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Copom reduz Selic a 14,50% ao ano em segunda queda consecutiva do ciclo

Copom reduz Selic de 14,75% para 14,50% ao ano em segunda queda consecutiva do ciclo iniciado em março, com inflação em alta e conflito no Oriente Médio no radar
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Copom Banco Central juros taxa Selic aumento
A decisão do Copom marca a segunda queda consecutiva da Selic. Foto: Adobe Stock/Reprodução

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (29), de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão marca a segunda queda consecutiva da Selic num ciclo de afrouxamento iniciado em março e era amplamente esperada pelo mercado.

A taxa havia permanecido em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, o maior patamar em quase 20 anos. O Copom iniciou o ciclo de cortes na reunião de março, num cenário que então apontava desaceleração da inflação. Desde então, a guerra no Oriente Médio complicou o quadro, pressionando combustíveis e alimentos e elevando as projeções de inflação do mercado de 3,95% para 4,86% para 2026, acima do teto da meta de 4,5%.

A reunião ocorreu com três desfalques. Os mandatos dos diretores Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Paulo Picchetti (Política Econômica) expiraram no fim de 2025 e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.

O diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, também se ausentou por falecimento de parente de primeiro grau. Votaram pela decisão seis membros: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David e Paulo Picchetti.

Segundo a nota oficial do Copom, o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue apresentando trajetória de moderação no crescimento, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. A inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes, distanciando-se adicionalmente da meta.

O IPCA-15 de abril registrou alta de 0,89% no mês e 4,37% em 12 meses. As expectativas do relatório Focus para 2026 estão em 4,9% e para 2027 em 4,0%, ambas acima da meta. A projeção do próprio Copom para o IPCA no quarto trimestre de 2027, horizonte relevante de política monetária, é de 3,5% no cenário de referência, que considera câmbio de R$ 5,00/US$ e bandeira tarifária amarela em dezembro de 2026 e 2027.

Crise do petróleo influencia decisão

O ambiente externo segue pressionado. O conflito no Oriente Médio, com bombardeios, negociações entre Irã e Estados Unidos e ameaças mútuas, mantém elevada incerteza sobre os preços globais do petróleo. O barril opera acima de US$ 100, reflexo também das tensões em torno do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O Copom classificou o cenário externo como de “forte aumento da incerteza” e destacou que a falta de clareza sobre a duração dos conflitos elevou consideravelmente a incerteza em torno das projeções de inflação.

Entre os riscos de alta para a inflação, o comitê destacou a possível desancoragem das expectativas por período prolongado, a resiliência da inflação de serviços e o impacto de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, citou eventual desaceleração mais acentuada da atividade doméstica, possível desaceleração global mais pronunciada e eventual redução nos preços das commodities.

Próximos passos da Selic

O Copom afirmou que dará sequência ao ciclo de calibração da política monetária, mas reafirmou “serenidade e cautela” na condução. Segundo a nota, os próximos passos incorporarão novas informações sobre a profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre o nível de preços. O Banco Central mantém previsão de crescimento do PIB em 1,6% para 2026; o mercado projeta 1,85% segundo o Focus.

Ainda nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de referência dos Estados Unidos entre 3,50% e 3,75% ao ano pela terceira vez consecutiva, citando os desdobramentos do Oriente Médio como fator de elevada incerteza sobre o cenário econômico global.

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