BID estrutura “departamento comercial” para Pernambuco

Estado dá passo fundamental para formular sua política de atração de investimentos, o que pode garantir maiores aportes de financiamentos junto ao BID.

Compartilhe:

Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no facebook
Compartilhar no email
workshop do BID
Secretários Guilherme Cavalcanti e Maurício Laranjeira registram, em self, a abertura do workshop/foto: Divulgação SEDEC

Diversas lideranças de áreas estratégicas do Governo de Pernambuco lotaram o auditório da Copergás, na Zona Sul do Recife, nesta última segunda-feira (15) para participar de uma iniciativa inédita no estado: um treinamento promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para atração de investimentos.

O workshop, que segue até sexta-feira (19) e cujo conteúdo foi criado pelo BID no ano passado, reúne membros de secretarias de Estado, de empresas da administração direta e indireta, além de parceiros de negócios do governo. Empresas como Suape, Adepe, CPRH, Copergás e parceiros como Sebrae, Fiepe, BNDES, Amcham e Banco do Nordeste estavam presentes. A iniciativa partiu da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDEC).

O entendimento da pasta é que faltam articulação e integração dos entes estaduais que estão no dia a dia da captação de negócios. “A atração de investimentos vem sendo feita de forma aleatória, ou seja, cada um trabalhando à sua maneira, sem articulação”, disse Maurício Laranjeira, secretário executivo para Atração de Investimentos da SDEC.

O que se deseja, segundo ele, é criar uma proposta de valor, um discurso unificado para se chegar ao “produto Pernambuco”. Assim, os que atuam com prospecção de negócios o farão de forma ativa e ordenada, sob uma estratégia única. Em outras palavras, o que se quer é criar um “departamento comercial para o Estado”.

Leonardo Lahud, líder em Comércio e Investimentos do BID, que comanda o programa, disse ao Movimento Econômico que o passo fundamental nesta direção é integrar as equipes. Essa integração permitirá que se unifiquem dados, discursos e estratégias, modelando uma política pública para atração de investimentos.

Leonardo Lahud
Leonardo Lahud/Foto SDEC

O governo dispõe da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (Adepe), que sabidamente tem feito um trabalho muito positivo na atração de novos negócios. Em 2023, Pernambuco atraiu R$ 2,4 bilhões em investimentos por meio de 125 empresas. Considerando apenas o que chegou através do programa de incentivos fiscais (Podepe), a média de investimentos no estado é da ordem de R$ 500 milhões ano – 2022 foi um ano fora da curva devido à chegada da Blau Farmacêutica. A Adepe, porém, é um braço operacional e o que Lahud defende é que exista um braço estratégico.

O Complexo Industrial Portuário de Suape é outra âncora para atração de investimentos. Márcio Guiot, presidente de Suape, disse que, ao chegar a Pernambuco, lhe foi dito que Suape se vende sozinho. “Imagina se pudermos embalar esse equipamento melhor”, disse Guiot numa declaração de apoio à iniciativa da SDEC.

Não só embalar, mas preparar o cenário para atrair os investidores. Segundo o BID as principais variáveis para atrair negócios são inovação e localização. Neste sentido, Pernambuco tem pontos positivos, já que está no centro do Nordeste e a conta com o ecossistema do Porto Digital.

Corrente de comércio

Um fator que chamou atenção do BID é que a participação do estado na corrente de comércio do Brasil é de apenas 1,7%. Para Xavier Casademunt, o professor de estratégia e consultor externo do BID, que está à frente do treinamento, não é possível dissociar atração de investimentos do fluxo de comércio. E ele sugere um olhar muito atento às importações. Para o BID, a sinergia entre atração de investimentos e comércio exterior é muito relevante. O que o estado teria como vantagem competitiva para produzir internamente em vez de importar?

Xavier Casademunt
Xavier Casademunt/Foto: SDEC

Desburocratização

Outro ponto imperativo é um ambiente de negócio sadio, o que passa pela desburocratização. Esse ambiente tem que ser previsível, seguro, prático e amigável.

Estímulo a pequenas e médias empresas é outro ponto fundamental. E no workshop os agentes públicos vão entender com o podem fazer isso, se baseando nas experiências de outros locais no mundo.

Pernambuco é o primeiro estado da região Nordeste a participar desta iniciativa, que já ocorreu apenas em Santa Catarina e Mato Grosso. O resultado desse workshop pode ampliar as linhas de financiamento do BID para Pernambuco. E o tempo de resposta para se colher resultados vai depender do engajamento dos agentes públicos e de como o estado vai cobrar deles resultados.

Leia também:

Economia criativa deve movimentar R$ 3 bi no Carnaval de PE

Porto do Pecém bate recorde na movimentação de contêineres com alta de 16%

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email

Mais Notícias