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Usina Coruripe lança projeto para gerar 72 mil créditos de carbono por ano

Área de 20 mil hectares, às margens do Rio São Francisco, em Minas Gerais, receberá projeto da Usina Coruripe
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Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro da Usina Coruripe
Reserva ambiental de 20 mil hectares da Usina Coruripe vai abrigar projeto para geração de créditos de carbono. Foto: Usina Coruripe

A Usina Coruripe anunciou um novo projeto de geração de créditos de carbono baseado na conservação florestal em uma reserva particular, localizada no município de Januária, no norte de Minas Gerais. A expectativa do grupo alagoano é gerar até 72 mil créditos de carbono por ano.

A área total onde a Usina Coruripe vai realizar o projeto na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro é de 20 mil hectares. A área integra o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu, região reconhecida por conciliar proteção da biodiversidade com a valorização cultural e social das comunidades locais.

Batizada de REDD Sertão Veredas, a iniciativa adota a metodologia Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), voltada à preservação de vegetação nativa sob risco de desmatamento. Segundo a empresa, há evidências de pressão legal de desmatamento na área, o que contribui para a adicionalidade do projeto, que é um dos critérios fundamentais para certificação no mercado voluntário de carbono.

A operação conta com assessoria de carbono do Itaú Unibanco, que será responsável pela comercialização dos créditos. Já a consultoria técnica e a originação dos ativos ficam a cargo da Reservas Votorantim e da EQAO, especialistas em projetos ambientais no Cerrado.

A estimativa da Usina Coruripe é que o projeto tenha capacidade de gerar até 72 mil créditos de carbono por ano. Cada crédito corresponde a uma tonelada de CO₂ equivalente que deixa de ser emitida, sendo validado por meio de auditorias independentes e critérios técnicos rigorosos.

Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro da Usina Coruripe
Área integra o Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu, próximo ao Rio São Francisco. Foto: Usina Coruripe

Usina Coruripe investe em outras práticas sustentáveis

Embora o novo projeto se concentre em Minas Gerais, a companhia também investe em iniciativas sustentáveis em outras regiões. Atualmente, a Coruripe gera créditos de carbono por meio de práticas de agricultura regenerativa em uma área de 2 mil hectares de cana-de-açúcar no município de Carneirinho, no Triângulo Mineiro. Segundo a empresa, ainda não há previsão para implantação de ações semelhantes em suas unidades localizadas em Alagoas.

“A Usina Coruripe tem o objetivo de valorizar seus ativos ambientais, tornando-os economicamente autossustentáveis e, assim, desenvolver novas atividades socioambientais na região do Cajueiro. A Reserva está no bojo das nossas melhores práticas; por isso, aplicar um projeto de carbono com parceiros tão experientes é uma forma de reconhecer o trabalho que vem sendo feito no local ao longo dos anos”, disse Mario Lorencatto, presidente da Usina Coruripe ao Movimento Econômico.

Usinas em Alagoas já emitem CBIOs

Um dos projetos pioneiros em Alagoas que buscam reduzir a intensidade de carbono da matriz de combustíveis é realizado pela Cooperativa Pindorama. Ela foi a primeira sucroalcooleira do estado a aderir ao programa RenovaBio, do Ministério de Minas e Energia (MME). Até o ano passado, com pouco mais de três anos de adesão ao programa, ela já obteve R$ 8 milhões em créditos gerados.

O exemplo da Pindorama agora é seguido pela Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas, que iniciou na safra 2024/2025 a distribuição dos créditos de descarbonização entre os fornecedores do estado.

Cooperativa Pindorama
Cooperativa Pindorama foi pioneira em Alagoas ao aderir ao programa RenovaBio e emitir créditos de carbono. Foto: Assessoria

O CBIO é um Crédito de Descarbonização ou Crédito de Carbono criado pelo programa governamental RenovaBio, lançado há mais de cinco anos pelo Ministério de Minas e Energia (MME). É um título emitido por empresas licenciadas e produtoras de biocombustíveis que, a partir de suas operações, contribuem com a agenda climática global.

A cada CBIO emitido, uma tonelada de carbono deixa de ser lançada na atmosfera. Hoje, a Pindorama tem capacidade de emitir mais de 40 mil CBIOs por safra, sendo uma das principais emissoras do setor sucroenergético.

A engenheira ambiental Juliane Oliveira Rodrigues, que também é membro da Coordenação Ambiental da Pindorama, revelou que, além do RenovaBio, a cooperativa vem desenvolvendo vários projetos para ampliar os cuidados com o meio ambiente.

“A Pindorama vem desenvolvendo projetos de créditos de carbono em seus mais diversos empreendimentos, com o objetivo de reduzir as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, por meio do gerenciamento dos seus resíduos, manejo das lavouras com redução no uso de fertilizantes convencionais, além de investir no uso de produtos biológicos. Assim sendo, a cooperativa mostra mais uma vez o seu compromisso com o desenvolvimento econômico, aliado à responsabilidade social e à sustentabilidade ambiental”, pontuou Juliane.

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