
A expansão da telemedicina, dos prontuários eletrônicos, da inteligência artificial e dos equipamentos conectados está aumentando a exposição de hospitais, clínicas, laboratórios e operadoras de saúde a ataques cibernéticos. Além de concentrarem informações sensíveis, essas instituições prestam serviços que não podem ser interrompidos, o que eleva seu interesse para grupos especializados em roubo de dados e ransomware.
No Brasil, uma violação de dados gerou custo médio de US$ 1,36 milhão, cerca de R$ 7 milhões, para a instituição atingida em 2024, alta de 11,5% sobre o ano anterior, segundo o Relatório de Cibersegurança 2025 da Brasscom. O valor inclui despesas com investigação, recuperação dos sistemas, interrupção das operações, medidas jurídicas, comunicação aos usuários, multas e perdas de receita. No cenário global, o custo médio chegou a US$ 4,88 milhões por incidente.
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O problema também revela fragilidades na gestão de acessos e no uso da inteligência artificial. Conforme o Relatório de Custo de Violação de Dados 2025, da IBM, 97% das organizações que sofreram incidentes relacionados à IA não possuíam controles adequados de acesso. Outras 63% ainda não contavam com políticas para impedir o uso não autorizado da tecnologia, conhecido como shadow AI.
Em sentido contrário, organizações que aplicam IA amplamente em suas estratégias de segurança conseguem reduzir, em média, US$ 1,9 milhão dos custos provocados por uma violação, na comparação com empresas que ainda não utilizam essas ferramentas.
Para Douglas Barbosa, Head de Soluções Estratégicas e Alianças e especialista em identidade digital da Sec4U, o setor de saúde reúne condições que aumentam sua vulnerabilidade. Além do elevado volume de dados, hospitais e operadoras mantêm atividades críticas e atravessam um processo acelerado de digitalização.
Informações médicas, resultados de exames, dados biométricos e documentos pessoais possuem valor duradouro para os criminosos. Diferentemente de um cartão bancário, que pode ser bloqueado, esses dados podem continuar sendo usados em fraudes, roubo de identidade, extorsão e comércio ilegal.
A digitalização também ampliou o número de usuários e equipamentos com acesso aos sistemas. Além de funcionários, médicos e residentes, o ambiente envolve prestadores terceirizados, fornecedores, parceiros, aplicações automatizadas e dispositivos conectados. Cada nova integração representa mais um ponto que precisa ser protegido.
A inteligência artificial aumenta esse desafio. Dados obtidos junto ao Ministério da Saúde por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que o Sistema Único de Saúde possui 162 projetos com uso de IA, dos quais 84 estão em desenvolvimento e 78 foram concluídos. As iniciativas abrangem apoio ao diagnóstico de doenças, combate à desinformação e gestão dos serviços de saúde.
Segundo Barbosa, a resposta mais eficiente está na criação de programas permanentes de gestão de identidades digitais. O modelo deve definir os acessos necessários para cada usuário, automatizar a concessão e a retirada de permissões e manter monitoramento contínuo. A finalidade é impedir que credenciais legítimas sejam usadas por criminosos para entrar nos sistemas sem despertar suspeitas.
Com o aumento das ameaças, a proteção deixa de se concentrar apenas na infraestrutura tecnológica. A identidade digital passa a funcionar como uma nova fronteira da segurança, especialmente em um setor no qual a exposição de dados ou a paralisação dos serviços pode afetar diretamente o atendimento aos pacientes.
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