
O Grupo Fornecedora anunciou a instalação de uma unidade própria em Caruaru (PE) com início das operações previsto para o primeiro semestre de 2026. A base fará parte da estratégia de ampliação regional da companhia, que também contempla a reestruturação de operações no Piauí e a expansão em Mossoró (RN). A confirmação foi feita por Pablo Ribeiro, COO — sigla em inglês para Chief Operating Officer – responsável pela execução das estratégias da companhia cearense que faturou R$ 900 milhões em 2024 e emprega mais de mil colaboradores. As previsões de investimentos, estimadas em R$ 75 milhões para 2025, estão mantidas mesmo com a mudança de cenário provocada pelo tarifaço do presidente Donald Trump.
A nova unidade pernambucana será voltada à comercialização de máquinas agrícolas, empilhadeiras e equipamentos para construção, além de serviços associados. Atualmente, a empresa já opera no estado com uma estrutura em Jaboatão dos Guararapes, mas segundo o executivo, Caruaru oferece localização estratégica, com raio de alcance de 150 quilômetros em relação aos principais polos agroindustriais do estado.
“Nós já iniciamos as vendas de tratores na região e agora precisamos de uma base própria. A operação funciona hoje em um imóvel alugado, mas vamos avançar com uma casa nossa para atender melhor todo o setor produtivo”, explicou Pablo Leão Ribeiro, durante evento de celebração dos 70 anos do grupo, realizado em Fortaleza, com presença do Movimento Econômico.
Grupo acelera expansão com foco no interior nordestino
O projeto em Caruaru integra um conjunto de iniciativas regionais da Fornecedora. No Piauí, a empresa irá reposicionar sua unidade da cidade de Bom Jesus para Uruçuí, como forma de consolidar sua atuação no Matopiba. “O reposicionamento da nossa unidade lá de Bom Jesus para Uruçuí está dentro do nosso pipeline de ações estratégicas para consolidar ainda mais a atuação do Grupo Fornecedora nessa região”, disse Pablo Leão Ribeiro. A unidade de Bom Jesus deve ser mantida para atendimento a outros segmentos do grupo, como construção e caminhões.
No Rio Grande do Norte, a empresa opera atualmente com duas unidades em Mossoró: uma especializada no setor agro e outra em caminhões. A cidade concentra atividades agroindustriais e abriga a cadeia de fruticultura irrigada, além de eventos como a Expofruit, onde a Fornecedora participa como expositora. A empresa também planeja retomar a operação com máquinas de construção, presente na cidade nas décadas anteriores.
“O Rio Grande do Norte tem o cultivo de frutas, os salineiros, a mineração e investimentos em infraestrutura como saneamento e pavimentação. Existe a possibilidade de cross-selling entre as empresas do grupo e os diversos setores presentes no estado”, afirmou o executivo. Segundo ele, o mercado potiguar é estratégico tanto pela diversidade econômica quanto pelo avanço na geração de energia eólica e solar.

Conjuntura internacional e cenário de investimentos
O COO explicou que, embora a Fornecedora não tenha negócios diretos com os EUA, seus fabricantes parceiros, como Case, New Holland e DAF Caminhões, mantêm cadeias produtivas integradas ao mercado norte-americano.
“Nossos fabricantes que nos atendem para o mercado interno também exportam para os Estados Unidos. Isso vai fazer com que no primeiro momento exista uma maior oferta de alguns produtos para o mercado local. Isso pode fazer com que os preços de alguns produtos que nós vendemos ao mercado tenham uma diminuição. Isso é um impacto positivo”, afirmou.
Pablo Leão Ribeiro também reforçou que, apesar das incertezas com o aumento de tarifas por parte de Donald Trump — possível retorno à presidência dos Estados Unidos —, o grupo mantém sua agenda de expansão. Segundo ele, o momento exige sabedoria na reorganização das relações comerciais e atenção ao reposicionamento geopolítico.
“Quando o tabuleiro do jogo é jogado para cima, a gente tem que organizar as peças de uma maneira sábia. Eu espero que o governo brasileiro consiga fazer essa manobra para que reconstitua as relações com os outros stakeholders e que a economia não só do Brasil, mas a do Ceará e do Nordeste, saia fortalecida desse momento de incerteza.”
Na outra ponta do cenário internacional, o Grupo Fornecedora reforçou a aproximação com o mercado chinês. “Essa realidade mudou, por exemplo, com os painéis solares que antigamente eram só alemães e hoje são chineses. Com os carros também, que antes eram de fabricação de outros países e hoje já se tem produtos chineses com qualidade no Brasil. Ou seja, é melhor entender como os chineses pensam e atuam para estar próximos a eles também”, afirmou o executivo, ao destacar que os planos com a marca Zoomlion seguem ativos.
Grupo cearense projeta R$ 75 milhões em aportes em 2025
Fundado no Ceará, o Grupo Fornecedora reúne sete empresas com atuação nos segmentos de máquinas e equipamentos, caminhões, logística, engenharia e pavimentação. Em 2024, comercializou 1.750 máquinas e caminhões e registrou R$ 100 milhões em receita de pós-venda. Para 2025, a previsão é investir R$ 75 milhões, com foco majoritário no Nordeste, onde a empresa já está presente nos nove estados da região. Além da atuação nordestina, o grupo também mantém operações no Sudeste, com presença em São Paulo e Espírito Santo.

Essência familiar e missão institucional mantêm protagonismo
O Grupo Fornecedora é conduzido pela família Ribeiro, com o comando do CEO André Leão Ribeiro, responsável pela liderança estratégica da holding, e de Pablo Leão Ribeiro, o COO encarregado da execução das operações. A trajetória empresarial teve início com João Arruda Ribeiro, o Joãozito Arruda, fundador do grupo em 1955 e pai de Nertan Ribeiro, que hoje atua no conselho da companhia e participou da celebração pelos 70 anos da empresa, realizada em Fortaleza, no último sábado. O evento reuniu parceiros, fornecedores e colaboradores.
Pablo Leão Ribeiro destacou que a empresa não busca apenas crescimento financeiro. “Para nós, a nossa essência da família Ribeiro, que conduz o Grupo Fornecedora, é conseguir, sim, atender os nossos clientes com as melhores soluções, fazer a diferença para o nosso cliente interno, que são os nossos colaboradores, impactar de forma positiva a sociedade”, disse. “Não importa só crescer por crescer, ter rentabilidade ou o que for”, acrescentou. Ele citou como exemplo o projeto de construção de uma creche em Itaitinga (CE), financiado pela empresa sem participação do setor público.
Leia mais: Empresa cearense anuncia que vai produzir tâmaras no Piauí








