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Na Alepe, setor canavieiro apresenta ações emergenciais contra crise

Alepe reúne setor da cana para definir propostas emergenciais para enfrentar a crise, com foco em subvenção, crédito e mitigação da seca
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As perdas acumuladas no ciclo 2024/2025 foram impulsionadas pela estiagem prolongada e pelo aumento dos custos operacionais Foto: Gabriel Costa/Alepe
As perdas acumuladas no ciclo 2024/2025 foram impulsionadas pela estiagem prolongada e pelo aumento dos custos operacionais Foto: Gabriel Costa/Alepe

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) consolidou, nesta segunda-feira (1º), um conjunto de propostas emergenciais para enfrentar a crise inédita que atinge a cadeia da cana-de-açúcar no Estado e no Nordeste. O documento será encaminhado ao Governo Federal e ao Governo do Estado. As perdas acumuladas no ciclo 2024/2025, segundo estimativas da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), representam redução superior a 25% na produtividade regional, impulsionada pela estiagem prolongada e pelo aumento dos custos operacionais.

O debate ocorreu no auditório Senador Sérgio Guerra lotado, com presença de produtores, dirigentes de entidades, representantes de usinas, trabalhadores e parlamentares. A reunião foi conduzida pelo presidente da Comissão de Agricultura, deputado Luciano Duque, e convocada a partir de solicitação do deputado Antônio Moraes. Entre os presentes, o presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro; o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar/PE), Renato Cunha; O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Andrade Lima; e o presidente do Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco (Sindicape), Gerson Carneiro Leão. Também participaram Jackeline Gadé, secretária executiva da Secretaria de Agricultura do Estado

Os participantes apresentaram na Alepe um panorama que classificam como o mais severo já registrado pelo setor. A combinação entre preços reduzidos da matéria-prima, aumento das despesas de produção, efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre biocombustíveis e a seca intensa compromete tanto o canavial atual quanto o da próxima safra.

Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que o Nordeste deve colher, em 2025, o menor volume de cana desde 1997, com redução estimada de 14% em relação ao ciclo anterior. Os efeitos atingem diretamente mais de 200 mil empregos na Zona da Mata pernambucana.

Durante a audiência, foram apresentadas medidas consideradas urgentes, como subvenção por tonelada produzida, linhas de crédito específicas para custeio, apoio às usinas e fornecedores e mecanismos de mitigação dos efeitos da estiagem.

O deputado Luciano Duque defendeu que as propostas fossem consolidadas em um documento para ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Essa cadeia produtiva sustenta milhares de famílias na Zona da Mata e precisa de respostas imediatas. Nosso dever é transformar esse debate em ações concretas”, afirmou Duque.

O deputado Luciano Duque ressaltou a importância da cadeia produtiva da cana, que sustenta milhares de famílias na Zona da Mata Foto: Gabriel Costa/Alepe

Alepe atende demanda do setor

O deputado Antônio Moraes destacou que a iniciativa partiu da demanda de lideranças do setor, como Renato Cunha (SindAçúcar/PE), Alexandre Andrade Lima (AFCP) e Gerson Carneiro Leão (Sindicape). “Quero agradecer ao presidente da Comissão de Agricultura, Luciano Duque, pela maneira solícita com que nos atendeu. A nossa ideia foi exatamente a de fazer uma discussão objetiva e tirarmos encaminhamentos que possamos levar a uma audiência com a governadora Raquel Lyra”, afirmou Moraes.

O parlamentar acrescentou que já iniciou diálogo com a Casa Civil e com a Secretaria da Fazenda para tratar do assunto. “Precisamos apresentar novas soluções que sejam interessantes para todos, como num jogo de ‘ganha-ganha’, no qual ninguém saia perdendo. Nem o setor canavieiro, nem os trabalhadores e nem o governo”, concluiu o autor da proposta de debate na Alepe.

O diretor-presidente da Federação da Agricultura de Pernambuco (Faepe), Pio Guerra, ressaltou que a crise ultrapassa a dimensão econômica.

“A cana-de-açúcar não é apenas uma atividade produtiva. Ela representa nossa história e sustenta a economia de dezenas de municípios. Precisamos lutar pela garantia do subsídio ao produtor e pela continuidade de um arranjo produtivo que define quem somos como povo”, afirmou.

Presidente do grupo EQM, Eduardo Monteiro afirma que é preciso medidas urgentes para que o setor continue existindo Foto: Gabriel Costa/Alepe

Eduardo Monteiro faz alerta

O presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, enfatizou que a integridade dos canaviais depende de medidas imediatas.

“A cana é um patrimônio produtivo vivo. Se esse ativo morre, a recuperação não se faz em meses, mas em anos. Precisamos de medidas urgentes, federais e estaduais, para manter esse potencial de pé e garantir que o setor continue existindo”, declarou.

A avaliação de Monteiro é compartilhada por produtores que projetam queda adicional no plantio de 2025 caso não haja estímulos à manutenção da estrutura agrícola.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Cana de Palmares, Givanildo Marques, reforçou que o instrumento de subvenção já foi adotado em governos anteriores.

“Acredito na disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em atender essa pauta. Sabemos que a subvenção foi criada pelo próprio presidente Lula, e não é preciso fazer muito além de reeditar esse instrumento tão importante para o produtor”, afirmou.

Setor estima impacto econômico

O cofundador da Única, Gregório Maranhão, destacou o potencial econômico mesmo diante das perdas. “Apesar das dificuldades, a atividade ainda pode gerar cerca de R$ 180 milhões para Pernambuco, o que reforça a necessidade de medidas urgentes para evitar o colapso do segmento”, disse.

Presentes à audiência, deputados federais e estaduais que defenderam articulação unificada para evitar retração econômica na Zona da Mata.

As propostas consolidadas serão anexadas ao relatório da Comissão de Agricultura e entregues aos governos federal e estadual, além da bancada federal pernambucana.

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