 115 mil para 130 mil barris/dia, antecipando a expansão do parque de refino no Nordeste.
Além disso, desde 2024 a refinaria opera a primeira unidade SNOX das Américas, tecnologia ambiental que converte óxidos de enxofre (SOx) e de nitrogênio (NOx) em ácido sulfúrico, produto que passa a ser comercializado. A unidade contribui para a redução de emissões e melhora a eficiência energética da planta.
Com a entrada do Trem 2, a produção da refinaria será reforçada em 13 milhões de litros diários de diesel S10, combustível de baixo teor de enxofre. A ampliação é estratégica para o abastecimento das regiões Norte e Nordeste, reduzindo a dependência de importações — que, segundo a ANP, alcançaram 15,9 milhões de m³ em 2022.
Para Pernambuco, os efeitos econômicos são expressivos. A indústria representa 22,4% do PIB estadual, com destaque para o polo de Suape, que concentra cadeias produtivas ligadas aos setores de petróleo, gás, construção pesada e bens de capital. A mobilização econômica gerada pelo projeto deve ampliar a base de fornecedores locais, estimular a arrecadação de tributos e dinamizar o setor de serviços na região.
Planejamento e transição energética
Segundo a presidente da Petrobras, engenheira Magda Chambriard, os investimentos visam “expandir, adequar e diversificar o parque industrial da companhia”, com foco em segurança energética, rentabilidade e sustentabilidade. A implantação do Trem 2 é considerada um dos pilares do plano de transição energética justa da empresa.
A Petrobras projeta US$ 19,6 bilhões em investimentos no refino, transporte e petroquímica até 2029, com foco na substituição progressiva do diesel S500 por S10 em todo o país. A RNEST deve desempenhar papel central nesse processo, como referência tecnológica e ambiental do novo parque de refino nacional.
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