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Do sal ao açúcar, NE já vende menos ao país de Trump mesmo antes de novo tarifaço

Oito de nove estados da região venderam menos aos EUA no 1º semestre, mesmo em produtos isentos, segundo levantamento da CNI. RN lidera quedas no país. Calçados, açúcar e sal serão taxados em 25% no novo tarifaço de Trump
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  1. Rio Grande do Norte registra queda de 72% nas exportações para Estados Unidos no primeiro semestre.
  2. Sal nordestino será taxado em 25% pelos Estados Unidos a partir de 22 de julho deste ano.
  3. Oito dos nove estados nordestinos reduziram vendas aos EUA, exceto Paraíba com crescimento de 5,9%.
  4. Exportações brasileiras para mercado norte-americano recuaram 13%, equivalente a US$ 2,6 bilhões no período.
  5. Pescados e derivados de petróleo escaparam tarifa, mas vendas caíram mesmo sem aumento de impostos.
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Item estratégico de exportação do Rio Grande do Norte, o sal será taxado em 25% pelos Estados Unidos dentro do novo tarifaço anunciado pelo governo Trump. O estado foi o que mais reduziu as vendas de produtos, incluindo frutas tropicais, para os Estados Unidos no primeiro semestre. Foto: Fiern/Divulgação

Oito dos nove estados do Nordeste venderam menos para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A queda ocorre em cadeias inteiras da região, de frutas irrigadas a siderúrgicos, mesmo antes da entrada em vigor da tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano em 15 de julho, com vigência a partir de 22 de julho. O Rio Grande do Norte registrou a maior queda percentual entre todos os 27 estados da Federação, com retração de 72%. A Paraíba foi a única exceção no Nordeste, com crescimento de 5,9%. A nova tarifa, que incide sobre calçados, açúcar e sal, entre outros itens produzidos na região, tende a pressionar ainda mais o acesso nordestino ao mercado norte-americano.

A retração nordestina acompanha o cenário nacional. As exportações brasileiras para o mercado dos EUA recuaram 13% no período, o equivalente a US$ 2,6 bilhões, segundo a CNI. Os nove estados do Nordeste somaram US$ 1,25 bilhão em vendas aos Estados Unidos no semestre, segundo dados individuais do levantamento. A queda atingiu especialmente bens industriais, com redução de 8,7% nas vendas de semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço.

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No Nordeste, o Rio Grande do Norte exportou apenas US$ 27,0 milhões entre janeiro e junho, o pior desempenho entre todos os estados da Federação. O estado é um dos maiores exportadores brasileiros de frutas irrigadas, como melão, melancia e mamão, e de pescados, como lagosta, atum e camarão. Pescados e derivados de petróleo, que concentram parte relevante da pauta potiguar com os EUA, ficaram na lista de exceções do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e não são afetados pela tarifa de 25%, mas as vendas caíram mesmo assim. Já o sal, outro item estratégico do estado, será taxado.

Segundo Airton Torres, presidente do Sindicato das Indústrias de Extração do Sal do RN, as exportações da indústria salineira operam em regime “pontual” desde o tarifaço de 2025, sem espaço para contratos de médio e longo prazo. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, afirmou que o primeiro anúncio de tarifas já havia gerado incertezas em setores estratégicos da economia potiguar, especialmente pesca e sal.

Isenção não impediu queda das exportações nordestinas aos EUA

A maior parte dos principais produtos que o Nordeste exporta para os Estados Unidos ficou de fora da tarifa de 25%. O USTR isentou carne bovina, café, laranja, suco de laranja, hidróxido de alumínio (alumina), ferro-gusa, lagosta, atum, tilápia, mel orgânico, couros, celulose e frutas, entre outros itens. A justificativa foi evitar desabastecimento e perturbações na economia norte-americana, segundo o documento publicado na quinta-feira (16).

Em Sergipe, que destina 52,3% de suas exportações ao mercado dos EUA, a pauta com o país é concentrada em suco de laranja congelado, que respondeu por até 78% das vendas externas em meses de 2026, segundo o Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES), com base no ComexStat. Suco de laranja está na lista de exceções e não será tributado pela nova tarifa. Ainda assim, o estado exportou US$ 94,3 milhões no semestre e acumulou queda de 35,9%.

O mesmo padrão se repete no Maranhão, onde alumina e alumínio, produzidos pela Alumar em São Luís, são os principais itens da pauta exportadora. Hidróxido de alumínio foi incluído entre as exceções do USTR. Mesmo isento, o estado registrou retração de 0,6%, a menor do Nordeste, e exportou US$ 332,9 milhões. Os EUA absorvem 14,8% das vendas externas maranhenses.

A Bahia vendeu US$ 373,2 milhões ao mercado norte-americano, com queda de 14,0%. Celulose, derivados de cacau e sucos de frutas representam mais de 80% da pauta baiana com os EUA, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb). Celulose e frutas estão isentas. As três maiores fábricas processadoras de manteiga de cacau do país ficam em Ilhéus, e os Estados Unidos são o principal destino do produto.

Calçados e açúcar na mira da tarifaço

Enquanto produtos primários e insumos industriais ficaram de fora da sobretaxa, o USTR manteve a tarifa de 25% sobre calçados, vestuário, açúcar, etanol, máquinas agrícolas e industriais, papel e produtos químicos não farmacêuticos. No Ceará, segundo maior exportador de calçados do Brasil, o segmento já acumulava queda de 27,3% nos quatro primeiros meses de 2026, segundo o Diário do Nordeste. A pauta cearense com os EUA é concentrada em produtos siderúrgicos da ArcelorMittal Pecém, que responderam por 46% das exportações do estado no início do ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No total, o Ceará exportou US$ 349,8 milhões para os EUA no semestre, com retração de 36,9%. Em resposta à pressão tarifária, o estado redirecionou embarques: o México não figurava entre os dez maiores compradores cearenses em 2025 e se tornou o terceiro destino, com US$ 47 milhões entre janeiro e maio, alta de mais de nove vezes, segundo o MDIC.

Pernambuco exportou US$ 35,9 milhões, com perda de 33,4%. A pauta do estado para os EUA inclui mangas frescas (isentas), além de açúcar de cana e uvas, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE). Açúcar está entre os produtos sujeitos à tarifa de 25%.

A Paraíba foi o único estado do Nordeste com crescimento: 5,9%, com US$ 10,3 milhões exportados. O mercado norte-americano absorve 15,8% das vendas externas paraibanas, com destaque para calçados, que ficam sujeitos à nova tarifa, e lagosta, que ficou isenta.

Alagoas teve retração de 64,9% e exportou US$ 15,5 milhões. Piauí recuou 17,7%, com US$ 11,6 milhões vendidos ao mercado dos EUA.

Tarifa pode ampliar perdas em cadeia já fragilizada

Segundo a CNI, a tarifa de 25% incide sobre aproximadamente 4 mil produtos e atinge 26,2% das vendas brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 11 bilhões. A entidade informou que 60,3% das exportações atingidas são bens intermediários utilizados pela indústria norte-americana. O Brasil é o principal fornecedor dos EUA em 10 dos 13 principais produtos alcançados pela sobretaxa.

A CNI alertou para uma segunda investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, que pode resultar em tarifa adicional de 12,5%, elevando a tributação total sobre parte dos produtos brasileiros para 37,5%. “Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban.

*Com informações da CNI

Leia mais: Nordeste tarifado: etanol e calçados pagam 25%, mas mel e frutos do mar escapam

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