
O Brasil dará em 2027 um passo inédito na infraestrutura de energia ao inaugurar sua primeira unidade de estocagem subterrânea de gás natural. A instalação será viabilizada pela GBS Storage no Campo de Manati, no litoral da Bahia, e representa uma mudança estrutural para o setor de gás no país. Ao permitir que o gás seja armazenado em períodos de baixa demanda e utilizado quando o consumo aumentar, o projeto cria uma alternativa segura, flexível e estratégica para o abastecimento nacional.
A operação será a primeira do tipo no Brasil e vem preencher uma lacuna crítica na cadeia de gás nacional. O sistema brasileiro, hoje, não conta com capacidade de estocagem robusta. Isso faz com que produtores sejam forçados a reduzir produção nos momentos de baixa demanda, ou dependam de importações caras por meio de terminais de regaseificação.
“A estocagem subterrânea é uma ferramenta essencial em mercados maduros e será agora implantada no Brasil, com o objetivo de equilibrar oferta e demanda, reduzir perdas e garantir estabilidade ao sistema energético”, explica Celso Silva, CEO da GBS Storage, em entrevista exclusiva ao Movimento Econômico. A capacidade do Campo de Manati é de 400 milhões de m³.
A GBS Storage, especializada em estocagem subterrânea de gás natural, é uma empresa do grupo Lorinvest e assinou em 27 de março de 2025 um acordo para adquirir 10% de participação no Campo de Manati, na Bahia, pertencente à GeoPark. Com essa transação, a GBS dobrou sua fatia no ativo, passando a deter 20%, ao lado da Petrobras (35%) e da Brava Energia (45%). O valor da operação foi de US$ 1 milhão, com a transferência de passivos de descomissionamento estimados em US$ 12 milhões. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre de 2025, sujeita à aprovação dos órgãos reguladores.
Solução nacional com base no NE
O Campo de Manati está localizado a 10 km da costa do município de Cairu (BA), e encontra-se em fase de declínio produtivo. Em vez de descomissionar o campo, a GBS propõe sua transformação em reservatório de gás natural, utilizando a infraestrutura já existente — como gasoduto de 125 km, estação de compressão e plataforma fixa — para reinjetar o gás nos poços, armazená-lo e retirá-lo conforme a necessidade do mercado.
A expectativa é de iniciar as operações comerciais de estocagem em 2027. A proposta é viabilizar um “armazém” subterrâneo, onde produtores poderão guardar gás excedente e retirá-lo em momentos estratégicos, como picos de consumo ou acionamento de termelétricas. “Será uma solução importante e que poderá manter a atividade econômica, incluindo arrecadação, para os cofres públicos quando o campo parar de produzir”, diz o CEO.
Segurança energética
“A estocagem permite formar um colchão de segurança para o sistema. O Nordeste, por exemplo, depende fortemente de fontes renováveis intermitentes como solar e eólica, e esse gás armazenado será fundamental para garantir o fornecimento quando não houver geração suficiente”, explica o executivo.
Além da segurança, o modelo pode ajudar na redução do custo do gás, ao permitir o armazenamento de moléculas mais baratas, evitando a compra emergencial de gás importado. “É uma estrutura que corrige distorções de mercado e reduz volatilidades, como já ocorre em diversos países”, afirma.
Novos campos para o gás
A viabilidade da conversão está sendo discutida com os demais sócios do consórcio e depende de autorizações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), além de adequações técnicas para tornar os poços bidirecionais.
A empresa já mapeou outros campos potenciais para projetos semelhantes — dois no Nordeste e um no Sudeste —, mas prioriza o sucesso da iniciativa pioneira em Manati. “Não podemos errar. Esse primeiro projeto precisa funcionar perfeitamente, pois abrirá as portas para uma nova fase do mercado de gás no país”, reforça o CEO.
A GBS Storage participa nesta semana da feira Bahia Oil and Gas Energy (BOGE), onde irá detalhar a proposta de estocagem subterrânea e seu papel na transição energética brasileira. O evento, realizado em Salvador, reúne especialistas, empresas e investidores do setor de óleo, gás e energia.

Pernambuco sedia cúpula internacional sobre descarbonização
Nesta terça e quarta-feira (27 e 28), o Recife será palco do Pernambuco Carbon Summit, evento que reunirá especialistas nacionais e internacionais para debater estratégias de descarbonização e desenvolvimento sustentável. O encontro acontecerá no Solar do Douro, no JCPM Trade Center, e abordará temas como créditos de carbono, hidrogênio verde e captura de CO₂, com foco na neutralidade climática até 2050
Anúncios de voz ganham espaço nas redes sociais
Impulsionados pelo uso crescente de assistentes virtuais como Alexa e Siri, os anúncios em formato de voz despontam como uma das principais apostas do marketing digital em 2025. Segundo o Sebrae Pernambuco, o avanço nas tecnologias de reconhecimento de linguagem tem ampliado a adesão a esse tipo de mídia no tráfego pago. O tema será um dos destaques da próxima edição do Quartas de Sucesso, evento gratuito que acontece no dia 28, na sede do Sebrae, no Recife. As inscrições pelo link pe.loja.sebrae.com.br/semanadomei2025.
Potências negras
Recife sedia nesta quinta-feira (29) o lançamento estadual do projeto Potências Negras, que propõe o uso da tecnologia como ferramenta de inclusão social para profissionais negros e reparação histórica. A iniciativa do governo federal inclui o anúncio de um fundo público-privado para capacitação de jovens negros, cuja participação atual no setor é de 31%. Será no Softex Pernambuco de 09h00 às 18h00.
Empresa familiar e inovação
No Conexão Governança PE, Fabiana Nunes (Nunes|Costa) discute o papel inovador das empresas familiares. O evento ocorre no Hotel Bugan, com a presença de Rebeca Leite (Mobs2) e Cris Pereira (ACE Governance). O evento será nesta quinta-feira (29), a partir das 8h30.
Magnum com selo global
A pernambucana Magnum Tires conquistou o selo LEI, identificação global obrigatória em transações internacionais. A certificação abre portas para atuação mais robusta em mercados como Europa e América do Norte.
Vivo
A Vivo foi premiada pelo CNJ por iniciativas de inclusão e diversidade. O projeto Mulheres de Fibra ficou em primeiro lugar, seguido pelos programas Vivo Diversidade e Jovens Talentos. A premiação reconhece ações que promovem responsabilidade social.
Imobi Talks
O Imobi Talks acontece no dia 5 de junho, às 9h, no RioMar Trade Center, no Recife. O evento reúne profissionais do setor imobiliário para discutir tendências e reforçar a importância do direito imobiliário na economia. A organização é da Imobi por Elas. Inscrições pelo Sympla.
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