
O diretor do grupo Idea, Dib Nunes Júnior, afirmou que o setor sucroenergético pode produzir uma “amônia anidra”, considerada matéria-prima para o adubo nitrogenado, utilizando nitrogênio do ar e gás carbônico gerado na fermentação da cana-de-açúcar. Segundo ele, o setor enfrenta uma crise provocada por preços baixos, juros altos e falta de financiamento, mas possui estrutura industrial e agrícola suficiente para atravessar o momento e o etanol vai ser “a matéria-prima” para produtos verdes que acenam para o futuro.
O executivo fez a palestra de abertura do 27º Seminário Regional sobre Cana-de-Açúcar que começou nesta terça-feira (19) na sede da Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar (AFCP), na Imbiribeira, Zona Sul do Recife (PE). Ele abordou o tema Um overview sobre o setor sucroenergético do Brasil e suas novas tecnologias.
“No máximo em dois anos, o setor deve voltar a operar com margem positiva”, afirmou Dib. Ainda de acordo com o executivo, a amônia anidra – que pode ser usada como matéria-prima para fazer o fertilizante nitrogenado – poderia ser produzida pelo setor utilizando o nitrogênio do ar e o gás carbônico da fermentação da cana-de-açúcar. “Com isso, se faz um composto idêntico à amônia anidra”, disse Dib. O Brasil atualmente importa mais de 80% do fertilizante nitrogenado usado no País.
Em entrevista ao Movimento Econômico, ele argumentou que um dos produtos derivados do processo industrial do setor que vai aumentar o consumo é o biogás. “Existem várias usinas com pedido de financiamento no BNDES para fazer o biogás”, disse.
Além do biogás, o executivo destacou também que o setor sucroenergético possui novas frentes de negócios para o futuro como plástico biodegradável, isopor, entre outros. “E o mundo precisa de etanol, porque etanol é uma das matérias-primas mais baratas que para a substituição de produtos feitos a partir do combustível fóssil”, comentou o executivo.
Segundo Dib Nunes, os resíduos da vinhaça também podem substituir totalmente o potássio usado na cultura da cana-de-açúcar, servindo como fertilizantes.

Etanol de milho e o impacto no setor sucroenergético
Dib Nunes afirmou que, num primeiro momento, o etanol de milho pode ser ruim para o setor, porque se a oferta do produto for muito alta, pode derrubar os preços no curto prazo. Mesmo assim, ele avaliou a expansão da produção positiva, a longo prazo, porque fortalecerá o Brasil no mercado internacional de venda de etanol.
Há uma tendência, argumentou Dib, do aumento do consumo do etanol em navios, aviões, motocicletas e automóveis, além das exportações. Na opinião dele, isso tende a equilibrar o mercado no futuro. “Quando os outros países precisarem do etanol, vão comprar do Brasil”, destacou.
Dib Nunes afirmou que o setor precisa de mudanças nas políticas públicas, estabilidade jurídica e linhas de financiamento com juros menores para investir em novos produtos. Ele disse que o setor está estruturado, com indústria e lavoura equipadas, mas enfrenta dificuldades por causa dos juros elevados e dos preços baixos pagos atualmente pelo mercado.
De acordo com o diretor do grupo Idea, o açúcar deve recuperar (o preço) antes do etanol e o equilíbrio gradual entre consumo e exportação ajudará o setor a enfrentar a crise. “Nós estamos numa situação difícil de preço no momento, o mercado está pagando pouco. O etanol vai sofrer mais do que o açúcar, o açúcar vai se recuperar antes. E eu tenho certeza absoluta que com um pequeno estímulo o setor volta a crescer. O estímulo não precisa vir do governo, pode vir dos preços”, comentou.
O seminário vai acontecer até a quinta-feira (21) com várias palestras voltada. Ainda nesta terça-feira (19), também ocorreu a palestra Perspectivas e desafios na gestão de pessoas para as próximas safras, que teve como debatedoras a diretora de Meio Ambiente e E.S.G da Usina Cucaú, Cláudia Dantas; a gerente de RH da Usina São José, Camila Ramos de Barros e a diretora de RH e Marketing da Usina Petribú, Flávia Petribú Ribeiro.
Junto com a programação de debates, também ocorre uma exposição de empresas que fornecem desde novas tecnologias ao setor sucroalcooleiro até tradicionais fabricantes de equipamentos para o setor. “Temos que buscar inovações para conseguirmos sobreviver”, afirmou o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima.
Uma das empresas que estavam expondo no local foi a Tecbio, que tem a sua fábrica e laboratório em Santa Barbara do Oeste, na Região Metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo. “Desenvolvemos um composto biológico que faz um pré-tratamento do mosto para estimular a levedura a priorizar reações intracelulares para a produção de etanol”, diz o CEO da Tecbio, Tiago Rino. O mosto é uma combinação do caldo que vem da cana mais o mel que é o subproduto da produção de açúcar.
Segundo Tiago, as empresas que compraram esta solução chegaram a apresentar um aumento, em média, de 7% a 8% na produção de etanol. “Tivemos uma usina de Pernambuco que registrou um aumento de 10% no volume do etanol sem aumentar os seus custos”, resumiu.
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