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Nordeste pode atrair até US$ 6,4 bi em capital europeu para projetos minerais

Estudo da ApexBrasil mapeia projetos na Bahia, em Sergipe e no Piauí que podem atender à busca europeia por novos fornecedores
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  1. Sete projetos de exploração mineral no Nordeste podem atrair até US$ 6,4 bilhões em investimentos europeus.
  2. Bahia, Sergipe e Piauí concentram projetos de grafite, terras raras, níquel, cobalto, potássio e minerais pesados.
  3. Europa busca diversificar fornecedores de minerais críticos para baterias, veículos elétricos e turbinas eólicas até 2030.
  4. Brasil exportou US$ 4,3 bilhões em minerais críticos para União Europeia em 2025, representando 37,6% das vendas.
  5. Bahia destaca-se com maior carteira de oportunidades, incluindo projeto Graphite com US$ 13 milhões em busca de financiamento.
Mineração na Bahia - projetos Apex Brasil UE
Nordeste aparece com sete projetos listados como possibilidades de exploração de grafite, terras raras, níquel, cobalto, potássio e minerais pesados; Apex Brasil avalia como oportunidades de comércio com a União Europeia. Foto: Divulgação

O setor mineral tem no Nordeste uma ampla oferta de minerais a serem explorados, que posicionam a região de forma estratégica do ponto de vista comercial com a União Europeia. Um estudo realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) aponta que projetos catalogados na Bahia, Sergipe e Piauí reúnem investimentos potenciais que podem chegar a US$6,4 bilhões.

Os três estados aparecem com sete projetos com possibilidades de exploração de grafite, terras raras, níquel, cobalto, potássio e minerais pesados. Todos eles são avaliados pela Apex Brasil como oportunidades comerciais entre o Brasil e o bloco europeu.

Os projetos estão em diferentes etapas de desenvolvimento e, em sua maioria, ainda dependem de financiamento, parceiros, contratos de compra e licenciamento para avançar. A Europa possui interesse de diversificar fornecedores de insumos essenciais para produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, fertilizantes, equipamentos eletrônicos e outras cadeias industriais.

O Regulamento de Matérias-Primas Críticas da União Europeia estabelece que, até 2030, o bloco não poderá depender de um único país para mais de 65% do consumo anual de cada material estratégico.

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No estudo da Apex Brasil, dados apontam que em 2025, a União Europeia absorveu US$ 4,3 bilhões das exportações brasileiras de uma cesta de nove minerais críticos e estratégicos analisados pela ApexBrasil. O valor correspondeu a 37,6% dos US$ 11,4 bilhões exportados pelo Brasil nesses produtos. Cobre, níquel e grafite tiveram as maiores participações do mercado europeu nas vendas brasileiras.

Na carteira apresentada ao mercado anexa ao estudo principal, a Bahia se destaca pela diversidade de projetos, enquanto o Piauí aparece com uma operação de níquel e cobalto e Sergipe reúne empreendimentos de potássio e minerais pesados.

Mineração na Bahia projetos Apex Brasil
Bahia concentra maior cartela de oportunidades de exploração mineral, reunindo projetos de grafite, níquel e terras raras. Foto: Carla Ornelas

Bahia reúne projetos de grafite, níquel e terras raras

O grafite é uma das principais frentes identificadas na Bahia. O mineral é utilizado em aplicações industriais tradicionais, como refratários para siderurgia e fundições, e nos ânodos das baterias de íons de lítio.

O projeto Bahia Graphite possui títulos minerários nos municípios de Itaitu, Lajedo e Capela e informa recursos com 205,6 mil toneladas de grafite contido em Itaitu e 467 mil toneladas em Lajedo. A empresa busca US$ 13 milhões em recursos para o projeto de exploração e possui uma carta de intenção com a companhia japonesa Marubeni.

Na etapa de processamento, a empresa prevê uma unidade em Nova Fátima, também na Bahia, voltada à produção de concentrado de grafite de alta pureza. O investimento estimado para essa estrutura é de US$ 60 milhões, mas ainda não há informações sobre o início das operações.

Outro projeto é o Boa Sorte, da Graphcoa, localizado em Itagimirim. O empreendimento prevê vida útil de 15 anos e produção anual de 20 mil toneladas de grafite natural em flocos. A empresa informa que o projeto já possui licença e estudo de viabilidade concluído. A expansão para uma planta em escala industrial integra um investimento estimado em US$ 120 milhões e tem início de operação previsto para junho de 2029.

Os ativos baianos aparecem em um momento de alta dependência europeia do mineral. Segundo o estudo, a União Europeia depende integralmente de importações de grafite natural. Entre 2019 e 2023, a China respondeu por 25% do fornecimento do bloco, seguida por Noruega, com 22%, Moçambique, com 17%, Madagascar, com 12%, e Brasil, com 9%.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 44,3 milhões em produtos da cadeia de grafite considerados no levantamento, dos quais US$ 16,4 milhões foram destinados à União Europeia. Somente as vendas de grafite natural em pó ou escamas somaram US$ 23,9 milhões, com US$ 12,5 milhões enviados ao mercado europeu, segundo dados da Apex Brasil.

Além do grafite, a Bahia possui o projeto Lagoa Grande, localizado em Pilão Arcado e conduzido pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). A área apresenta potencial para níquel, cobre e cobalto, com recursos estimados em mais de 405 milhões de toneladas de minério.

O projeto ainda está em fase de desenvolvimento. O catálogo da Apex Brasil apresenta duas estimativas diferentes para o investimento: US$ 2,5 bilhões na ficha de exploração e um investimento inicial de US$ 1 bilhão na ficha de processamento.

