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Etanol projeta setor sucroenergético para o futuro com produtos verdes

O 27º Seminário regional sobre cana-de-Açúcar contou com uma palestra de Dib Nunes Júnior que afirmou que setor sucroenergético pode produzir amônia anidra, ampliar biogás e superar crise em até dois anos.
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  1. Setor sucroenergético pode produzir amônia anidra a partir de gás carbônico da fermentação.
  2. Etanol será matéria-prima para produtos verdes como plástico biodegradável e biogás.
  3. Brasil importa mais de 80% do fertilizante nitrogenado consumido domesticamente atualmente.
  4. Margem positiva do setor deve retornar em até dois anos, prevê executivo.
  5. Etanol de milho fortalecerá Brasil no mercado internacional de longo prazo.
Seminário
A abertura do 27º seminário sobre cana-de-açúcar que ocorreu nesta terça-feira (19). Foto: Divulgação/AFCP

O diretor do grupo Idea, Dib Nunes Júnior, afirmou que o setor sucroenergético pode produzir uma “amônia anidra”, considerada matéria-prima para o adubo nitrogenado, utilizando nitrogênio do ar e gás carbônico gerado na fermentação da cana-de-açúcar. Segundo ele, o setor enfrenta uma crise provocada por preços baixos, juros altos e falta de financiamento, mas possui estrutura industrial e agrícola suficiente para atravessar o momento e o etanol vai ser “a matéria-prima” para produtos verdes que acenam para o futuro.

O executivo fez a palestra de abertura do 27º Seminário Regional sobre Cana-de-Açúcar que começou nesta terça-feira (19) na sede da Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar (AFCP), na Imbiribeira, Zona Sul do Recife (PE). Ele abordou o tema Um overview sobre o setor sucroenergético do Brasil e suas novas tecnologias.

“No máximo em dois anos, o setor deve voltar a operar com margem positiva”, afirmou Dib. Ainda de acordo com o executivo, a amônia anidra – que pode ser usada como matéria-prima para fazer o fertilizante nitrogenado – poderia ser produzida pelo setor utilizando o nitrogênio do ar e o gás carbônico da fermentação da cana-de-açúcar. “Com isso, se faz um composto idêntico à amônia anidra”, disse Dib. O Brasil atualmente importa mais de 80% do fertilizante nitrogenado usado no País.

Em entrevista ao Movimento Econômico, ele argumentou que um dos produtos derivados do processo industrial do setor que vai aumentar o consumo é o biogás. “Existem várias usinas com pedido de financiamento no BNDES para fazer o biogás”, disse.

Além do biogás, o executivo destacou também que o setor sucroenergético possui novas frentes de negócios para o futuro como plástico biodegradável, isopor, entre outros. “E o mundo precisa de etanol, porque etanol é uma das matérias-primas mais baratas que para a substituição de produtos feitos a partir do combustível fóssil”, comentou o executivo.

Segundo Dib Nunes, os resíduos da vinhaça também podem substituir totalmente o potássio usado na cultura da cana-de-açúcar, servindo como fertilizantes.

Dib Nunes Júnior
Dib Nunes Júnior fala sobre as perspectivas que o etanol e subprodutos podem trazer ao setor. Foto: Movimento Econômico

Etanol de milho e o impacto no setor sucroenergético

Dib Nunes afirmou que, num primeiro momento, o etanol de milho pode ser ruim para o setor, porque se a oferta do produto for muito alta, pode derrubar os preços no curto prazo. Mesmo assim, ele avaliou a expansão da produção positiva, a longo prazo, porque fortalecerá o Brasil no mercado internacional de venda de etanol.

Há uma tendência, argumentou Dib, do aumento do consumo do etanol em navios, aviões, motocicletas e automóveis, além das exportações. Na opinião dele, isso tende a equilibrar o mercado no futuro. “Quando os outros países precisarem do etanol, vão comprar do Brasil”, destacou.

Dib Nunes afirmou que o setor precisa de mudanças nas políticas públicas, estabilidade jurídica e linhas de financiamento com juros menores para investir em novos produtos. Ele disse que o setor está estruturado, com indústria e lavoura equipadas, mas enfrenta dificuldades por causa dos juros elevados e dos preços baixos pagos atualmente pelo mercado.

De acordo com o diretor do grupo Idea, o açúcar deve recuperar (o preço) antes do etanol e o equilíbrio gradual entre consumo e exportação ajudará o setor a enfrentar a crise. “Nós estamos numa situação difícil de preço no momento, o mercado está pagando pouco. O etanol vai sofrer mais do que o açúcar, o açúcar vai se recuperar antes. E eu tenho certeza absoluta que com um pequeno estímulo o setor volta a crescer. O estímulo não precisa vir do governo, pode vir dos preços”, comentou.

O seminário vai acontecer até a quinta-feira (21) com várias palestras voltada. Ainda nesta terça-feira (19), também ocorreu a palestra Perspectivas e desafios na gestão de pessoas para as próximas safras, que teve como debatedoras a diretora de Meio Ambiente e E.S.G da Usina Cucaú, Cláudia Dantas; a gerente de RH da Usina São José, Camila Ramos de Barros e a diretora de RH e Marketing da Usina Petribú, Flávia Petribú Ribeiro.

Junto com a programação de debates, também ocorre uma exposição de empresas que fornecem desde novas tecnologias ao setor sucroalcooleiro até tradicionais fabricantes de equipamentos para o setor. “Temos que buscar inovações para conseguirmos sobreviver”, afirmou o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima.

Uma das empresas que estavam expondo no local foi a Tecbio, que tem a sua fábrica e laboratório em Santa Barbara do Oeste, na Região Metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo. “Desenvolvemos um composto biológico que faz um pré-tratamento do mosto para estimular a levedura a priorizar reações intracelulares para a produção de etanol”, diz o CEO da Tecbio, Tiago Rino. O mosto é uma combinação do caldo que vem da cana mais o mel que é o subproduto da produção de açúcar.

Segundo Tiago, as empresas que compraram esta solução chegaram a apresentar um aumento, em média, de 7% a 8% na produção de etanol. “Tivemos uma usina de Pernambuco que registrou um aumento de 10% no volume do etanol sem aumentar os seus custos”, resumiu.

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