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Cariri cearense busca selo de origem para algodão de fibra longa

O algodão de fibra longa se desenvolveu bem no cariri cearense, comparando com a mesma espécie cultivada em outras regiões
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O algodão de fibra longa desenvolvido pela Embrapa se deu bem no Cariri cearense. Foto: Senai-CE/Divulgação

Os produtores de algodão de fibra longa do Cariri cearense iniciaram um processo para obter o selo de denominação de origem geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). A região já tem, pelo menos, 13 produtores espalhados por cinco cidades, mas estudos mostram que a cultura pode se expandir em até 21 cidades daquele território que apresentam as mesmas características.

“Constatamos que o algodão de fibra longa tem um diferencial do ambiente quando é cultivado no Cariri cearense. Há uma influência da luz, da água e da terra no produto”, explica a consultora do Senai-CE, Ronara Marques. Segundo ela, o algodão de fibra longa cultivado na região apresenta uma resistência e durabilidade maiores, quando comparado com o produzido em outras localidades.

O tesoureiro da Associação dos Produtores Rurais do Cariri cearense (Apace), Cícero Antonio Gonçalves, explica que o algodão deste tipo cultivado na região apresenta um maior teor de fibra e é uma cultura viável economicamente para o Cariri. A região se localiza numa grande chapada, tem chuvas com regularidade, mas ocorre também “veranicos”, períodos que variam de 10 a 15 dias sem qualquer precipitação pluviométrica. “Mesmo com esse tempo de estiagem, o algodão não se perde”, conta Cícero.

Ele acredita que o selo de origem geográfica vai valorizar a produção do algodão do cariri, trazendo mais equilíbrio para toda a cadeia produtiva, porque o preço do produto vai ser mais valorizado. O selo também poderá fazer o produto chegar a novos mercados, sendo mais aceito para exportações.

O algodão também é economicamente viável, segundo Cícero, porque os produtores vendem também o caroço da planta para fábricas de óleo. “O caroço também pode ser dado in natura ao gado. O queijo parmesão do Exu é feito com a produção de leite do gado que come caroço de algodão e o leite produzido por estes animais apresenta maior teor de gordura, resultando num queijo de melhor qualidade”, afirma Cícero.

De acordo com a Apace, o algodão de fibra longa é cultivado em 500 hectares do Cariri cearense e a expectativa é de que chegue a 1 mil hectares na próxima colheita. A quantidade de hectares plantados varia muito em função das chuvas. “Até agora, o plantio do algodão ocorre somente em área de sequeiro – que depende das chuvas -. No entanto, alguns produtores estão se organizando para plantar com irrigação”, comenta Cícero.

No Cariri cearense, os municípios que cultivam o algodão de fibra longa são Barbalha, Missão Velha, Buriti e Brejo Santo, segundo informações do Senai-CE.

A colheita da planta ocorre de forma mecanizada. No ano passado, os produtores colheram 1 milhão de quilos de algodão de fibra longa.

Plantio de algodão de fibra longa no Cariri cearense. Foto: Apace/Divulgação

O algodão e o Nordeste

O algodão já foi cultivado em vários estados do Nordeste em larga escala, pelo menos, desde 1760. A região teve o ciclo do algodão, onde o cultivo da planta era uma das principais atividades econômicas. A partir dos anos 70, a cultura foi perdendo espaço no Nordeste até ser totalmente dizimada pela praga do bicudo nos anos 80/90 do século passado.

No Cariri cearense, o algodão voltou a ser cultivado em 2018 numa área de 30 hectares. Desde então, a cultura vem se expandindo, mas apresenta redução em anos que os produtores percebem que as chuvas vão ser menores do que a média da região.

O algodão de fibra longa cultivado na região são o BRS-433 e o BRS-700, ambos foram desenvolvidos pela Embrapa Algodão, que fica no Ceará, mas também contou com a participação de pesquisadores de outras regiões.

Os estudos para obter o selo de denominação de origem foram iniciados e estão sendo conduzidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Ceará (Senai-CE) e Associação dos Produtores Rurais do Cariri Cearense (Apace), que vai fazer a representação junto ao INPI. A intenção é entregar o pedido ao INPI no começo de 2026.

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