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PNAD: Brasil tem avanço em coleta e energia, mas falha em moradia

Mesmo com alta cobertura de energia e avanço na coleta, Brasil ainda tem 4,7 milhões de lares que queimam lixo, metade sem rede de esgoto e 17,8 milhões de imóveis alugados, segundo o IBGE
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Segundo levantamento do IBGE,do total de domicílios do Brasil em 2024, 89,3% (69 milhões) possuem paredes externas de alvenaria/taipa com revestimento. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil avançou em cobertura de coleta de lixo e distribuição de energia elétrica em 2024, mas ainda apresenta deficiências estruturais no saneamento e na moradia, especialmente em áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste. Os dados são da PNAD Contínua: Características Gerais dos Domicílios e Moradores, divulgada nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A coleta de lixo regular — direta ou por caçamba — atinge 93,1% dos domicílios, o maior nível da série histórica. A coleta direta, em especial, cresceu de 82,7% em 2016 para 86,9% em 2024. Mesmo assim, 4,7 milhões de moradias ainda queimam lixo, prática irregular concentrada no Nordeste (13,1%) e no Norte (14,4%), que somam 3,5 milhões de lares nessa condição.

“É um dado ainda preocupante, que acarreta aumento de poluição e mesmo insalubridade para a zona rural, pois o lixo precisa ficar acumulado de alguma forma até que seja queimado”, avalia o analista da pesquisa, William Kratochwill.

Esgotamento sanitário segue concentrado nas áreas urbanas

O acesso à rede geral de esgoto ou fossa ligada à rede cobre 70,4% dos domicílios do país, com disparidade entre áreas urbanas (78,1%) e rurais (9,4%). No Norte, a proporção de domicílios com outro tipo de esgotamento (fossa rudimentar, vala ou escoamento direto) chega a 36,4% — a maior do país — superando o número de lares conectados à rede pública (24,7%). No Nordeste, 25,1% dos lares ainda usam formas irregulares de escoamento, o que representa cinco milhões de domicílios.

“Criar essa estrutura é moroso e caro, então a zona rural, por ser afastada e dispersa, torna a implantação mais complexa. Essa é uma justificativa para a zona rural ter essa carência no acesso tanto à rede geral de esgoto quanto de água”, explica William.

Abastecimento de água melhora, mas desigualdades persistem

Em 2024, 86,3% dos domicílios brasileiros têm acesso à rede geral de água, com maior cobertura no Sudeste (92,5%) e menor no Norte (61,7%). Nas áreas rurais, apenas 31,7% dos lares são abastecidos por rede geral, enquanto o restante recorre a poços (rasos e artesianos), fontes, caminhão-pipa ou rios.

No Nordeste, 5,2% dos domicílios utilizam outra forma de abastecimento — o maior percentual entre as grandes regiões, acima da média nacional (1,7%).

Energia elétrica tem cobertura quase universal

O acesso à energia elétrica chegou a 99,8% dos domicílios brasileiros, seja por rede geral (99,3%) ou fontes alternativas. A disponibilidade em tempo integral alcança 98,4%. O percentual é mais baixo no Norte rural (85,2%) via rede — o que revela a importância de fontes alternativas como única forma de acesso em localidades isoladas.

Condição da moradia revela desigualdade estrutural

A proporção de domicílios com paredes de alvenaria ou taipa revestida alcançou 89,3% em 2024, com forte variação entre o Sudeste (94%) e o Norte (71,2%). O piso de cerâmica ou lajota está presente em 82,3% das moradias, mas chega a apenas 69,3% no Norte.

Cerca de 49,3% dos lares brasileiros ainda possuem apenas telha sem laje de concreto, enquanto 15,2% têm somente laje e 32,8% possuem telha com laje — padrão mais comum nas regiões Sudeste e Sul.

Aluguel avança e posse própria recua no Brasil

O número de domicílios alugados cresceu 45,4% entre 2016 e 2024, saltando de 12,3 milhões para 17,8 milhões, o que corresponde a 23% do total. No mesmo período, a proporção de domicílios próprios já pagos caiu de 66,8% para 61,6%.

“Essa redução nos imóveis próprios, combinada ao aumento de domicílios alugados, indica uma concentração de riqueza nesse período. Se não se criam oportunidades para a população adquirir o seu imóvel, as pessoas precisam partir para o aluguel”, afirma William.

Tendência de envelhecimento e mudança nos arranjos domiciliares

A pesquisa também aponta que 11,2% da população brasileira têm 65 anos ou mais. Em paralelo, 18,6% dos domicílios são unipessoais, com destaque para o Sudeste (19,6%) e Centro-Oeste (19%). A maioria dos moradores que vivem sozinhos é formada por mulheres idosas.

“O perfil de domicílios unipessoais também é formado por pessoas que estão no final do ciclo da vida, em sua maioria mulheres, cujos filhos saíram de casa para formar suas famílias, ou com o parceiro já falecido”, explica o analista.

*Com informações da Agência Gov

Leia mais: PNAD: Nordeste tem piores índices combinados de moradia e lixo

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