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Hospitais e operadoras viram alvos de ataques hacker com avanço da saúde digital

A inteligência artificial aumenta esse desafio, pois cada nova integração representa mais um ponto que precisa ser protegido de ataques
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  1. Digitalização da saúde amplia exposição a ataques cibernéticos em hospitais e operadoras brasileiras.
  2. Violação de dados no Brasil custou US$ 1,36 milhão em média às instituições durante 2024.
  3. Noventa e sete por cento das organizações afetadas por IA não possuem controles adequados de acesso.
  4. Dados médicos possuem valor duradouro para criminosos, diferente de cartões que podem ser bloqueados.
  5. Sistema Único de Saúde desenvolve 162 projetos com inteligência artificial para diagnóstico e gestão.
fraudes digitais golpes IA hackers Pix
quanto mais digitalizado, mais sujeito o setor fica a ataques de hacker/Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A expansão da telemedicina, dos prontuários eletrônicos, da inteligência artificial e dos equipamentos conectados está aumentando a exposição de hospitais, clínicas, laboratórios e operadoras de saúde a ataques cibernéticos. Além de concentrarem informações sensíveis, essas instituições prestam serviços que não podem ser interrompidos, o que eleva seu interesse para grupos especializados em roubo de dados e ransomware.

No Brasil, uma violação de dados gerou custo médio de US$ 1,36 milhão, cerca de R$ 7 milhões, para a instituição atingida em 2024, alta de 11,5% sobre o ano anterior, segundo o Relatório de Cibersegurança 2025 da Brasscom. O valor inclui despesas com investigação, recuperação dos sistemas, interrupção das operações, medidas jurídicas, comunicação aos usuários, multas e perdas de receita. No cenário global, o custo médio chegou a US$ 4,88 milhões por incidente.

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O problema também revela fragilidades na gestão de acessos e no uso da inteligência artificial. Conforme o Relatório de Custo de Violação de Dados 2025, da IBM, 97% das organizações que sofreram incidentes relacionados à IA não possuíam controles adequados de acesso. Outras 63% ainda não contavam com políticas para impedir o uso não autorizado da tecnologia, conhecido como shadow AI.

Em sentido contrário, organizações que aplicam IA amplamente em suas estratégias de segurança conseguem reduzir, em média, US$ 1,9 milhão dos custos provocados por uma violação, na comparação com empresas que ainda não utilizam essas ferramentas.

Para Douglas Barbosa, Head de Soluções Estratégicas e Alianças e especialista em identidade digital da Sec4U, o setor de saúde reúne condições que aumentam sua vulnerabilidade. Além do elevado volume de dados, hospitais e operadoras mantêm atividades críticas e atravessam um processo acelerado de digitalização.

Informações médicas, resultados de exames, dados biométricos e documentos pessoais possuem valor duradouro para os criminosos. Diferentemente de um cartão bancário, que pode ser bloqueado, esses dados podem continuar sendo usados em fraudes, roubo de identidade, extorsão e comércio ilegal.

A digitalização também ampliou o número de usuários e equipamentos com acesso aos sistemas. Além de funcionários, médicos e residentes, o ambiente envolve prestadores terceirizados, fornecedores, parceiros, aplicações automatizadas e dispositivos conectados. Cada nova integração representa mais um ponto que precisa ser protegido.

A inteligência artificial aumenta esse desafio. Dados obtidos junto ao Ministério da Saúde por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que o Sistema Único de Saúde possui 162 projetos com uso de IA, dos quais 84 estão em desenvolvimento e 78 foram concluídos. As iniciativas abrangem apoio ao diagnóstico de doenças, combate à desinformação e gestão dos serviços de saúde.

Segundo Barbosa, a resposta mais eficiente está na criação de programas permanentes de gestão de identidades digitais. O modelo deve definir os acessos necessários para cada usuário, automatizar a concessão e a retirada de permissões e manter monitoramento contínuo. A finalidade é impedir que credenciais legítimas sejam usadas por criminosos para entrar nos sistemas sem despertar suspeitas.

Com o aumento das ameaças, a proteção deixa de se concentrar apenas na infraestrutura tecnológica. A identidade digital passa a funcionar como uma nova fronteira da segurança, especialmente em um setor no qual a exposição de dados ou a paralisação dos serviços pode afetar diretamente o atendimento aos pacientes.

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