
Um vinho produzido no Agreste pernambucano, a 900 metros de altitude, vai ser degustado pelos passageiros da classe executiva de 215 voos internacionais que serão operados pela Azul Linhas Aéreas até 31 de dezembro. O rótulo “Alvorecer 2024”, elaborado pela Vinícola Mello, será oferecido em rotas com partidas de Campinas (SP) e Recife (PE) com destino a Orlando, Fort Lauderdale, Lisboa, Porto e Madri. A parceria foi comunicada nesta quinta-feira (4).
A expectativa da companhia é atender 6,7 mil passageiros com o vinho pernambucano durante o período da ação. A iniciativa integra a estratégia da Azul de incorporar produtos brasileiros à experiência de bordo em voos internacionais, que somaram mais de 435 mil passageiros ao longo de 2025.
De acordo com Tatiane Dolci, gerente geral de Experiência do Cliente da Azul, a inclusão do vinho da Vinícola Mello no serviço de bordo tem caráter estratégico: “Ao incluir um vinho pernambucano na nossa classe executiva, oferecemos uma experiência de bordo com um toque autêntico do Brasil”.
Kaká Mello, fundadora e CEO da vinícola, avalia que a parceria consolida uma trajetória iniciada em 2019: “A união com os voos internacionais da Azul representa bem mais que uma parceria: é a confirmação de que toda a caminhada valeu a pena”.
Produção de altitude e estrutura de enoturismo
O “Alvorecer 2024” é um Malbec de clima serrano, elaborado com uvas cultivadas no município de Garanhuns (PE), em área de altitude com baixa amplitude térmica. A Vinícola Mello trabalha com vinhedos próprios e adota práticas de manejo manual e vinificação de mínima intervenção. O rótulo integra a linha premium da vinícola, com foco na produção limitada e na identidade regional do Agreste pernambucano.
A empresa também desenvolve uma frente estruturada de enoturismo em Pernambuco, por meio do Tour Mello, roteiro que integra visita guiada aos vinhedos, degustações técnicas e acesso ao processo produtivo. A experiência é realizada no próprio vinhedo, com estrutura planejada para receber grupos reduzidos, mediante agendamento. O formato contribui para ampliar a presença da marca junto ao consumidor final e insere Garanhuns no circuito de turismo de experiência no interior do estado.
Nordeste amplia fronteiras da produção de vinho
O projeto se insere em um movimento de diversificação da produção vitivinícola do Nordeste. Atualmente, a maior parte da produção regional está concentrada no Vale do São Francisco, responsável por mais de 90% das uvas finas cultivadas na região, segundo a Embrapa Semiárido. No entanto, novas iniciativas no Agreste de Pernambuco, como a da Vinícola Mello, vêm ampliando o mapa da vitivinicultura nordestina, com foco na diferenciação de origem e no mercado de nicho.
Além de abastecer o mercado local, vinícolas do Agreste têm adotado estratégias voltadas à exportação de vinhos autorais e à atração de visitantes, com impacto direto em cadeias vinculadas à agricultura familiar, turismo rural, capacitação técnica e à consolidação de uma identidade produtiva própria no interior de Pernambuco.
Esse movimento reforça a presença da região no cenário nacional da vitivinicultura e aponta caminhos para sua integração em mercados internacionais por meio de canais como o enoturismo, a gastronomia regional e parcerias comerciais como a estabelecida com a Azul Linhas Aéreas.
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