
Uma nova frente de industrialização com base florestal está em curso no interior do Maranhão, com a estruturação de uma cadeia produtiva em torno do babaçu. Com apoio do Sebrae, a startup Apoena instalou uma unidade de processamento no município de Coroatá (MA), com capacidade para aproveitar integralmente o fruto — até então explorado apenas pela extração manual da amêndoa.
A mudança no modelo de comercialização, com a compra do fruto inteiro, ampliou a renda de quebradeiras de coco e famílias fornecedoras, que passaram a vender o produto bruto diretamente à indústria, sem a necessidade da quebra manual. Desde 2019, a planta localizada no povoado Centro do Chico já recebeu mais de 268 toneladas de matéria-prima.
Indústria transforma o babaçu em novos insumos com valor de mercado
Segundo a empresa, o aproveitamento integral do fruto permitiu aumentar significativamente o valor agregado da cadeia, reduzindo perdas e criando novos canais de mercado. Antes, apenas cerca de 6% do volume do babaçu era aproveitado economicamente — correspondente à amêndoa.
Hoje, o epicarpo (casca externa) é utilizado na produção de carvão ativado; o mesocarpo (parte fibrosa intermediária) é transformado em fertilizante natural; e o endocarpo (casca interna rígida que envolve a amêndoa) é destinado à fabricação de biocombustíveis sólidos, como briquetes. “O que antes era resíduo agora é matéria-prima com valor econômico e social”, afirma a fundadora da Apoena, Márcia Werle.
A operação emprega atualmente dez pessoas de forma direta e mantém uma rede de 32 famílias fornecedoras. O portfólio inclui óleo extravirgem, bebidas vegetais e bioativos com aplicação energética, além de produtos em desenvolvimento para uso industrial.
Cadeia local ganha valor e fortalece economia rural
O município de Coroatá está inserido na região dos cocais, onde se concentra uma das maiores áreas contínuas de babaçu nativo do país. De acordo com a Embrapa, o Maranhão possui cerca de 8 milhões de hectares de coqueiros, sendo o estado com maior contingente de pessoas envolvidas no extrativismo do fruto.
Segundo a secretária municipal de Indústria e Comércio, Jaciara Póvoa de Sousa, a instalação da indústria representa uma nova etapa no fortalecimento da economia local. “Esses produtos vão gerar renda e desenvolvimento para a cidade, com impacto na base produtiva e no comércio”, afirmou.
Bioativos e combustíveis renováveis ampliam potencial da cadeia
Entre os produtos com maior expectativa de expansão está um bioativo obtido a partir da amêndoa, com aplicação em motores agrícolas e industriais. A empresa realiza testes com produtores e estima que o insumo possa reduzir em até 15% o consumo de diesel em determinadas operações. A Apoena foi uma das iniciativas selecionadas para participar da programação da COP30, que acontecerá entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém do Pará.
A cadeia do babaçu depende da preservação dos territórios de coleta, já que o fornecimento da matéria-prima está vinculado ao extrativismo não predatório. O modelo exige, portanto, manutenção da floresta e uso sustentável da biodiversidade.
*Com informações da Agência Sebrae
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