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Legado de Niède Guidon dá nome a prêmio de ciência no Piauí

Premiação “Arqueóloga Niède Guidon”, organizada pela Fapepi, reconhecerá iniciativas de comunicação científica e projetos voltados à popularização do conhecimento
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pesquisadora e arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon prêmio Fapepi
Trabalho da arqueóloga Niède Guidon ajudou na consolidação do Parque Nacional da Serra da Capivara, unidade de conservação federal reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. Foto: Arquivo Fumdham

Mais de 1.300 sítios arqueológicos catalogados, milhares de painéis de arte rupestre e a criação de um dos principais parques arqueológicos do planeta integram o legado científico da arqueóloga Niède Guidon, responsável por transformar a região da Serra da Capivara, no Piauí, em referência internacional para estudos sobre a ocupação humana nas Américas. A trajetória da pesquisadora, que atuou por mais de cinco décadas no semiárido piauiense, passa agora a dar nome a um prêmio estadual voltado à divulgação científica.

O Prêmio Fapepi de Popularização da Ciência “Arqueóloga Niède Guidon”, instituído pelo Governo do Piauí, vai reconhecer projetos e conteúdos voltados à comunicação pública da ciência. A premiação será organizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) e terá regras definidas em edital próprio, com categorias voltadas à produção de conteúdos científicos, jornalísticos e educacionais.

A proposta é incentivar iniciativas que ampliem o acesso da sociedade à produção acadêmica nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação. Segundo o governo estadual, o prêmio busca estimular pesquisadores, comunicadores e instituições a desenvolver projetos de divulgação científica capazes de aproximar a pesquisa acadêmica da população.

O edital deverá estabelecer critérios de avaliação, prazos de inscrição e categorias específicas para projetos desenvolvidos no estado.

Trajetória científica de Niède Guidon

Nascida em 1933, em Jaú (SP), Niède Guidon formou-se em História Natural e consolidou carreira acadêmica voltada à arqueologia pré-histórica. A partir da década de 1970, passou a liderar pesquisas no sul do Piauí, coordenando escavações que identificaram centenas de sítios arqueológicos e milhares de registros de arte rupestre distribuídos pela região da Serra da Capivara.

Os estudos conduzidos por equipes vinculadas à Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) ampliaram o debate científico sobre o povoamento do continente americano. Parte das pesquisas realizadas na região identificou vestígios de presença humana que sustentam hipóteses de ocupação na área há mais de 20 mil anos, tema que passou a integrar discussões acadêmicas internacionais sobre rotas migratórias pré-históricas.

Além da produção científica, Niède Guidon atuou na estruturação institucional da pesquisa arqueológica na região. A arqueóloga participou da criação da Fumdham, organização responsável por coordenar pesquisas, programas educacionais e ações de preservação patrimonial vinculadas à Serra da Capivara.

A fundação também passou a operar museus e centros de pesquisa dedicados à arqueologia e à história natural do semiárido, ampliando a infraestrutura científica da região e formando equipes de pesquisadores especializados em arqueologia, conservação e estudos ambientais.

Reconhecimento internacional

O trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas foi decisivo para a consolidação do Parque Nacional da Serra da Capivara, unidade de conservação federal reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.

A área abriga uma das maiores concentrações de sítios arqueológicos do mundo e se tornou referência internacional para estudos sobre arte rupestre e pré-história. A presença de centros de pesquisa, museus e infraestrutura científica transformou municípios do sul do Piauí, especialmente São Raimundo Nonato, em polos de arqueologia e turismo científico.

O modelo combina pesquisa acadêmica, preservação ambiental e atividades educacionais, com impacto direto na formação de pesquisadores, guias especializados e projetos culturais vinculados ao patrimônio arqueológico.

Niède Guidon morreu em 2025, aos 92 anos, em São Raimundo Nonato, cidade que concentrou grande parte de sua atuação científica. A trajetória da pesquisadora passou a ser reconhecida por iniciativas institucionais voltadas à preservação de seu legado acadêmico e à ampliação da divulgação científica no estado.

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