
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram e patentearam a “Bomba Seringa de Fluxo Contínuo Controlado”, dispositivo criado para garantir alimentação precisa, estável e ininterrupta de fluidos em processos industriais e científicos. A tecnologia foi desenvolvida no âmbito dos programas de pós-graduação em engenharia química e processos tecnológicos da universidade e conta com protótipo funcional validado em laboratório, com curvas de calibração que comprovam eficiência e precisão.
O diferencial do dispositivo está no mecanismo de operação: duas seringas acopladas em sentidos opostos funcionam de forma alternada, eliminando pausas para recarga. “As pulsações e interrupções comprometem muitos processos. Nossa proposta foi justamente criar uma solução contínua, precisa e mais confiável”, afirmou o pesquisador Entony David Dantas.
A abordagem foi desenvolvida para superar limitações recorrentes de bombas peristálticas e seringas tradicionais, que geram oscilações de fluxo prejudiciais a processos que exigem rigor técnico elevado. Entre as vantagens técnicas estão a operação silenciosa, o baixo custo de construção e a possibilidade de controle automatizado por computador.
As aplicações abrangem os setores químico, alimentício, biomédico, veterinário e de pesquisa laboratorial. Na área da saúde, o dispositivo pode ser incorporado em hospitais para administração controlada de medicamentos e na indústria farmacêutica. “Também vemos aplicações importantes na indústria alimentícia, onde a dosagem exata de aditivos é essencial, e em áreas emergentes como microfluídica e biotecnologia”, destacou o inventor Gleyson Batista de Oliveira.
O mercado global de bombas de dosagem foi avaliado em US$ 6,35 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 9,82 bilhões até 2034, crescimento anual de 5,75%, segundo a Fortune Business Insights.

Patentes da UFRN, transferência e ecossistema regional
O patenteamento da tecnologia é apontado pelos inventores como instrumento estratégico para viabilizar a transferência ao setor produtivo. “Quando você protege uma tecnologia, cria oportunidades reais de transferência e aplicação no mercado, ampliando o impacto social e econômica da pesquisa”, afirmou o inventor Jackson Araujo de Oliveira.
A patente se soma a um histórico recente da UFRN na área: em 2025, pesquisadores do mesmo programa de pós-graduação em engenharia química depositaram patente de método inovador para produção de hidrogênio, segundo reportagem publicada pelo Saiba Mais em agosto de 2025.

O Nordeste concentra cerca de 6% dos empreendimentos de biotecnologia e biociências do Brasil, parcela significativamente abaixo do Sudeste, que historicamente concentra a maior densidade de investimentos em infraestrutura laboratorial e parques tecnológicos, segundo estudo publicado na plataforma ResearchGate.
Os pesquisadores seguem trabalhando no aprimoramento do dispositivo, com foco na otimização do sistema eletrônico de controle, na integração com algoritmos de automação e em testes com diferentes tipos de fluidos. Esses avanços visam expandir as possibilidades de aplicação da tecnologia para futuras etapas de transferência ao setor produtivo.
*Com informações da Agir/UFRN
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