
Pernambuco registrou quatro ataques de tubarão em 2026, o mais recente em 1º de junho, na Praia de Boa Viagem, no Recife. O estado acumula 84 ocorrências desde 1992. Com investimento de R$ 1.052.000,00, o governo do estado retoma, após 11 anos de interrupção, o monitoramento de tubarões na Região Metropolitana do Recife (RMR) por meio do projeto Ecotuba, coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com início de operação previsto para este mês.
Os quatro casos de 2026 ocorreram em localidades distintas. Em 9 de janeiro, a turista Tayane Dalazen, de 36 anos, foi mordida na perna durante mergulho no Arquipélago de Fernando de Noronha, com ferimento considerado superficial. Em 29 de janeiro, o adolescente Deivson Rocha Dantas, de 14 anos, foi atacado na Praia Del Chifre, em Olinda, e não resistiu aos ferimentos. No dia 31 de maio, um garoto de 11 anos foi mordido na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. No dia seguinte, 1º de junho, uma mulher de 19 anos foi atacada na Praia de Boa Viagem, no Recife.
O projeto é executado pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas) em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e financiado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), por meio da 19ª rodada do edital 40/2024 do programa Ciência no Governo. Desde 2023, o estado aplicou mais de R$ 5,5 milhões em ações de educação ambiental, pesquisa e monitoramento de incidentes com tubarões na faixa costeira da RMR e no Arquipélago de Fernando de Noronha.
Chip e microcirurgia
Os animais serão capturados, embarcados e submetidos a um protocolo que inclui identificação da espécie, medição, coleta de sangue e tecido para análises genéticas, além da implantação de chip transmissor. “Esse transmissor será implantado por meio de uma microcirurgia na região ventral. Feito esse procedimento, será devolvido para o mar e, posteriormente, fazer o acompanhamento do monitoramento desse animal dentro d’água, para que possa constatar o padrão de utilização de espaço”, explicou Paulo Oliveira, professor da UFRPE e coordenador do projeto.
Cada animal será avaliado quanto ao uso dos habitats costeiros da RMR, com indicação de áreas de maior e menor risco de incidentes. “Os resultados irão permitir a identificação de zonas de risco, a geração de dados científicos atualizados e o aprimoramento das estratégias de prevenção, comunicação e segurança aquática”, disse Danise Alves, secretária-executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).
Fernando de Noronha concentra atualmente o único ponto ativo de monitoramento contínuo de tubarões em Pernambuco, sob coordenação da UFRPE com apoio do Governo do Estado, da Administração da Ilha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Econoronha. Com a retomada no litoral continental, o projeto busca mapear a conectividade entre os ambientes marinhos e subsidiar ações de educação ambiental, conservação e gestão costeira.
Leia mais: Nordeste ganha bônus em leilão de baterias para conter desperdício










