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Alagoas inicia estudos para desenvolver cadeia produtiva do café

Café vem sendo cultivado em algumas regiões do estado e articulação quer ampliar produção em Alagoas
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Colheita de café
Estudos de viabilidade e visitas técnicas a produtores de outros estados vão auxiliar no processo de criação de cadeia produtiva do café em Alagoas. Foto: Divulgação

O cultivo de café começa a se consolidar como nova fronteira do agronegócio em Alagoas. O Sistema Faeal/Senar Alagoas e a Embrapa Alimentos e Territórios vão iniciar estudos de viabilidade técnica para desenvolvimento de uma cadeia produtiva do grão no estado.

Atualmente, Alagoas possui alguns produtores de café no município de União dos Palmares, além de uma empresa especializada em torrefação artesanal, mas que utiliza grãos de outros estados, a Damásio Café, no município de Mar Vermelho.

Outro grande projeto que está para ser iniciado é o experimento coordenado pela Cooperativa Pindorama, que vai iniciar o plantio de café do tipo conilon em 10 hectares entre os municípios de Penedo e Coruripe.

Segundo a superintendente adjunta do Senar, Luana Torres, a Embrapa Alimentos e Territórios já visitou o município de União dos Palmares para conhecer a produção local e agora vai somar esforços para desenvolver estudos de viabilidade técnica visando a estruturação de uma futura cadeia produtiva do café em Alagoas.

“O Sistema Faeal/Senar está sempre atento às sinalizações do mercado agropecuário. Foi assim que incluímos novas cadeias em nosso portfólio, como a cultura do eucalipto, a equideocultura e, mais recentemente, a maricultura. O café já está sendo cultivado em outros estados nordestinos e, aqui em Alagoas, temos a região serrana com clima propício para essa produção”, avaliou Luana Torres.

Ela informou ainda que o Senar quer promover estudos específicos na região que compreende os municípios de Viçosa, Mar Vermelho, Pindoba e Quebrangulo, para analisar quais variedades de café se adaptam à região e podem ser cultivadas em escala.

“Queremos trazer um especialista em café para treinar nossos técnicos e, a médio prazo, lançar essa URT [Unidade de Referência Técnica] para ver como o café se comporta nessa região com clima mais frio. Neste momento, o Senar também estuda indicadores para verificar que tipo de café é mais efetivo em Alagoas, as perspectivas de mercado e testar o plantio em outras regiões mais quentes para observar como as espécies se comportam e qual se adapta melhor ao clima alagoano”, completou.

Reunião entre representantes da Embrapa e Senar começou a debater cadeia produtiva do café em Alagoas
Superintendente do Senar, Luana Torres (esquerda) debateu cadeia produtiva do café com a analista de inovação da Embrapa Alimentos e Territórios, Renata Silva. Foto: Assessoria

Para a Embrapa, o momento é de promover a troca de experiências e incentivar futuros interessados em iniciar o cultivo local, a partir de variedades já testadas. “Cultivares como o arábica e o conilon já são produzidos em estados vizinhos a Alagoas, e nossa intenção é promover uma missão técnica para conhecer essas experiências com o intuito de começar essa produção de forma organizada, com apoio de pesquisadores e técnicos de campo. Por isso, essa primeira reunião da Embrapa aqui no Senar”, informou a analista de inovação da Embrapa Alimentos e Territórios, Renata Silva.

Os próximos passos incluem visitas técnicas a produtores nordestinos que já atuam na cafeicultura, para troca de experiências e benchmarking. Nessa etapa, outros parceiros devem integrar a missão, como o Sebrae e entidades públicas como o governo e universidades.

Pindorama testa plantio de café no Litoral Sul

Já no Litoral Sul de Alagoas, a Cooperativa Pindorama vai iniciar o plantio de cerca de 10 hectares de café da espécie conilon em terras da cooperativa, localizadas entre os municípios de Coruripe e Penedo. Em março, foi realizada uma capacitação entre integrantes do grupo alagoano para aprofundar os conhecimentos sobre a espécie conilon.

O responsável pela capacitação inicial foi o pesquisador de café do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Paulo Sérgio Volp, que falou sobre as possibilidades de cultivo no Litoral Sul de Alagoas. Ele explicou que o clima e tipo de solo na região são propícios para o cultivo da linhagem conilon.

“Na ocasião, o Volp expôs sobre escolha de área, necessidade hídrica, sistema de irrigação, adubação e calagem, prevenção e cuidados contra pragas e doenças, manutenção do cultivo, avaliação de qualidade e outros detalhes que precisamos observar para que a cultura tenha êxito”, explicou o presidente da Cooperativa Pindorama, Klécio Santos.

O projeto da Pindorama deve servir como uma das primeiras referências práticas do cultivo do café em Alagoas, especialmente em regiões de clima quente como o Litoral Sul.

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