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Comitê antecipa 1,8 GW de energia para reforçar sistema elétrico ante o El Niño

Medida entra em vigor em setembro e busca garantir a segurança energética do país diante do risco de seca e da alta do consumo no segundo semestre
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  1. CMSE antecipa 1,8 GW de energia de cinco empresas para reforçar segurança do sistema elétrico nacional
  2. Redução na geração hidrelétrica do Norte durante El Niño afeta distribuição nacional via Sistema Interligado Nacional
  3. Aumento de temperaturas deve elevar consumo de eletricidade enquanto reservatórios amazônicos reduzem produção de energia
  4. Usinas merchant custam 25% mais que energia contratada; antecipação visa conter custos operacionais do sistema
  5. NOAA projeta 81% de probabilidade de El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026
Energia elétrica
A redução na geração elétrica do Norte afeta todo o país porque a energia produzida na região é distribuída nacionalmente por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou a antecipação da geração de 1,8 gigawatt (GW) de energia adicionais, originários de cinco empresas vencedoras dos leilões de reserva de capacidade. A decisão visa reforçar a segurança do sistema elétrico nacional a partir do dia 1º de setembro. ​A iniciativa foi tomada preventivamente para mitigar os riscos operacionais no segundo semestre de 2026.

A avaliação técnica aponta para a necessidade de suprimento adicional frente aos impactos potenciais provocados pela possível chegada do fenômeno climático El Niño. ​Segundo parecer emitido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a ocorrência do evento meteorológico tende a provocar a redução na produção de energia hidrelétrica na Região Norte.

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Na prática, a redução na geração elétrica do Norte afeta todo o país porque a energia produzida na região é distribuída nacionalmente por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Em períodos de seca provocados pelo El Niño, os reservatórios amazônicos baixam, interrompendo o envio de energia para o restante do Brasil e exigindo o acionamento de usinas complementares para evitar desabastecimento nas demais regiões. Paralelamente, a elevação das temperaturas médias deve impulsionar o consumo de eletricidade no país.

​Incertezas globais e custos operacionais

Além dos fatores climáticos, a deliberação levou em consideração o cenário internacional de volatilidade. A análise oficial ponderou o impacto das incertezas geopolíticas e dos conflitos armados atuais sobre a cotação dos combustíveis utilizados na geração termelétrica.

​Estudos elaborados pela pasta setorial indicam que recorrer a usinas sem contrato (merchant) para o atendimento da demanda custa, no mínimo, 25% a mais do que acionar a energia contratada via leilões. A antecipação busca, assim, conter custos mais elevados para o sistema.

​”O volume antecipado é fundamental para garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro em 2026 e início de 2027, principalmente prevendo as consequências que podem ser causadas pelo El Niño”, informa o Ministério de Minas e Energia.

​Contratações e projeções climáticas

​A energia que terá o início de operação adiantado faz parte do montante de 2,2 GW contratado durante os leilões de reserva de capacidade realizados em março deste ano. A antecipação abrange a maior parcela do volume total negociado no certame.

​No aspecto climático, projeções da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência dos Estados Unidos, indicam 81% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre os meses de outubro e dezembro.
​Caso a estimativa da agência norte-americana se confirme, o evento figurará como o mais intenso registrado desde 1950, início da série histórica de medições. O fenômeno caracteriza-se pelo aquecimento atípico das águas da superfície do Oceano Pacífico equatorial, alterando o padrão global de chuvas e ventos.

​Impactos globais e duração do fenômeno

De acordo com os dados da NOAA, a intensidade do fenômeno amplia a probabilidade de ocorrência de tempestades e ondas de calor extremo em diversas regiões do globo. Especialistas apontam que os efeitos climáticos resultantes devem se estender ao longo do final deste ano até o ano de 2027.

​O cenário internacional recente reflete a pressão sobre a infraestrutura energética, a exemplo da onda de calor registrada na Europa em junho, que gerou interrupções no fornecimento elétrico e sobrecarga nos serviços públicos, quadro associado por cientistas às mudanças climáticas globais.

Com informações da Agência Brasil.

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