
O polo automotivo de Goiana entra em um novo ciclo de expansão, tendo a regionalização de fornecedores como um dos vetores que vai influenciar esse crescimento. Isso ocorre em paralelo aos investimentos já anunciados pela Stellantis de R$ 13 bilhões para novos projetos da planta pernambucana entre 2025 e 2030. Nesse contexto, a unidade local vai ganhar uma nova linha de produção no final de 2026, para fabricar os veículos que surgirão da parceria da companhia com a chinesa Leapmotor. A estratégia da montadora é atrair mais empresas para Pernambuco, impulsionando novos aportes no Estado.
“A regionalização vai ser um dos pilares mais importantes para o Polo Automotivo de Goiana nos próximos anos. A nossa intenção é trazer componentes que hoje são produzidos fora de Pernambuco, e até do Brasil, para serem fabricados no Estado. E não somente para a nossa produção, mas também para a dos nossos fornecedores”, explica o Plant Manager do Polo Automotivo Stellantis de Goiana, Francis Ribeiro Jorge.
Para ele, a regionalização vai criar “um aumento de oportunidades dentro do polo, como um todo”. A expectativa, de acordo com Francis, é de ter o anúncio, em 2026, de um novo fornecedor que vai se instalar em Pernambuco. Segundo ele, “há um movimento de fornecedores vindo do Sul e Sudeste para se instalar no Nordeste”.
Francis argumenta que, nesse movimento, “não é só o emprego que essas empresas vão trazer, mas também o faturamento”, o impacto na arrecadação, entre outros fatores que aquecem a economia. A implantação de novos fornecedores da Stellantis em Pernambuco vai contribuir para reduzir custos da montadora, trazer novas tecnologias e fortalecer a base industrial do Estado, além de criar mais empregos qualificados na indústria. Em média, a empresa traz vários componentes fabricados a cerca de 2,2 mil km de distância.
Atualmente, o Polo Automotivo Stellantis de Goiana tem 38 fornecedores locais, sendo 20 dentro do Supplier Park da empresa e o restante em outros municípios. Em 2015, eram 22 fornecedores. A meta da empresa é ter 100 fornecedores locais.
A planta de Goiana e os fornecedores da região geram 14,8 mil empregos diretos. Desse total, cerca de 6 mil postos de trabalho estão na fábrica. Indiretamente, o polo gera cerca de 60 mil vagas de trabalho. A quantidade de postos de trabalho tende a crescer com a regionalização dos fornecedores.
A unidade de Goiana recebeu um investimento de R$ 18,5 bilhões desde o início da construção da fábrica até 2024. “É o maior ciclo de investimentos da Stellantis na América do Sul”, diz Francis, referindo-se ao que já foi empregado e aos R$ 13 bilhões a serem gastos até 2030 em desenvolvimento, tecnologias e novos projetos.
A chegada dos carros da Leapmotor em 2026
Na primeira fase, os veículos elétricos com a marca Leapmotor vão chegar prontos para a venda ao Brasil. “Em 2026, começa a produção em Goiana”, afirma Francis. Dos cinco veículos que sairão de Goiana nos próximos anos, quatro vão ser fabricados dentro da plataforma Bio-Hybrid, desenvolvida pela Stellantis. Essa tecnologia apresenta um maior grau de eletrificação com o uso do etanol.
“Quase todos os modelos da planta vão se tornar Bio-Hybrid. Acreditamos muito na tecnologia do etanol com o elétrico. O ciclo completo do etanol é muito positivo”, afirma Francis. Nesse ciclo completo, é levado em consideração o plantio da cana-de-açúcar, que também absorve carbono, o uso do biocombustível no motor — que produz menos emissões — e o maior grau de eletrificação do carro, que também contribui para a redução das emissões de CO₂.
O Polo Automotivo de Goiana produz cinco modelos diferentes: Jeep Renegade, Fiat Toro, Jeep Compass, Jeep Commander e RAM, a Rampage. “Vamos ter veículos completamente novos nos próximos ciclos”, conta Francis.
Recorde de exportações da Stellantis em 2025
A fábrica da Stellantis em Goiana mudou o perfil das exportações de Pernambuco. Nos últimos anos, os combustíveis e veículos passaram a ser responsáveis por metade do valor de todas as exportações pernambucanas, segundo informações da Ceplan Consultoria.
Em 2024, foram exportados, aproximadamente, 39 mil veículos produzidos localmente. “Este ano, batemos o recorde do ano passado em novembro. Também tivemos outros recordes, como o maior volume de carros exportados num único navio, que recebeu 7.194 veículos”, afirma Francis.
Desde a entrada em operação da planta de Goiana, foram exportados mais de 250 mil veículos pelo Porto de Suape. A Stellantis responde por cerca de 85% da movimentação do hub de veículos do atracadouro pernambucano, e as exportações da montadora representam 8,4% do total exportado por Suape.
Impacto do Polo de Goiana na economia
O polo automotivo de Goiana — que inclui a fábrica da Stellantis e o Supplier Park — completou uma década em operação este ano. “Na minha visão, o maior legado que a planta deixou foi o desenvolvimento da região e das pessoas”, comenta Francis. E complementa: “Esses dias, conversando com uma das nossas colaboradoras, ela me disse que era da escola pública, do ensino fundamental, e hoje trabalha aqui. Geralmente, os jovens iam para outros caminhos, como comércio, agricultura. Hoje, estão estudando, querendo entrar na indústria e fazer cursos na área de tecnologia”.

Não é uma impressão. O polo automotivo de Goiana provocou “um significativo impacto positivo sobre o PIB per capita, a arrecadação de impostos e o nível e qualidade de emprego” a partir de 2011, segundo o estudo Impactos Socioeconômicos do Polo Automotivo de Goiana 2015–2025, elaborado pela Ceplan Consultoria. E os autores do levantamento atribuem esse impacto ao “forte impulso econômico gerado pelo investimento industrial”.
O estudo mostra que a fábrica de Goiana e os fornecedores instalados em Pernambuco empregavam 10,1 mil pessoas em 2015. Este ano, passaram a ser 18,2 mil trabalhadores. Na mesma base de comparação, somente na planta de Goiana, o emprego aumentou 70,2% entre 2015 e 2025.
Ainda de acordo com o estudo, a participação dos empregos gerados pelo polo no conjunto do emprego formal de Goiana evoluiu de 12,9% em 2014 para aproximadamente 43,8% em 2024. Os dados foram obtidos a partir das informações da RAIS e do Caged e estão no estudo da Ceplan.
A planta de Goiana foi aumentando a quantidade de modelos, foram chegando mais sistemistas e, como consequência, a cidade de Goiana saiu de cerca de 1% de participação no PIB de Pernambuco até 2013 para 4,8% em 2021. De acordo com o levantamento, “o Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Goiana cresceu de forma exponencial”, registrando uma “expansão de 300% entre 2011 e 2021”, passando de R$ 10.380,90 para R$ 45.259,54. “Esses números são algo impressionante”, comenta Francis.
Não foi só a renda da população que aumentou em Goiana. Ao longo dos últimos 10 anos, a Stellantis desenvolveu programas na área de educação na cidade e nos municípios que fazem parte da área de influência do polo. Um deles ofereceu capacitação para mais de 2.500 professores da rede pública. A iniciativa também trouxe números impressionantes nas escolas envolvidas. “Nos últimos anos, o Ideb mostrou que quase não teve reprovação, a aprovação foi quase 100% — em alguns locais — e a evasão foi zero”, resume Francis.
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