
Apesar do mês de junho reunir eventos como Copa do Mundo, Dia dos Namorados e São João, as vendas em bares e restaurantes do Nordeste apresentaram recuo no Maranhão, Paraíba, Piauí e Ceará. Já os demais estados tiveram alta nas vendas, com destaque para a Bahia, com o melhor resultado regional.
Os dados são de um levantamento realizado pela Stone em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O Maranhão teve o pior desempenho da região, com recuo de 5,1% nas vendas. Na sequência aparecem Paraíba, com queda de 3,7%; Piauí, com retração de 3,5%; e Ceará, com resultado negativo de 1%.
O levantamento acompanha transações financeiras realizadas em estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar. Em todo o país, 18 dos 24 estados analisados registraram crescimento em junho, enquanto seis apresentaram retração. Quatro deles estão localizados no Nordeste.
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Apesar das quedas em parte da região, outros cinco estados nordestinos tiveram aumento nas vendas na comparação anual. A Bahia apresentou o maior crescimento, de 4,6%, seguida por Pernambuco, com 2,4%; Rio Grande do Norte, com 2,2%; Alagoas, com 0,4%; e Sergipe, com 0,2%.
Segundo a Abrasel, o resultado de junho ficou abaixo da expectativa criada para um mês que reuniu Dia dos Namorados e os jogos da Copa do Mundo, eventos que tradicionalmente aumentam o fluxo de consumidores em bares e restaurantes.
“O segundo trimestre foi positivo para o setor, mas junho ficou abaixo da expectativa. Os empresários se prepararam para um aumento no fluxo de clientes, mas o desempenho do mês mostra que parte desse potencial de consumo não se converteu em vendas”, afirmou o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.
A entidade considera que o crescimento das apostas esportivas pode ter contribuído para reduzir os recursos disponíveis para o consumo em bares e restaurantes durante o período.

Nordeste tem desempenho desigual nas vendas
Os dados mostram que o desempenho do setor foi desigual entre os estados nordestinos. José Eduardo Camargo, líder de conteúdo da Abrasel, disse ao Movimento Econômico que o movimento dos bares e restaurantes depende muito da conjuntura de cada região e até de fatores locais.
“Um feriado municipal, o perfil da cidade, mais voltado ao turismo ou aos negócios, e até mesmo as condições climáticas podem influenciar diretamente o fluxo de clientes e o desempenho dos estabelecimentos”, explicou.
No cenário nacional, as vendas em bares e restaurantes cresceram 2,6% em junho em relação ao mesmo mês de 2025, completando o nono resultado consecutivo acima do registrado no ano anterior. Na comparação com maio, porém, houve queda de 2,1%.
Já no acumulado do segundo trimestre, o setor apresentou crescimento de 4,2% sobre o mesmo período do ano passado. Para o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, o avanço anual mostra que o segmento continua sustentado pela geração de renda e pelo mercado de trabalho.
“Apesar da retração na análise mensal, o avanço na comparação anual e o desempenho positivo do segundo trimestre mostram que bares e restaurantes seguem sustentados pela força do mercado de trabalho”, afirmou.
O economista também avalia que a Copa do Mundo ajudou a ampliar o fluxo de consumidores nos estabelecimentos e contribuiu para preservar o crescimento anual do setor, embora o resultado mensal tenha ficado abaixo do esperado.
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