Projeto capacita 600 especialistas para agricultura de baixo carbono na Caatinga

Compartilhe:

Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no facebook
Compartilhar no email

Único bioma exclusivo do Brasil, ganha reforço para convivência sustentável com o semiárido do Nordeste

Por Lara Barsi – Agência Nossa

Mesmo sem o devido reconhecimento, a Caatinga tem provado que possui potencial de sobra para a agricultura, e, principalmente, para o cultivo sustentável. O Programa de Capacitação em Tecnologias Agrícolas de Baixo Carbono (TecABC), do Projeto Rural Sustentável Caatinga (PRS Caatinga), está na última etapa da formação de 600 especialistas para a produção rural de baixo carbono no semiárido, ensinando estratégias de movimentação reduzida do solo e substituição de insumos.

Agricultura de Baxio Carbono aproveitará o potencial da Caatinga – Foto: Ecrisol/Pixabay

O projeto passou a promover uma agenda climática na Caatinga, fortalecendo o capital social local e as estratégias para a convivência com o semiárido. Os profissionais formados, pequenos e médios produtores associados a cooperativas produtivas no Nordeste, também têm um compromisso com a expansão da rede de conhecimento, e, a partir do ano que vem, vão apoiar organizações locais na implementação de Arranjos Produtivos Sustentáveis.

Segundo o último censo, há 4,4 milhões de unidades familiares produtoras de alimentos de subsistência. Mais da metade disso está na Caatinga. o projeto é executado pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e tem como beneficiário o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

“Então, na verdade, a Caatinga é a região que mais produz alimentos no Brasil para a população do Nordeste, que é um quarto da população brasileira. E é nesse espaço que você pode produzir alimentos de uma maneira sustentável e de baixo carbono”, afirma o diretor do PRS Caatinga, Pedro Leitão.

O grande diferencial do cultivo tradicional para o cultivo que o projeto visa expandir é a medição das emissões de carbono que se joga ao ambiente. “Uma agricultura de baixa emissão de carbono é uma agricultura que emita o mínimo possível de carbono e adapte o máximo possível as espécies às mudanças que já estão aí. E como é que você vai saber isso? Medindo. Então a grande diferença da agricultura tradicional é quanto se emite carbono, quanto se adapta às mudanças climáticas. A agricultura tradicional não mede nada. Já a sustentável mede”.

A iniciativa do Projeto Rural Sustentável Caatinga tem como principais objetivos promover a adoção das tecnologias agrícolas de baixa emissão de carbono, utilizando-se técnicas de melhora da qualidade dos produtos de alimentação animal e dos dejetos gerados por eles, atuações que diminuem a emissão de carbono; mitigar as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE); combater a pobreza e aumentar a renda de pequenos e médios agricultores. Mas apesar de ainda estar atuando pontualmente, Pedro Leitão crê que o principal bioma nordestino tem capacidade de contribuir para muitas outras discussões ambientais.

“Acha-se que a Caatinga não tem possibilidade de contribuir para as agendas ambientais globais, como biodiversidade, como clima, etc, e isso não é verdade. A Caatinga tem um potencial não tão significativo, não tão expressivo quanto a Amazônia, porque os tempos da natureza são diferentes, são mais lentos, porém ela contribui tanto quanto esses outros biomas com indicadores positivos para a implementação das convenções ambientais globais no Brasil”.

Financiado pelo Fundo Internacional para o Clima do Governo do Reino Unido em cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o projeto, que começou em 2020, pretende levar instrução a agricultores de 37 municípios em cinco estados – Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí e Sergipe. 

Além da Caatinga

Mas não é só o povo da Caatinga que precisa aprender. Na região, muito conhecimento também é produzido pela sociedade local. Leitão diz que, hoje, o bioma é um laboratório para outros ecossistemas que no futuro podem se tornar semiáridos por conta das mudanças climáticas.

“É fato que a sociedade local tem uma capacidade, uma criatividade enorme, de inventar soluções que facilitem a convivência deles no semiárido. Um dos nossos estudos identificou mais de 120 tecnologias chamadas sociais, que tem a ver com água e com energia, principalmente. Então esse aprendizado de conviver com a semiaridez, com aridez, com o deserto, fez com que a população local desenvolvesse soluções incríveis e extremamente criativas para armazenamento de água, por exemplo”, relatou o diretor do PRS Caatinga.

Por meio da parceria com a Univasf foi oferecido o curso de especialização “Tecnologias de Baixa Emissão de Carbono: Fortalecendo a Convivência com o Semiárido” para os primeiros 600 alunos. Agora o curso se torna uma oferta permanente da universidade, entrando em sua grade curricular e permitindo a qualificação continuada em TecABC na Caatinga. 

De acordo com a Pró-Reitora de Extensão da Univasf, professora Lúcia Marisy, a preocupação foi estabelecer uma metodologia que contemplasse teoria e prática. Mercado, produção, organização, reuso de água, tecnologia de baixo carbono, Arranjos Produtivos Locais (APLs), financiamentos, entre outros temas, estão no roteiro das aulas.

“A partir de 2022 todos os alunos estarão aptos para o ingresso no mercado de Agricultura de Baixo Carbono. Um legado mais do que fundamental para a sociedade que precisa manter os níveis controlados de carbono. A inclusão das Tecnologias de Baixo Carbono no currículo do curso de Mestrado Profissional e Extensão Rural já é uma realidade. Reconhecemos a importância da formação dos nossos extensionistas nessa habilidade, com impacto significativo junto aos agricultores familiares e sobretudo em prol da preservação do planeta”, enfatizou Lúcia.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email

Mais Notícias