A terceira frente baiana é o projeto Monte Alto, da Borborema Recursos Estratégicos, controlada pela Brazilian Rare Earths. A primeira fase prevê a produção de concentrado de terras raras. Em uma etapa posterior, o empreendimento pretende avançar para produtos de neodímio e praseodímio, elementos utilizados em ímãs permanentes.

O projeto ainda está em fase inicial, com estudo preliminar previsto para 2026. O catálogo indica a obtenção da licença prévia em 2027, da licença de instalação em 2028 e da licença de operação em 2029, condicionadas ao andamento do processo ambiental.

A dependência europeia também é elevada nessa cadeia. Segundo o estudo da ApexBrasil, a UE depende integralmente de importações no processamento de terras raras leves e pesadas destinadas a ímãs. No caso das terras raras leves, a China respondeu por 81% do abastecimento externo entre 2019 e 2023.

Mineração no Piauí - projetos Apex Brasil
Piauí é relacionado pela Apex Brasil como projeto que possibilita comercializar com a União Europeia níquel e cobalto; início das operações está prevista para 2030. Foto: Assessoria

Projeto coloca Piauí na cadeia de níquel e cobalto

No Piauí, o catálogo apresenta o Piauí Nickel Project, da Brazilian Nickel, no município de Capitão Gervásio Oliveira. O projeto prevê investimento de US$ 1,5 bilhão e início das operações em 2030.

A produção estimada é de 28 mil toneladas anuais de níquel e mil toneladas de cobalto por ano, em média, durante os primeiros dez anos da vida útil da operação. Os dois minerais estão associados à produção de baterias, enquanto o níquel também é utilizado nas cadeias de aço inoxidável e de aços especiais.

O projeto piauiense pode reforçar a presença brasileira em um mercado no qual o país já possui participação relevante. Em 2025, o Brasil respondeu por 34,5% do minério de níquel fornecido à União Europeia, ficando atrás apenas do Canadá, que concentrou 62,3%.

No ferroníquel, o Brasil foi o principal fornecedor do bloco, com 77,1% das importações europeias. Considerando toda a cesta da cadeia do níquel analisada pela ApexBrasil, as exportações brasileiras alcançaram US$ 1 bilhão em 2025. Desse total, US$ 456,6 milhões, ou 44,9%, foram destinados à União Europeia.

mina de potássio Taquari Vassouras, Sergipe
Em fase de exploração, projeto desenvolvido pela South Atlantic Potash prevê investimentos de até US$ 2,2 bilhões para produção de potássio em Sergipe. Foto: Mosaic

Potássio e minerais pesados colocam Sergipe no mapa

Já o estado de Sergipe aparece no catálogo com um projeto de grande porte voltado à produção de potássio. Desenvolvido pela South Atlantic Potash, o empreendimento prevê investimento entre US$ 2,1 bilhões e US$ 2,2 bilhões.

A produção inicial projetada é de 2 milhões de toneladas anuais de cloreto de potássio e 2,6 milhões de toneladas de sal. Segundo a empresa, a capacidade de potássio poderá ser ampliada para mais de 14 milhões de toneladas por ano, com vida útil superior a 30 anos. A área também apresenta potencial para pesquisas de lítio e boro.

O projeto ainda está em fase de exploração. O catálogo indica previsão de obtenção da licença prévia no segundo semestre de 2027 e protocolo do pedido da licença de instalação no primeiro trimestre de 2028.

Nesse caso, a oportunidade está relacionada principalmente à segurança alimentar. O estudo da ApexBrasil aponta que Brasil e União Europeia dependem da importação de potássio e de seus derivados. A oferta internacional está concentrada em países como Canadá e Rússia, deixando os mercados consumidores expostos a choques geopolíticos e dificuldades de abastecimento.

Outro empreendimento sergipano é o projeto Saramém, localizado nos municípios de Brejo Grande, Ilha das Flores e Pacatuba. A área reúne ilmenita, rutilo, zircão e monazita e apresenta recursos declarados de 196 milhões de toneladas, com teor médio de 2,3% de minerais pesados.

A empresa Backshore Resources estima uma vida útil superior a 20 anos para a segunda fase do projeto. O catálogo informa a busca por US$ 3,5 milhões para uma planta-piloto e, posteriormente, US$ 15 milhões em investimento e capital de giro para uma unidade com capacidade de processamento de 1,4 milhão de toneladas por ano. A entrada em operação da planta-piloto estava prevista para o segundo semestre de 2026, condicionada ao avanço do licenciamento.

Processamento é desafio para ampliar valor dos minerais

A presença dos projetos no catálogo não significa que já existam contratos de exportação ou investimentos europeus confirmados. Em grande parte, os empreendimentos nordestinos ainda procuram recursos, parceiros estratégicos ou compradores para viabilizar as operações.

O próprio estudo da ApexBrasil aponta que a participação brasileira nas cadeias de minerais críticos permanece concentrada, muitas vezes, nas etapas de extração e de processamento intermediário. A possibilidade de agregar valor no país por meio de refino, transformação mineral e fabricação de insumos industriais aparece como uma das oportunidades da cooperação com a União Europeia.

O estudo também aponta instrumentos nacionais capazes de apoiar a transformação dos projetos em operações produtivas. Um dos citados pela Apex Brasil é o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), do Banco do Nordeste.

O Fundo de Investimento em Participações (FIP) Minerais Estratégicos, lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério de Minas e Energia (MME) também é citado como oportunidade para financiar projetos focados em mineração. A estimativa do BNDES é mobilizar R$1bilhão em projetos empresariais para transição energética, descarbonização e produção sustentável de alimentos.

Leia mais: Porto de R$ 6,59 bi em Ilhéus avança para criar novo corredor logístico na BA

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