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Governo adia fim do desconto na gasolina após instabilidade no preço do petróleo

​Ministro da Fazenda indica que decisão sobre o corte na ajuda no valor da gasolina na bomba foi postergada para a próxima semana devido às tensões no Irã
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  1. Ministério da Fazenda adia anúncio sobre fim do subsídio de gasolina para próxima semana devido volatilidade internacional.
  2. Barril Brent atingiu US$ 80 após ataques americanos contra Irã, alterando cenário econômico previsto pelo governo.
  3. Retirada do subsídio pode ser parcial ou total, conforme comportamento dos preços internacionais do petróleo nos próximos dias.
  4. Aumento de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% será implementado conforme previsto, não afeta outras decisões.
  5. Elevação do percentual de biodiesel no diesel depende de estudos técnicos para garantir segurança dos veículos envolvidos.
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A equipe econômica pretendia anunciar a retirada do benefício sobre o combustível nesta semana, mas a instabilidade internacional forçou a reavaliação do cronograma. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, adiou para a próxima semana a retirada do subsídio de R$ 0,44 por litro sobre a gasolina após o barril de petróleo tipo Brent alcançar US$ 80 na quarta-feira (8), impulsionado por novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã. A decisão seria anunciada ainda nesta semana. Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta quinta-feira (9), Durigan afirmou que a revisão pode resultar em retirada parcial ou total do subsídio, a depender do comportamento dos preços internacionais.

“Nessa semana, eu ia anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo. Na semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, seja parcial ou totalmente como próximo passo”, declarou o ministro.

Os preços do petróleo subiram na quarta-feira (8) após os Estados Unidos lançarem novos ataques contra o Irã. A ofensiva levou o Brent a US$ 80 durante a cotação do dia. A subvenção de R$ 0,44 por litro havia sido criada em maio de 2026 por Medida Provisória, com teto de até R$ 0,8925 por litro, equivalente à soma de PIS, Cofins e Cide. O pagamento é feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) diretamente a produtoras e importadoras, com obrigação de repasse ao consumidor final.

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Biodiesel depende de estudo técnico

Durigan confirmou que o aumento do percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, será implementado nos próximos dias. A medida, conhecida como E32, dependia de aprovação em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) marcada para a quarta-feira (8), mas o encontro foi suspenso em razão dos ataques no Oriente Médio.

“Como nós estávamos com uma mudança nos indicadores e nos preços durante o início da reunião, a gente vai aguardar para ver se tem alguma outra medida que seria necessária durante o CNPE. Isso não afeta a decisão do E32”, afirmou o ministro.

Sobre a elevação do percentual de biodiesel no diesel, de 15% para 16%, Durigan condicionou a decisão a estudos técnicos do Ministério de Minas e Energia que assegurem a segurança da nova mistura para os veículos.

A medida integra o conjunto de ações do governo para ampliar a participação de biocombustíveis na matriz energética, mas tem cronograma independente das decisões sobre subvenção e mistura de etanol.

Política de subvenções ao diesel e à gasolina

A escalada do conflito no Oriente Médio já havia motivado, em março, a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel e a edição da MP 1.340, com subvenção de R$ 0,32 por litro do diesel. Na ocasião, o barril operava em torno de US$ 100.

Apesar do cenário adverso, o chefe da pasta da Fazenda sinalizou que sua intenção para a próxima semana é avançar com a retirada do desconto, seja de forma parcial ou total, como o próximo passo da agenda de consolidação fiscal.

​A estratégia de reversão gradual dos auxílios aos combustíveis começou a ser executada na semana passada, quando o Palácio do Planalto extinguiu o desconto de R$ 0,35 por litro de diesel.

A equipe econômica planejava seguir o mesmo caminho com a segunda parcela de ajuda do diesel, fixada em R$ 1,12, e com o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina, condicionando a normalização dos preços ao comportamento do mercado externo.

​Pressão no Congresso e a reação do setor de etanol

​A decisão de segurar o corte do subsídio também deve balizar as negociações do Poder Executivo com o Congresso Nacional. A demora na definição do tema gerou reações no Legislativo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), alertou lideranças partidárias sobre a possibilidade de pautar um projeto de lei complementar para compensar perdas de arrecadação caso a retirada do benefício não seja concluída pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

​Esse projeto de lei complementar, enviado originalmente pelo próprio governo federal, transformou-se em um foco de disputa política após receber diversas emendas parlamentares voltadas ao agronegócio e ao mercado de biocombustíveis.

A principal demanda do setor de etanol é assegurar o diferencial competitivo do combustível verde em relação aos derivados de petróleo, conforme prevê o texto constitucional.

​Histórico dos subsídios aos combustíveis no Brasil

​A concessão de descontos e as desonerações sobre os combustíveis no Brasil ganharam força em 2022, durante a gestão anterior, como uma medida temporária para conter a inflação histórica provocada pela guerra na Ucrânia e pela paridade de preços internacionais.

Desde 2023, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva promove um processo gradual de reonerar as alíquotas e extinguir as ajudas diretas para tentar recompor a base de arrecadação do Estado.

​O impasse atual gira em torno do custo fiscal dessas medidas protetivas e do equilíbrio de mercado. Os produtores de etanol alegam que o preço artificialmente baixo da gasolina retira a competitividade do biocombustível nas bombas, quebrando a paridade necessária para sustentar as usinas nacionais.

Leia também: Governo adia decisão sobre etanol na gasolina e mantém pressão no setor no NE

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