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Competitividade: Paraíba e Recife lideram no Nordeste, segundo CLP

Ranking 2025 do Centro de Liderança Pública confirma Paraíba como estado de maior competitividade na região e Recife como capital de referência, mas mostra também avanços no RN e em SE, além de cidades como Goiana (PE) e Sobral (CE)
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Centro Histórico de João Pessoa competitividade
João Pessoa, capital da Paraíba, estado que apresenta avanços consistentes em segurança pública e infraestrutura, pilares que sustentam a posição à frente dos demais nordestinos no ranking de competitividade. Foto: ClickPB

A Paraíba manteve em 2025 a liderança regional no Ranking de Competitividade dos Estados, em 11º lugar nacional, segundo o Centro de Liderança Pública (CLP). No recorte municipal, Recife (PE) continua como a capital mais bem avaliada do Nordeste, ocupando a 61ª posição entre 418 cidades, mesmo após recuar oito colocações em relação a 2024. Esses dois resultados refletem a dualidade que os relatórios expõem com clareza: a existência de dois Nordestes — um que se insere cada vez mais na agenda da competitividade nacional e outro que permanece retido em déficits estruturais.

Os relatórios de 2025, divulgados nesta quarta-feira (27), consolidam a leitura de que o Nordeste se divide em dois movimentos distintos. De um lado, estados como Paraíba, Sergipe, Ceará e Rio Grande do Norte, junto a municípios como Recife, Sobral, Eusébio, Goiana, Araripina e Fortaleza, demonstram capacidade de competir nacionalmente. Do outro, Bahia, Piauí, Alagoas e Maranhão, além de municípios como Bayeux e Valença, permanecem entre as últimas posições, reproduzindo déficits históricos.

A dinâmica dos dois Nordestes mostra que parte da região já se aproxima dos padrões de competitividade do Sul e Sudeste, enquanto outra permanece distante, presa a gargalos sociais e estruturais. O desafio está em reduzir esse fosso interno e transformar avanços localizados em políticas de alcance mais amplo, capazes de elevar de forma homogênea a competitividade de todo o Nordeste.

Ranking CLP 2025 - Estados do Nordeste (Tabla)

Sergipe e Rio Grande Norte avançam no ranking

A Paraíba se consolidou na 11ª colocação pelo segundo ano consecutivo. O desempenho resulta de avanços consistentes em segurança pública e infraestrutura, pilares que sustentam a posição à frente dos demais nordestinos. Para o governador João Azevêdo, a permanência nesse patamar “confirma que estamos no rumo certo, com avanços em segurança pública, infraestrutura e gestão fiscal, essenciais para atrair investimentos e gerar oportunidades”. A fala reforça o perfil do primeiro Nordeste, capaz de atrair capital e manter políticas de gestão mais sólidas.

Logo em seguida está o Sergipe, em 12º lugar, consolidando-se como o segundo estado mais competitivo da região. A melhoria reflete não apenas investimentos em infraestrutura, mas também resultados no mercado de trabalho. O governador Fábio Mitidieri destacou que a redução do desemprego e a ampliação da renda média “mostram que Sergipe caminha para um estado mais competitivo, justo e próspero”.

O Ceará, em 14º lugar, manteve-se estável no grupo intermediário-alto do ranking. O estado é referência histórica em políticas de educação e inovação, e a manutenção nessa faixa mostra a consistência de estratégias que já haviam projetado o Ceará entre os mais competitivos do Nordeste.

O Rio Grande do Norte foi o que mais cresceu: avançou oito colocações e alcançou a 16ª posição nacional. Os ganhos vieram de melhorias em sustentabilidade ambiental, eficiência da máquina pública e segurança pública, mostrando como políticas setoriais podem alterar rapidamente o desempenho. Esse movimento reforça o primeiro Nordeste, que amplia sua inserção competitiva.

Grandes estados, baixas pontuações

Na faixa inferior do ranking aparecem Pernambuco (19º), Alagoas (20º), Piauí (21º) e Bahia (22º). Pernambuco mostra um contraste: embora Recife lidere entre as capitais, o estado não consegue refletir esse protagonismo em sua posição geral. Alagoas e Piauí permanecem em situação de limiar, sem conseguir transformar ganhos pontuais em avanços estruturais. Já a Bahia exemplifica a heterogeneidade regional: enquanto Salvador figura entre as primeiras em instituições, o estado como um todo segue na parte baixa da tabela.

