
Um torneio de captura do peixe-leão vai distribuir R$ 3,5 mil em prêmios por cidade para pescadores de três municípios do litoral do Rio Grande do Norte. A competição ocorrerá em Rio do Fogo, Porto do Mangue e Areia Branca, e integra o projeto Guardiões do Mar, coordenado pela professora Emanuelle Fontenele Rabelo, do Departamento de Biociências da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), sediada em Mossoró.
O peixe-leão (Pterois volitans) é uma espécie invasora originária do Indo-Pacífico, registrada pela primeira vez no Brasil em 2014, no litoral do Rio de Janeiro. No Rio Grande do Norte, os primeiros exemplares foram identificados em 2022. Desde então, cerca de 300 peixes da espécie foram capturados no estado, segundo a Ufersa.
“O objetivo é que os pescadores sejam protagonistas desse processo. Só eles conseguem retirar o peixe-leão do ambiente marinho e, ao mesmo tempo, atuar como cientistas cidadãos”, afirmou a coordenadora do projeto.
As capacitações começam nesta sexta-feira (25 de julho), em Areia Branca, e seguem no dia 26 de julho, em Porto do Mangue. O município de Rio do Fogo recebe o treinamento em 10 de agosto.
A premiação por etapa municipal prevê R$ 2 mil para o primeiro colocado, R$ 1 mil para o segundo e R$ 500 para o terceiro. Os demais participantes receberão brindes.
Após os treinamentos, a captura do peixe-leão deve se estender por vários meses nos três municípios. Todo o material coletado será encaminhado aos laboratórios da Ufersa, onde embasará pesquisas de graduação e pós-graduação.
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Peixe-leão é espécie invasora sem predador natural
Estudos da Ufersa que analisaram exemplares capturados entre 2022 e 2024 por pescadores parceiros nos municípios de Areia Branca, Porto do Mangue e Macau, na Costa Branca, identificaram que o peixe-leão tem taxa de crescimento compatível com a observada em áreas onde a espécie já se estabeleceu. A ausência de predadores naturais no litoral brasileiro facilita sua reprodução e dispersão.
A espécie pode reduzir populações de peixes nativos e afetar a atividade pesqueira. Os espinhos do animal possuem toxina capaz de causar dor intensa, vermelhidão, febre e outros sintomas. Em maio de 2025, um mergulhador de 25 anos morreu após ser atingido pelos espinhos durante uma pescaria na praia de Pernambuquinho, em Grossos, município vizinho às áreas do torneio.
A capacidade reprodutiva do peixe-leão agrava o cenário: segundo registros científicos, um único exemplar pode produzir até 30 mil ovos a cada quatro dias. Para participar do torneio, os pescadores precisam passar por treinamento gratuito e obrigatório, que aborda o manejo seguro do animal e os impactos ambientais da invasão. Cada participante recebe um kit de captura com arpão e coletor de PVC.
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