
O Brasil reciclou 410 mil toneladas de embalagens PET pós-consumo em 2024, crescimento de 14% em relação às 359 mil toneladas registradas em 2022. Os dados são da 13ª edição do Censo da Reciclagem do PET no Brasil, divulgado pela Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET).
O estudo também evidencia a resiliência do setor de reciclagem de PET, que movimentou R$ 5,66 bilhões em 2024 – o equivalente a 32% do faturamento total da cadeia. Parte expressiva desse valor (cerca de 40%) permanece com catadores, cooperativas e sucateiros, reforçando o papel social da atividade.
Apesar dos avanços, a indústria enfrenta um entrave estrutural: a ausência de uma política pública robusta para coleta seletiva. Essa limitação compromete o fornecimento de matéria-prima para as recicladoras, que operam com ociosidade média de 23%, podendo chegar a 40% em alguns períodos, segundo Auri Marçon, presidente executivo da ABIPET.
Circularidade no Brasil
O segmento bottle-to-bottle (embalagem para embalagem) consolidou-se como principal destino da resina reciclada, respondendo por 37% do volume em 2024. O índice supera os 29% registrados anteriormente e reflete o compromisso das grandes empresas de bebidas com a sustentabilidade, mesmo diante do custo superior da resina reciclada em relação ao PET virgem.
| Setor/Aplicação | Percentual (%) |
|---|---|
| Embalagens PET (alimentos/bebidas) | 37% |
| Setor têxtil | 24% |
| Indústria química | 13% |
| Lâminas e chapas | 13% |
| Fitas de arquear | 10% |
| Outras aplicações | 3% |
Nova diretriz para embalagens recicláveis: “Design for Environment”
Com o objetivo de ampliar a reciclabilidade e reduzir perdas, um memorando inédito foi firmado entre entidades do setor. A iniciativa adota o princípio de design for environment e visa orientar a produção de embalagens com maior valor para a reciclagem.
O acordo reúne ABIPET, ABIR (bebidas não alcoólicas), ABIOVE (óleos vegetais) e ANCAT (catadores). A ABIPET atualizou suas Diretrizes para a Reciclabilidade da Embalagem PET, com apoio das demais entidades, que irão disseminar as orientações entre seus associados. A ANCAT, por sua vez, identificará embalagens com baixa atratividade para os recicladores, visando propor ajustes junto às marcas.
“As escolhas no design – corpo, rótulo e tampa – influenciam diretamente no reaproveitamento. As novas diretrizes alertam os profissionais ainda na fase de concepção do produto”, reforça Marçon.
Base científica fortalece debate ambiental
O censo e as diretrizes fazem parte de uma agenda mais ampla da ABIPET para fortalecer o debate técnico sobre sustentabilidade e circularidade. Em 2024, a entidade lançou a primeira Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) do PET no Brasil, com base em dados primários da cadeia produtiva nacional.
O estudo, validado por instituições como o ITAL/CETEA e revisado por especialistas de universidades brasileiras, aponta vantagens ambientais do PET frente a outras embalagens como vidro, alumínio e aço. A metodologia segue os padrões das normas ABNT NBR ISO 14040:2009 e 14044:2006.
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