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Bahia tem abate de jumentos proibido por decisão da Justiça Federal

De 1996 e 2025, o Brasil perdeu 94% de seu rebanho de asininos, que são os burros, bestas e jumentos
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jumentos risco extinção Nordeste China
A Bahia tem três abatedouros de jumentos em cidades diferentes. Foto: Proteção Animal Mundial/Reprodução

A Justiça Federal determinou a proibição do abate de jumentos em todo o estado da Bahia. A decisão foi assinada pela juíza Arali Maciel Duarte que indica a prática de maus-tratos na criação dos animais, indícios de práticas consideradas cruéis – no abate – e o risco de extinção da espécie.

A decisão judicial foi uma resposta a uma Ação Civil Pública impetrada por Organização de Proteção Animal. Na Bahia, o abate de jumentos é regulamentado desde 2016 pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e existem três abatedouros nas cidades de Amargosa, Itapetinga e Simões Filho. Os animais abatidos eram vendidos para a China.

As entidades de proteção animal passaram a questionar os problemas dos jumentos há alguns anos. Em agosto de 2025, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) emitiu uma recomendação oficial alertando sobre riscos ambientais, sanitários e de maus-tratos animais no abate e criação dos jumentos.

A procura por jumento aumentou depois que a China passou a comprar este tipo de animal. Da pele do jumento se extrai o ejiao, uma substância usada para fins medicinais naquele país.

Ejiao é um produto tradicional da medicina chinesa feito a partir da gelatina extraída da pele de jumentos. Após o processamento, essa substância é transformada em blocos, pós ou adicionada a alimentos e bebida.

Na prática, o ejiao é usado há séculos na Medicina Tradicional Chinesa e costuma ser associado a benefícios como melhora da circulação, combate à anemia, fortalecimento do sistema imunológico e efeitos anti-envelhecimento. Ele é frequentemente consumido dissolvido em água quente, sopas ou misturado a alimentos.

Nos últimos anos, o produto ganhou forte valorização na China, impulsionando uma indústria bilionária. Esse crescimento, porém, trouxe controvérsias: a demanda por peles de jumentos aumentou significativamente, gerando preocupações com impacto ambiental, bem-estar animal e comércio ilegal em diversos países.

Do ponto de vista científico, ainda há debate sobre a eficácia dos benefícios atribuídos ao ejiao. Alguns estudos sugerem possíveis propriedades, mas não há consenso robusto que comprove todos os efeitos divulgados.

Jumentos em Pernambuco

A população de jumentos diminuiu em Pernambuco nos últimos dois anos, segundo informações do Sistema de Integração Agropecuária (Siapec) que levantou um rebanho de asinino (jumentos) de 18.715 animais em 2024 contra 14.580 até março deste ano com uma redução de 22%.

“Não dá pra ter ideia porque houve esta diminuição. Começamos a cadastrar todos os tipos de animais pelo Siapec em 2023 na campanha de atualização cadastral. Em Pernambuco, não há abatedouros de jumentos nem de equinos”, comenta o fiscal agropecuário da Adagro Gustavo Lima. Ele diz que o único estado do Nordeste que tem abatedouros de jumentos é a Bahia.

A Frente Nacional de Defesa dos Jumentos divulgou, de 1996 e 2025, o Brasil perdeu 94% de seu rebanho de asininos, que são os burros, bestas e jumentos.

O jumento saindo de cena…

Associados a cenas cotidianas do Sertão do Nordeste, o jumento foi saindo deste cenário pelo menos desde 2016, de acordo com informações da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos. A Rima Cultural e a então REC Produtores fizeram um documentário Na Contramão com direção de Marcelo Pinheiro sobre a diminuição dos jumentos na área rural de cinco estados do Nordeste.

De 2018, o documentário mostrava uma equipe que percorreu mais de 6 mil quilômetros em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Bahia com o objetivo de registrar a diminuição do rebanho dos jumentos e até o abandono destes animais.

Nas entrevistas realizadas no interior, a equipe registrou mudanças recentes, que foram diminuindo o uso dos jumentos em algumas propriedades rurais, como o aumento da utilização das motocicletas no Sertão, a mecanização da agricultura, além da venda da pele destes animais para os chineses.

Leia também: Com casas de mel, apicultores de PI e AL ganham escala de produção

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