Pequenos produtores dobram geração elétrica e se igualam à Chesf

A geração elétrica distribuída mais do que dobrou nos últimos dois anos. Em 2019, os pequenos consumidores tinham um parque com a capacidade para gerar 2.266 megawatts (MW). Em 2020, passou para 5.094 MW e no ano seguinte alcançou 9.226 MW.

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A geração elétrica pelos próprios consumidores – que também é chamada de geração distribuída – praticamente dobrou no Brasil nos últimos dois anos, mesmo com a pandemia do coronavírus – que provocou a redução da atividade econômica e uma grande crise depois de março de 2020.

Na última quinta-feira (31), o Brasil ultrapassou, pela primeira vez, 10 gigawatts (GW) de capacidade instalada neste tipo de geração de energia. Isso significa que estes pequenos produtores passaram a ter um parque gerador aproximadamente do mesmo tamanho da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Vários fatores contribuíram para esta escalada, como o aumento do preço da conta de energia e o fato de que uma parte das pessoas passou a gastar mais energia dentro das suas residências.  

Em 2019, os pequenos consumidores tinham um parque com a capacidade para gerar 2.266 megawatts (MW), passando para 5.094 MW em 2020. No ano seguinte, chegou a 9.226 MW. Em março deste ano, a capacidade instalada destes pequenos produtores atingiu 10.095 MW. Isso é suficiente para abastecer aproximadamente 5 milhões de unidades residenciais brasileiras, o que corresponde a quase 20 milhões de pessoas.

energia solar
A energia solar fotovoltaica corresponde a mais de 90% de todos os pequenos produtores do Brasil

 “A pandemia mudou o padrão de consumo de muita gente. As pessoas começaram a ficar 24 horas em casa e isso também gerou um aumento do consumo da energia elétrica que não parou de subir de preço”, resume o coordenador regional da Associação Brasileira de  Energia Solar Fotovoltaica (ABSolar), Jonas Becker.  A elevação na conta de energia ocorreu, no ano passado, por causa da falta de planejamento do governo federal e da crise hídrica que baixou a quantidade de água nos reservatórios responsáveis por cerca de 70% da geração hidráulica do País.

Geração elétrica e a crise hídrica

Becker argumenta que os aumentos constantes na conta de luz – o que ocorreu com o aumento do valor cobrado pelas bandeiras vermelhas e a criação da bandeira de escassez hídrica – contribuíram para “o consumidor descobrir que é um agente extremamente importante no setor elétrico e que pode gerar sua própria energia”. As bandeiras cobram, já no mês seguinte, quantias extras dos consumidores na conta de energia, quando o custo da produção aumenta.

 Atualmente, são 922 mil unidades com micro ou minigeração distribuída instalada em todo o País, sendo 1,19 milhão de unidades que recebem os créditos dessa geração (valor que inclui as unidades com a geração instalada). A lei permite que um pequeno gerador receba os créditos (um tipo de compensação na conta de luz) em mais de um endereço. Por isso, o número de geradores é menor do que o das unidades que recebem o crédito da geração. Em Pernambuco, existem cerca de 15 mil unidades geradoras e cerca de 25 mil que recebem os créditos desta geração, segundo informações da ABSolar. No Ceará, são cerca de 30 mil unidades que recebem os créditos produzidos por 25 mil geradoras.

Entre os pequenos produtores, 99% usam um sistema solar fotovoltaico, utilizado em 910,6 mil micro e miniusinas com a capacidade instalada para gerar 9,9 GW. ” A energia passa por uma evolução, um momento de descentralização. E o consumidor está buscando outras opções para se inserir neste mercado”, comenta Becker, acrescentando que o potencial ainda é enorme, pois existem mais de 90 milhões de unidades consumidoras no País e menos de um milhão de unidades produzem sua própria energia.

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