
A mais recente investida tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciada na última quarta-feira (9), acendeu o alerta em toda a indústria brasileira. A medida impõe uma taxação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil a partir de 1º de agosto. Em Pernambuco, os impactos não seriam diferentes: o prejuízo pode chegar a US$ 205 milhões, afetando diretamente cadeias do agronegócio e da metalurgia.
A estimativa leva em conta dados da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). De acordo com o relatório mais recente, os Estados Unidos foram, em 2024, o segundo principal destino das exportações de Pernambuco, representando 9,1% do total vendido ao exterior — atrás apenas da Argentina, com 24%.
O desempenho das exportações de Pernambuco para os EUA foi impulsionado principalmente por produtos do agronegócio e da indústria alimentícia, com destaque para açúcares de cana (US$ 52,9 milhões), uvas frescas (US$ 30,8 milhões), torres de ferro ou aço (US$ 18,8 milhões) e coque de petróleo (US$ 18,7 milhões).

Impacto por setor: agropecuária e metalurgia no foco da tarifa
Segundo Bruno Veloso, presidente da Fiepe, os setores mais impactados em Pernambuco com as novas tarifas devem ser o agronegócio — especialmente o setor sucroalcooleiro e o de frutas — e a metalurgia. Em 2024, Pernambuco exportou US$ 113,8 milhões em produtos do agronegócio para os Estados Unidos, somando itens como açúcares de cana, uvas frescas, mangas, inhames, peixes, farinhas de frutas e sacarose quimicamente pura.
Veloso pondera que, diferentemente dos produtos agropecuários, que ainda podem ser redirecionados para mercados alternativos — sobretudo países do Brics —, o setor metalúrgico de Pernambuco, responsável por mais de 10% das exportações para os EUA, enfrenta maiores obstáculos para reposicionar sua produção.
“Precisamos buscar um novo mercado, fazer alguma coisa, porque isso é uma coisa muito ruim. Não será uma tarefa fácil. Isso poderá ocasionar até demissões no setor”, alerta.
Principais produtos pernambucanos exportados para os EUA em 2024
| Produto | Valor (US$ milhões) |
| Açúcares de cana | 52,9 |
| Uvas Frescas | 30,8 |
| Torres/pórticos de ferro/aço | 18,8 |
| Coque de petróleo | 18,7 |
| Chapas de PET | 18,7 |
| Açúcar químico | 13,3 |
| Embarcações | 11 |
| Mangas frescas | 6,7 |
| Inhames | 5,5 |
| Querosene de aviação | 5,4 |
Fonte: Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco
Apesar do volume expressivo, o estado encerrou o ano com um déficit comercial de US$ 1,11 bilhão nas trocas com os Estados Unidos, resultado de importações que somaram US$ 1,36 bilhão em 2024. O saldo negativo evidencia a forte dependência de bens industriais e combustíveis importados – diferentemente das alegações apontadas pelo presidente norte-americano em carta enviada ao Brasil -, como propanos liquefeitos (US$ 436,8 milhões), óleo diesel (US$ 209,9 milhões) e componentes automotivos.
Exportações de Pernambuco para os EUA caem no primeiro semestre de 2025
Nos seis primeiros meses de 2025, Pernambuco exportou US$ 53,8 milhões para os Estados Unidos, uma retração significativa em relação ao desempenho de 2024, quando o total anual foi de US$ 205 milhões. O volume parcial representa apenas 4,48% de tudo o que o estado exportou no período.
Os principais produtos enviados aos EUA em 2025 seguem sendo do agronegócio, como açúcares de cana (US$ 18,4 milhões), uvas frescas (US$ 3,5 milhões), inhames (US$ 3 milhões) e querosene de aviação (US$ 4,5 milhões). A queda no volume exportado reforça o alerta sobre os impactos da nova tarifa.
Segundo a Fiepe, a balança comercial de Pernambuco com os EUA fechou o primeiro semestre de 2025 com déficit de US$ 686,48 milhões, resultado de importações que somaram US$ 740,28 milhões, puxadas por derivados de petróleo, caixas de marchas e produtos químicos.
A tarifa de 50% dos EUA ao Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (9) a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados do Brasil para o mercado norte-americano. A medida entra em vigor em 1º de agosto e foi comunicada por meio de uma carta oficial endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que convocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto para debater uma resposta a esse anúncio.
Na correspondência, Trump justifica a decisão como resposta a uma suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem se referiu como alvo de uma “caça às bruxas”. O republicano também criticou o Supremo Tribunal Federal, acusando a Corte de atuar com ordens judiciais “ilegais e secretas” contra empresas americanas de tecnologia e comunicação. Segundo Trump, a tarifa adicional visa proteger os interesses dos Estados Unidos frente ao que classificou como “ataques insidiosos” ao sistema democrático e às liberdades individuais.
A tarifa de 50 % será aplicada acima dos encargos já existentes, como as taxas sobre aço e alumínio, e poderá ser estendida a outros setores, caso haja retaliação por parte do governo brasileiro. Trump afirmou que o Brasil poderá escapar da taxação se empresas nacionais optarem por fabricar seus produtos em território norte-americano.
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