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Ceará está entre os estados com mais barragens em situação crítica no Brasil

O Relatório de Segurança de Barragens aponta que o país tem 213 estruturas com risco de acidentes, com destaque para a vulnerabilidade em solo cearense
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  1. Ceará integra lista de estados brasileiros com barragens em situação crítica, conforme Relatório de Segurança de Barragens 2026.
  2. Das 14 mil barragens no Brasil, 213 apresentam risco iminente de acidentes com potencial para atingir populações ou infraestrutura.
  3. Estado cearense registra 12 barragens com prioridade máxima de recuperação, divididas em anomalia grave e acúmulo de anomalias menores.
  4. Seis reservatórios cearenses classificados com anomalia grave: Poço Verde, Vieirão, São José I, Jaburu I, Rivaldo de Carvalho e Gameleira.
  5. Setor de mineração lidera estruturas prioritárias no Brasil com 55 unidades, seguido por redes de abastecimento de água com 51 estruturas.
Barragem de Trapiá III, em Coreaú, Ceará
Trapiá III, também em Coreaú, passou por intervenção e deixou a lista de risco. O reservatório recebeu sistema de drenagem, além de poços e alívio. Foto: RASB/Cogerh

O Ceará desponta nacionalmente como um dos estados com maior destaque negativo no volume de estruturas prioritárias para gestão de segurança hídrica. A informação consta no Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). De acordo com o levantamento federal, o território cearense divide o topo dessa lista de alerta com os estados de Mato Grosso e São Paulo.

​Em todo o Brasil, das mais de 14 mil barragens contabilizadas, 213 apresentam risco iminente de acidentes, com potencial para atingir populações locais ou colapsar equipamentos de infraestrutura relevante, como estradas e pontes.

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O diagnóstico aponta que, em âmbito nacional, o setor de mineração lidera a lista de estruturas prioritárias com 55 unidades (26%), seguido de perto pelas redes dedicadas ao abastecimento de água da população, que somam 51 estruturas (24%) em situação semelhante.

​No recorte estadual, o monitoramento local detalha as deficiências estruturais específicas na região. De acordo com o mais recente Relatório Anual de Segurança de Barragens (RASB), elaborado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) com base em inspeções realizadas em 85 reservatórios em 2025, o Estado registra 12 barragens com “prioridade máxima” de recuperação.

​Divisão dos reservatórios cearenses em alerta máximo

A gravidade das estruturas mapeadas pela Cogerh no Ceará divide as 12 barragens em duas categorias técnicas de risco. No primeiro grupo, o órgão estadual enquadra as barragens classificadas com “anomalia grave”.

Estão inseridos nessa lista os reservatórios de Poço Verde (Itapipoca), Vieirão (Boa Viagem), São José I (Boa Viagem), Jaburu I (Ubajara), Rivaldo de Carvalho (Catarina) e Gameleira (Itapipoca).

​O segundo grupo mapeado pela companhia hídrica estadual envolve os reservatórios sob risco “por acúmulo de anomalias menores”. Nessa situação de desgaste progressivo, encontram-se as estruturas de Angicos (Coreaú), Batente (Ocara), Amarelas (Beberibe), Carmina (Catunda), Missi (Miraíma) e Martinópole (Martinópole).

​As estruturas brasileiras consideradas prioritárias para gestão de segurança são aquelas que, de acordo com a ANA, apresentam problemas de conservação ou para as quais os empreendedores não cumpriram todos os requisitos de segurança exigidos na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).

“As barragens que se enquadram na PNSB, a Lei nº 12.334/2010, são aquelas que possuem pelo menos uma das seguintes características: capacidade total maior que 3 milhões de metros cubicós (equivalente a 3 milhões de caixas d’água), reservatório que contenha resíduos perigosos, Dano Potencial Associado (DPA) médio ou alto ou altura do maciço (parede) da barragem maior que 15 metros”, informa a ANA.

​Lento avanço regulatório e o histórico de acidentes

O relatório nacional joga luz sobre o lento avanço na implementação da legislação de segurança. Embora o cadastro geral de estruturas no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB) tenha saltado de 28.085 em 2024 para 29.761 em 2025, um total de 14.355 barragens (48%) permanece com a situação classificada como indefinida.

Isso ocorre porque os 33 órgãos cadastradores do país omitiram informações essenciais para enquadrar os reservatórios na lei.

​O perigo dessas lacunas técnicas se materializou em dados estatísticos recentes do próprio monitoramento da agência reguladora. O relatório aponta ainda que, em 2025, aconteceram 18 acidentes e 23 incidentes com barragens no país, sem mortes. Houve, porém, evacuação de áreas urbanizadas e danos em estradas e pontes. Nos acidentes, as estruturas das barragens colapsaram, enquanto nos incidentes elas são afetadas, com risco de rompimentos.

​Do universo de quase 30 mil barragens registradas no Brasil, somente 52% estão devidamente classificadas pelas autoridades reguladoras. Desse montante consolidado, 8.797 estruturas estão em condições consideradas adequadas.

Em contrapartida, outras 6.609 barragens ou possuem Dano Potencial Associado alto ou médio ou já são classificadas diretamente dentro da Categoria de Risco alto.

​Queda no número de fiscais agrava cenário de prevenção

A reversão desse quadro de vulnerabilidade esbarra no enfraquecimento das equipes de fiscalização em campo e de análise documental. Pela primeira vez desde o acidente com a barragem de Brumadinho, em 2019, houve queda no número de profissionais que atuam na fiscalização de barragens.

Nas 33 instituições que desempenham esse papel de fiscalização há 333 profissionais trabalhando com essa temática, sendo 161 (48%) exclusivamente dedicados à segurança de barragens e 172 (52%) profissionais que dividem essa atuação com outras atividades.

​No ano de 2025, o mercado de trabalho regulatório contava com 23 profissionais a mais na ativa. O déficit atual para a formação das equipes mínimas recomendáveis em 28 dos 33 órgãos atuantes é de ao menos 221 profissionais dedicados exclusivamente à função.

Para mitigar a falta de pessoal, o setor tem ampliado as vistorias remotas em detrimento das visitas presenciais aos locais de risco.

​Mesmo com esse número de profissionais abaixo do adequado, as fiscalizações em segurança de barragens aumentaram entre 2024 e 2025 tanto para aquelas realizadas com visitas de campo quanto para as baseadas em checagens de documentos.

Nesse período as fiscalizações em campo subiram de 2.859 para 2.924 (um aumento de 2%) e as fiscalizações documentais passaram de 3.162 para 4.712 (um incremento de 49%), aponta a ANA, destacando o esforço dos profissionais do setor no envio das informações para o Congresso Nacional.

Com informações da Agência Brasil.

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