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Mercosul–UE: o que está em jogo no acordo

Num momento em que EUA avançam com unilateralismo, acordo fortaleceria o multilateralismo
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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Agronegócio - Soja - exportações
Temor da concorrência com produtos agrícolas sul-americanos vem travando o acordo/Foto: CNA/Wenderson Araújo/Trilux

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que no melhor dos cenário será assinado em janeiro de 2026, tem um aspecto que vai além das tarifas: representa um marco geopolítico num mundo em disputa entre dois caminhos: o da integração regulada entre blocos e o do retorno ao protecionismo e ao unilateralismo.

Após 25 anos de negociações, o acordo elimina tarifas em mais de 90% do comércio entre os blocos, envolvendo 780 milhões de consumidores e cerca de 26% do PIB global. Para o Brasil, há ganhos expressivos: acesso preferencial para carne bovina (99 mil toneladas), etanol (450 mil toneladas), açúcar, frutas e aves, além da redução imediata de tarifas em 80% dos produtos industriais exportados. Para a UE, abre-se um mercado relevante para setores como automóveis, máquinas e químicos, num momento em que os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, voltam a aplicar tarifas a aliados e concorrentes, em clara ruptura com a ordem multilateral.

O desafio é superar as resistências dentro da própria Europa. França, Itália e Polônia lideram a oposição, sob pressão de setores agrícolas temerosos com a concorrência sul-americana. A resposta institucional veio com a criação de salvaguardas automáticas aprovadas pelo Parlamento Europeu: se as importações de produtos sensíveis como carne, aves e açúcar crescerem mais de 5% ou seus preços caírem abaixo desse patamar, a UE poderá reverter benefícios tarifários. A cláusula de reciprocidade ambiental também pesa: os países do Mercosul deverão seguir padrões sanitários e ambientais europeus, sob risco de sanções.

Esses mecanismos refletem o receio europeu de que o acordo acarrete impactos socioeconômicos e políticos internos. A oposição é menos sobre tarifas e mais sobre identidade: como equilibrar competitividade global com proteção a modelos agrícolas nacionais, muitas vezes sustentados por subsídios? E, um pouco mais: como conciliar esse tratado com o crescente peso da agenda ambiental nas democracias europeias?

O presidente Lula, que havia se recusado a assinar o acordo, caso ele fosse adiado, voltou atrás. Lula tinha interesse nesse marco em seu governo. Em suas palavras, uma forma de “mostrar ao mundo que um PIB de US$ 22 trilhões estava fazendo um acordo para defender o multilateralismo”, num momento em que os Estados Unidos escolhem o caminho oposto. Lula esperava que ao acordo fosse assinado sob seu comando no bloco, o que só deve ocorrer agora na Presidência Pro Tempore de Santiago Peña, presidente do Paraguai.

Soma

Com quatro empreendimentos em construção em Tamandaré, a Soma Inc. gera mais de 600 empregos e impulsiona a economia do litoral sul. Os condomínios Mar dos Corais e Paratiisi serão entregues no próximo verão. A empresa já concluiu os projetos Reserva dos Carneiros e Mar de Campas.

Navigator

Promovendo acessibilidade com inovação, os alunos Jairo Marinho, Vitor Santos e Jorge Figueiredo, do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade Senac PE, foram aprovados na 14ª edição do Campus Mobile com o projeto Beacon Navigator. O aplicativo foi desenvolvido para melhorar a comunicação e a orientação de pessoas com deficiência em ambientes fechados, como shoppings, hospitais e aeroportos. A apresentação do projeto será no dia 30 de janeiro de 2026, em São Paulo, durante o evento promovido pelo Instituto Claro em parceria com a USP.

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