Na última posição entre os nordestinos está o Maranhão, em 23º lugar nacional. O estado repete sua presença no bloco final, com déficits persistentes em praticamente todos os pilares. É o retrato mais evidente do segundo Nordeste, preso a problemas históricos que limitam sua capacidade de competir.

Esse mapa deixa nítida a divisão interna: de um lado, Paraíba, Sergipe, Ceará e Rio Grande do Norte, entre a 11ª e a 16ª posição; de outro, Pernambuco, Alagoas, Piauí, Bahia e Maranhão, distribuídos entre o 19º e o 23º lugar.

Ranking CLP 2025 - Capitais e cidades do Nordeste (Tabla)

Capitais nordestinas entre avanços e limitações

No recorte das capitais, os resultados também confirmam a existência de dois Nordestes. Recife, em 61º lugar, é a mais competitiva da região, mas a queda de oito posições mostra dificuldades em sustentar avanços contínuos.

Salvador aparece como destaque em instituições, especialmente em sustentabilidade fiscal, mas esse desempenho não se converte em maior competitividade estadual, com a Bahia permanecendo no bloco final.

Fortaleza, em 97º lugar, entrou no grupo das 100 cidades mais competitivas do país, reforçando o papel do Ceará como estado com múltiplos polos. O fato de apenas três capitais nordestinas figurarem entre as 100 primeiras confirma o fosso interno que ainda separa grande parte das grandes cidades da região.

Recife ranking competitividade
O Recife perdeu posições no ranking de competividade e agora ocupa o 61º lugar, mas segue como a capital de referência no Nordeste. Foto: Divulgação

Cidades médias ampliam o protagonismo

Nos municípios, a mesma divisão se repete. Recife, em 61º lugar, segue como a capital de referência, mesmo em queda. Mas o movimento mais relevante está nas cidades médias, que ampliam o espaço do primeiro Nordeste no ranking.

Sobral (CE) foi uma das maiores surpresas de 2025, subindo 85 posições até a 76ª colocação geral. A trajetória reflete investimentos continuados em educação e gestão pública.

Ainda no Ceará, Eusébio entrou no top 5 nacional em acesso à educação, sendo o único município nordestino nesse grupo, consolidando a vocação do estado para o capital humano.

Em Pernambuco, dois avanços reforçam a competitividade do interior. Goiana conquistou a 2ª posição nacional em acesso à saúde, destacando-se pela cobertura da atenção primária. Já Araripina subiu 90 posições, entre os maiores crescimentos do país. Também no Ceará, Fortaleza entrou no grupo das 100 cidades mais competitivas, em 97º lugar, fortalecendo o papel das capitais em puxar a região.

Enquanto alguns municípios despontam, outros permanecem em condições críticas. Bayeux (PB) e Valença (BA) estão entre os piores do país em qualidade da saúde, confirmando que parte do Nordeste continua presa a deficiências básicas. Essa mesma desigualdade aparece em saneamento e infraestrutura urbana, pilares em que a maioria das cidades da região ainda se encontra abaixo da média nacional.

Como a pesquisa é feita

Estados (CLP 2025) — O ranking estadual avalia 27 UFs com 100 indicadores organizados em 10 pilares (como segurança pública, educação, infraestrutura, solidez fiscal, inovação), usando bases públicas oficiais e séries atualizadas. A construção envolve tratamento dos dados e ponderação de indicadores e pilares antes da composição da nota final por estado. Desde 2011, o estudo é produzido pelo CLP com suporte técnico especializado e atualização anual.

Municípios (CLP 2025) — O recorte inclui 418 cidades (população > 80 mil). A metodologia combina 65 indicadores distribuídos em 13 pilares e 3 dimensões (Instituições, Sociedade e Economia). Os dados passam por tratamento e normalização, seguidos de ponderação de indicadores, pilares e dimensões para formar as notas. A plataforma oficial permite consulta por pilar e comparação regional/nacional. Resultados são comparativos entre os municípios avaliados e refletem a fotografia mais recente disponível nas bases.

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