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Produção artesanal de Pernambuco chega ao mercado europeu

Loja de artesanato de Pernambuco é inaugurada no Porto com obras de mestres e coletivos de todo o estado, fortalecendo a economia criativa no mercado europeu
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loja de artesanato de Pernambuco na cidade do Porto Portugal
Espaço abriga uma curadoria inicial de aproximadamente 200 peças, reunindo obras de artistas de diferentes regiões de Pernambuco. Foto: Gabriel Salles/Divulgação

A primeira loja oficial do artesanato de Pernambuco fora do Brasil será aberta ao público a partir deste sábado (26), na cidade do Porto, em Portugal, como parte da estratégia de internacionalização da produção artesanal do estado. A iniciativa parte do Governo de Pernambuco, por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), em parceria com o Instituto Pernambuco Porto-Brasil (IPPB), com o objetivo de promover a exportação da produção artesanal para o mercado europeu.

Com 50 metros quadrados, o espaço abriga uma curadoria inicial de aproximadamente 200 peças, reunindo obras de artistas de diferentes regiões do estado, da Região Metropolitana do Recife ao Sertão pernambucano. Entre os nomes selecionados estão mestres reconhecidos nacionalmente, como Nicola (Jaboatão dos Guararapes), Luiz Antônio (Caruaru), Cida Lima e Neguinha (Belo Jardim), Fida (Garanhuns), Luiz Benício (Buíque), Bezinho Kambiwá (Ibimirim), Marcos (Sertânia), Irineu do Mestre (Salgueiro) e Mazinho (Lagoa Grande).

Também integram o acervo artesãs, artesãos e associações com atuação destacada na produção artesanal contemporânea e tradicional. Entre eles, estão Alcione Freitas (Paulista), com trabalhos em papel machê e papietagem; Ana Santiago (Recife) e Edjane Cabral (Paudalho); o coletivo Bonecos de Pilão (Tracunhaém), voltado à cerâmica contemporânea; Francisca Xukuru (Pesqueira), referência na renda renascença; os xilogravuristas Bacaro Borges e Pablo Borges (Bezerros), herdeiros do legado de J. Borges; além da Tapeçaria Timbi (Camaragibe) e da Associação de Tapeceiras de Lagoa do Carro.

“Através da loja, a comunidade local e turistas terão a oportunidade de levar para casa a força e a beleza do artesanato de Pernambuco, que carrega histórias e tradições”, afirmou o presidente do Instituto Pernambuco Porto-Brasil, Zeferino Ferreira da Costa.

Para a diretora-geral de Promoção da Economia Criativa da Adepe, Camila Bandeira, “as lojas são uma importante vitrine e canal de vendas para as artesãs e os artesãos. Contar com uma loja na Europa é ampliar essa exposição e a geração de renda. Também é importante dizer que, sendo uma política pública de fomento ao artesanato, as lojas comercializam cada peça pelo valor atribuído pelo artesão. Quando ocorre a venda, ele recebe a exata quantia que indicou no ato de consignação”, explicou.

A diretora-presidente da Adepe, Ana Luiza Ferreira, destacou o caráter estratégico da ação. “Esta inauguração é um marco de uma política pública consolidada, que enxerga na economia criativa uma estratégia de valorização da identidade cultural do nosso povo e também de desenvolvimento sustentável. Pernambuco chega à Europa com histórias e saberes, tradição e inovação, mostrando que respeita o fazer artesanal e que acredita no potencial da cultura como vetor econômico”, detalhou.

Rede estadual de lojas e início do projeto

As lojas do Artesanato de Pernambuco foram iniciadas em 2003, com a abertura do Centro de Artesanato de Bezerros, no Agreste. Desde então, o projeto expandiu-se para o Recife, com unidades no Centro de Artesanato de Pernambuco, localizado no Bairro do Recife, e no Shopping Tacaruna. Na Região Metropolitana, o projeto também está presente no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, onde são comercializados produtos de diversas tipologias artesanais.

Tradição artesanal e impacto econômico

O artesanato de Pernambuco tem forte tradição e relevância econômica. A cidade de Caruaru, no Agreste, abriga o bairro do Alto do Moura, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como o maior centro de arte figurativa das Américas. O destaque da região é a produção em barro modelado, com origem nas obras de Mestre Vitalino. Também se destacam peças em couro, renda e madeira, muitas delas com certificação de origem e inserção no mercado externo.

Como reflexo da relevância do setor, a 25ª edição da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), realizada neste mês, registrou 340 mil visitantes e uma movimentação econômica de R$ 163 milhões, os maiores números de sua história. O evento é considerado o principal termômetro do setor no estado e impulsiona vendas, visibilidade e geração de renda para milhares de expositores e produtores culturais.

Artigos figurativos — como os tradicionais bonecos de barro — são peças que representam figuras humanas ou cenas do cotidiano, sendo um dos principais símbolos da arte popular pernambucana. Esse segmento integra o setor da economia criativa, caracterizado por atividades baseadas em cultura, arte e design com potencial de valorização econômica.

A força do artesanato no Nordeste

No cenário regional, o Nordeste brasileiro concentra uma das maiores produções artesanais do país, com destaque para Pernambuco, Ceará e Bahia. Segundo dados do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), ligado ao Ministério do Empreendedorismo, o setor representa uma das principais fontes de geração de renda em comunidades rurais e urbanas com menor acesso a emprego formal.

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