terça-feira, 16/04/2024

PIB do Nordeste: BA e CE crescem abaixo do Brasil em 2023

Duas das maiores economias da região cresceram menos que o Brasil e sinalizam que o desempenho do PIB do Nordeste pode ter sido inferior ao do país
PIB do Nordeste: agronegócio foi a principal força do PIB estadual, assim como no Brasil
PIB do Nordeste: na Bahia, agronegócio – principalmente commodities agrícolas como a soja – foi a principal força em 2023/Foto: SEI-BA

O PIB do Nordeste emite sinais de um desempenho abaixo do resultado nacional em 2023. Em duas das maiores economias da região, o produto interno bruto cresceu menos que os 2,9% do Brasil. Na Bahia, o avanço foi de 1,1%. No Ceará, de 2,1%. Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Planejamento tem previsão de divulgar os números entre o final de março e o início de abril.

No caso da Bahia, a economia estadual enfrenta problemas nos últimos anos relacionados a externalidades – como a instabilidade de preço e demanda do petróleo e derivados – desafios nacionais (a exemplo do ciclo complicado pelo qual passa a indústria de transformação brasileira) e internos, entre eles o impacto persistente do fechamento do complexo da Ford, em 2021.

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PIB do Nordeste: indústria teve queda de 1,7% na Bahia e único segmento que cresceu foi o de energia, gás e água
José Acácio, presidente da SEI-BA: indústria recuou 1,7% e único segmento da área fabril com desempenho positivo foi energia, gás e água (4,7%)/Foto: SEI

PIB do Nordeste: agro salvou Bahia

De acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI), em 2023, a principal contribuição para a expansão do PIB baiano – que totalizou R$ 420,3 bilhões – veio do setor agropecuário, que registrou alta de 5,2% de janeiro a dezembro passados.

O orgão acrescenta que o setor de serviços – que apresentou variação positiva de 1,9% – também contribuiu para o resultado de 2023. O terciário, refletindo, entre outras, a força da cadeia do turismo e segmentos agregados, é o carro-chefe da economia do estado.

No entanto, em 2023, a grande ajuda para impulsionar a produção no estado não veio da área turística. Dentre as atividades do terciário, as maiores oscilações para cima foram observada em outros serviços (6,1%) – com destaque para serviços profissionais, de educação e de saúde – e área imobiliária (2,5%).

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Já o setor fabril caiu 1,7% no ano, como resultado da retração na indústrias de transformação (-2,9%), extrativas (-8,5%) e construção civil (-0,7%).

Na área industrial, o único segmento que registrou variação positiva foi o de geração, distribuição e consumo de energia elétrica, gás e água (+4,7%).

O resultado se deve em boa parte aos pesados investimentos que vêm sendo realizados em geração eólica e solar no estado, vice-líder nacional em produção de energia a partir dos ventos.

Setores tiveram desempenho parecido ao do Brasil

Em linhas gerais, o comportamento dos setores econômicos na Bahia teve algumas semelhanças com o cenário nacional. O agro (especialmente a demanda de soja e milho no mercado internacional) salvou o produto interno bruto baiano ano passado, fenômeno parecido ao que aconteceu no país.

No caso de serviços, a reação do setor ajudou a segurar o PIB estadual diante da queda na indústria (-1,7%). No Brasil, os serviços também foram fundamentais, particularmente no 2º semestre de 2023, quando o produto interno bruto nacional desacelerou, tanto no 3º, quanto no 4º trimestre.

PIB do Nordeste: BA cresceu 2,6% no 4º trimestre

A análise da SEI sobre o resultado do 4º trimestre de 2023 mostra que o PIB da Bahia cresceu 2,6% no período, comparado aos mesmos três meses de 2022 e 1,1% em relação ao trimestre anterior (julho a setembro).

Projeção indica CE com desempenho melhor que BA

PIB do Nordeste: no Ceará, Ipece tem projeção de resultado "ligeiramente abaixo da economia brasileira"
No Ceará, José Alfredo de Oliveira (Ipece) projeta resultado “ligeiramente abaixo da economia brasileira”/Foto: Ipece (Divulgação)

Embora este resultado seja preliminar, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) – que integra a Secretaria Estadual de Planejamento – projeta uma taxa pouco superior a 2%, acima portanto da Bahia, mas em torno de 0,8 ponto percentual abaixo do Brasil.

“Caso esse número se concretize, o resultado cearense ficará ligeiramente abaixo da economia brasileira“, afirma o diretor geral do Ipece, Alfredo José Pessoa de Oliveira.

Os números setoriais consolidados no acumulado janeiro a dezembro e do 4º trimestre ainda não foram divulgados pelo instituto. Mas os resultados do 3º trimestre (na comparação com os mesmos três meses de 2022) apontam a área de serviços com alta de 4,2% no valor adicionado, enquanto a agropecuária teve redução de 5,1% e a indústria, de 2,3%.

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