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Com dívida de R$ 31 bi, Azul se prepara para pedir recuperação judicial nos EUA

A Azul enfrenta ainda dificuldades operacionais ligadas à escassez de aeronaves e peças, especialmente motores
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Foto: Embraer/Divulgação

A Azul Linhas Aéreas anunciou que deve protocolar hoje (28) pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, sob o Capítulo 11 da legislação americana. A medida visa reestruturar sua dívida, que atingiu R$ 31,35 bilhões no primeiro trimestre de 2025, e reduzir o índice de alavancagem de 5,2 para cerca de 2 vezes o EBITDA.

Segundo o CEO John Rodgerson, a Azul já possui acordos com credores e contará com aportes entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões de novas sócias estratégicas: United Airlines e American Airlines. Essas companhias terão participação acionária e assento no conselho da Azul após a conclusão do processo.

Com isso, a fusão com a Gol, anteriormente em negociação, foi suspensa. A Azul pretende concluir a reestruturação em até um ano e migrar suas ações para o Novo Mercado da B3, segmento que exige maior governança corporativa.

Apesar das dificuldades financeiras, a Azul transportou mais de 10 milhões de passageiros até abril de 2025, um aumento de 9,1% em relação ao ano anterior.

A medida marca uma inflexão na postura da companhia, que até então resistia à alternativa jurídica adotada anteriormente por rivais como a Latam.

A decisão vem após meses de negociações com credores e investidores, em meio ao agravamento da situação financeira da empresa. No primeiro trimestre deste ano, a dívida total da Azul atingiu R$ 31,35 bilhões, uma alta de mais de 50% em relação ao mesmo período de 2024. Ao mesmo tempo, o caixa da companhia encolheu 51%, fechando o trimestre com apenas R$ 655 milhões disponíveis.

Em entrevista recente, o CEO da Azul, John Rodgerson, revelou ter garantido aportes da United e da American Airlines, que deverão investir entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões cada uma após a reestruturação. O executivo também informou que foram levantados cerca de US$ 1,6 bilhão em recursos, valor que servirá como base para o plano de reestruturação da empresa.

Apesar de reiteradas negativas públicas sobre a intenção de recorrer ao Chapter 11, fontes próximas à operação afirmam que o modelo norte-americano, por sua previsibilidade e aceitação no mercado global, passou a ser visto como o melhor caminho para garantir liquidez e manter a continuidade operacional. O plano inclui a adesão de credores e investidores estratégicos desde o início do processo.

Dificuldades da Azul

A Azul enfrenta ainda dificuldades operacionais ligadas à escassez de aeronaves e peças, especialmente motores. A situação comprometeu a oferta de assentos no primeiro trimestre e levou a empresa a firmar acordos de ACMI (arrendamento com tripulação) com companhias estrangeiras como a EuroAtlantic e, mais recentemente, a portuguesa Hi Fly. O modelo, autorizado pela Anac no fim de 2023, vem sendo questionado na Justiça por sindicatos, mas tem sido essencial para amenizar os impactos da crise na frota.

Em um ambiente de crédito restrito, câmbio instável e custos operacionais elevados, a Azul segue o mesmo caminho da Latam, que entrou em recuperação judicial nos EUA em 2020, durante a pandemia, e concluiu sua reestruturação dois anos depois com ganhos de eficiência e fortalecimento de sua posição no mercado.

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