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Mercado corta projeção de inflação para 2026 e vê IPCA em 4,02%

Além dos dados da inflação, o ​Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (19) aponta estabilidade na taxa Selic em 15% e crescimento do PIB mantido em 1,80%
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Embora a inflação oficial tenha encerrado 2025 em 4,26% — dentro da meta estipulada —, o cenário para os juros permanece em patamares restritivos. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O mercado financeiro calibrou suas expectativas para o fechamento da inflação em 2026, sinalizando um viés de arrefecimento nos preços. De acordo com o Boletim Focus divulgado hoje (19) pelo Banco Central, a mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou para 4,02%, vindo de uma estimativa de 4,05% na semana anterior e 4,06% há um mês. O ajuste coloca o índice dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cujo teto para o período é de 4,5%.

​Embora a inflação oficial tenha encerrado 2025 em 4,26% — dentro da meta estipulada —, o cenário para os juros permanece em patamares restritivos. A taxa Selic, atualmente fixada em 15%, é o maior nível registrado em quase duas décadas, igualando patamares de meados de 2006. O mercado projeta que o Banco Central mantenha o rigor monetário para segurar a demanda aquecida, estimando que a taxa básica encerre 2026 em 12,25%, projeção que se mantém inalterada há quatro semanas consecutivas.

Perspectivas para juros e política monetária

​A trajetória de queda dos juros deve ganhar corpo apenas a partir de 2027, quando o mercado prevê uma redução da Selic para 10,50%. Entretanto, para o horizonte de 2028, houve uma revisão altista: as expectativas subiram de 9,88% para 10%. Esse movimento reflete uma percepção de maior risco ou persistência inflacionária a longo prazo, dificultando uma flexibilização mais agressiva por parte do Comitê de Política Monetária (Copom).

​O mecanismo de transmissão da Selic continua sendo a principal ferramenta de controle do Banco Central. Ao manter os juros elevados, o crédito torna-se mais caro, desestimulando o consumo e a expansão econômica, ao mesmo tempo em que favorece a poupança.

“Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas”, observa o relatório, destacando que a taxa básica é apenas um dos componentes do custo final do crédito.

​PIB e Câmbio sob estabilidade

​No front do crescimento econômico, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) seguem estagnadas. A expectativa de expansão para 2026 permanece em 1,80% pela sexta semana seguida, mesmo índice projetado para 2027. Para 2028, os analistas são ligeiramente mais otimistas, prevendo uma aceleração para 2%. O cenário aponta para uma economia de crescimento moderado, ainda sob o efeito do aperto monetário necessário para ancorar as expectativas de inflação.

​O comportamento do câmbio também apresenta sinais de acomodação. A cotação do dólar para o final de 2026 e 2027 é estimada em R$ 5,50, valor que não sofre alterações nas planilhas do Focus há 14 semanas. Para 2028, a projeção sofreu um ajuste marginal para R$ 5,52. A estabilidade da moeda americana é vista como um fator técnico essencial para evitar a importação de inflação via insumos e commodities, permitindo que o IPCA mantenha a trajetória de queda iniciada nesta semana.

Com informações da Agência Brasil.

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para 80% das indústrias

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