
Movida pelo desejo de empreender e transformar uma área abandonada há 15 anos no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, a empreendedora Rosane Torres, junto ao marido, Lucio, idealizou um petshop e um parcão que hoje impactam positivamente a comunidade.
Pouco mais de um ano após o início do projeto, Rosana comanda a Banca Amor de Bicho, gerencia o espaço de convivência para pets e ainda organiza a Feira Criativa, evento mensal que reúne expositores de várias cidades da Região Metropolitana do Recife.
“Nós, donos de pets, não tínhamos um local para levar os nossos bichinhos. Já era uma demanda nossa. Meu marido sempre disse que a área precisava de mais cuidado”, conta.
A ideia de empreendedora surgiu ainda nos anos 2000, quando Rosane percebeu que o terreno, antes ocupado por uma banca de revista, estava abandonado e em estado de degradação. Mas foi apenas em 2021 que o plano começou a sair do papel. Ao lado do marido e de uma amiga arquiteta, ela apresentou um projeto à prefeitura, que os direcionou para a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb).
Por meio do programa “Adote o Verde”, o projeto – orçado em R$ 130 mil – teve um desconto de R$ 50 mil, com a Emlurb assumindo a instalação da iluminação e do piso do espaço. “Mas eu ainda não tinha o dinheiro suficiente para os outros custos, então procurei quem pudesse apoiar”, lembra Rosana.
Após um ano e meio de busca por parcerias, a empreendedora firmou acordo com a Incorporadora Ferreira Pinto, que topou apoiar a ideia por meio do projeto “Gentileza Urbana”, reconhecendo a importância social da iniciativa.

Parcerias e incentivos públicos
Em 2023, era entregue à população da Zona Sul do Recife o Parcão, situado na praça com mais de 640 m² e, no ano seguinte, Rosana inaugurou a Banca Amor de Bicho, ambos localizados na Rua Professor José Brandão, em Boa Viagem.
A banca oferece produtos que vão de rações, petiscos, itens de higiene para pets, perfumes, brinquedos, acessórios como coleiras e guias, além de picolés especiais para os animais.
“O projeto é um exemplo concreto de como áreas públicas podem ser revitalizadas com parcerias responsáveis, gestão ativa e integração com o comércio local”, conta a empreendedora, que hoje faz a manutenção e ordenamento do local.
Rosana relata que, além de promover a revitalização do espaço, a área passou a ser ocupada por pessoas da comunidade, transformando hábitos e promovendo a união entre os moradores do entorno.
“Eram pessoas que antes desciam de seus apartamentos, entravam no carro e iam para o trabalho. Agora, vizinhos que antes não trocavam uma palavra nos corredores dos prédios conversam entre si, pois têm algo em comum para falar enquanto caminham com os seus bichinhos de estimação”, relata.

Feira no Parque
Um outro braço do projeto tocado por Rosana e o marido é a Feira no Parque, que acontece na mesma Rua Professor José Brandão. Realizada uma vez ao mês, a programação antes era voltada apenas para a exposição de produtos pet e adoção de animais. Em pouco mais de um ano, o espaço agora abriga mais de 50 expositores e recebe mais de 1.500 visitantes por edição.
“Ela ocorre como um movimento transformador, fazendo com que as pessoas do entorno desçam de seus prédios e abracem esse projeto, prestigiando os diversos empreendedores que vêm expor os seus produtos na feira”, diz a gestora.
Durante as edições da Feira no Parque, os visitantes podem desfrutar de música, gastronomia, costura criativa, artesanato e atividades para crianças. Além disso, também são realizados desfiles pet, que premiam os tutores com vales-compras, kits para os bichinhos e acessórios.
Empreendedora fatura mais de R$ 100 mil com projeto
Em cerca de um ano, com ambos os projetos, Rosana já conseguiu faturar pouco mais de R$ 100 mil. Parte desse valor é proveniente do aluguel pago pelos expositores, e a outra metade advém das vendas do petshop.
Contudo, a empreendedora espera que sua história sirva de exemplo para que mais ações semelhantes sejam impulsionadas no território.
“Esse projeto carrega em si uma visão que vai além de seu endereço. Ele pode e deve inspirar outros empreendedores e gestores públicos a replicar esse modelo em diferentes pontos da cidade, fomentando economia, segurança, inclusão e qualidade de vida.”
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