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Da primeira capital ao sertão industrial: Alagoas ganha nova rota turística

Lei federal cria rota com sete cidades históricas e aposta no patrimônio colonial, cultural e natural para interiorizar o fluxo de visitantes no estado
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  1. Alagoas oficializa Rota Cidades Coloniais com sete municípios para ampliar turismo interiorizado no estado.
  2. Lei 15.444 assinada por Lula e ministro do Turismo estabelece apoio federal direto ao planejamento e divulgação da rota.
  3. Rota integra Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, Delmiro Gouveia, União dos Palmares, Porto Calvo e Água Branca.
  4. Maceió eleita cidade mais vendida do Brasil e Alagoas terceiro estado mais vendido em 2025.
  5. Marechal Deodoro preserva importante patrimônio colonial com igrejas barrocas, conventos e casarões dos séculos XVII e XVIII.
Marechal Deodoro abriga conjunto arquitetônico e integra nova rota turística
Conjunto Franciscano de Santa Maria Madalena, em Marechal Deodoro, conta parte da história colonial de Alagoas e pode ser visitado em nova rota turística. Foto: Kaio Fragoso

Alagoas ganhou de forma oficial mais uma rota turística que vai permitir ampliar e interiorizar o fluxo de visitantes em cidades coloniais do estado. A Rota Cidades Coloniais Alagoanas tem como objetivo promover o turismo de aventura, de natureza e histórico em sete cidades que contam a história do estado, indo da colonização portuguesa ao ciclo da navegação no São Francisco, passando pela resistência negra e pela industrialização do sertão.

A Lei 15.444 foi assinada nesta segunda-feira (30) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e inclui as cidades de Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, Delmiro Gouveia, União dos Palmares, Porto Calvo e Água Branca.

Com a nova legislação, o governo federal passa a apoiar diretamente programas oficiais, via Ministério do Turismo, voltados ao planejamento, à divulgação e à estruturação das atrações locais, com foco no fortalecimento do turismo, de forma integrada.

“Os sete municípios que fazem parte da rota guardam um patrimônio arquitetônico, material e imaterial riquíssimo. Agora, nosso papel é transformar esse imenso potencial, levando mais turistas para a região, estruturando, qualificando e promovendo esse roteiro, o que vai gerar mais emprego e renda para o povo alagoano”, disse o ministro do Turismo.

Cidade de Penedo, em Alagoas, terá aeroporto para aeronaves de pequeno porte
Centro Histórico de Penedo foi tombado pelo Iphan em 1995 e reúne conjunto de casarios e igrejas do período colonial brasileiro. Foto: Divulgação

Nova rota destaca destinos alagoanos além do sol e mar

Alagoas e a capital Maceió ganharam grande relevância no portfólio nacional de operadoras turísticas. No anuário divulgado pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Maceió foi eleita a cidade mais vendida do país e Alagoas figurou como o terceiro estado mais vendido pelas operadoras de turismo em 2025.

Mas além dos roteiros clássicos de sol e mar, diversas alagoanas têm apostado em seu potencial turístico para atrair visitantes. Marechal Deodoro, que fica na Região Metropolitana, integra a nova rota e geralmente é vinculada aos pacotes de viagens pela famosa Praia do Francês. A nova rota turística abre a oportunidade para turistas conhecerem o lado histórico da cidade que foi a primeira capital de Alagoas.  

Fundada em 1611, a cidade preserva um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais importantes do Nordeste, com igrejas barrocas, conventos e casarões dos séculos XVII e XVIII tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O município abriga o Conjunto Franciscano de Santa Maria Madalena, cuja construção começou em 1684, além da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e do Palácio Provincial (1836). Há ainda a opção de visitação da casa onde viveu Marechal Deodoro da Fonseca e dezenas de casarões dos séculos XVIII e XIX, que demonstram a influência portuguesa durante o período de colonização do país.

Museu do Paço Imperial em Penedo rota turística
Museu do Paço Imperial, no Centro histórico de Penedo, reúne acervo do século XVIII e fica às margens do Rio São Francisco. Foto: Kaio Fragoso

No Sul do estado, Penedo possui um grande acervo colonial e seu centro histórico é tombado pelo Iphan desde 1995. Entre os destaques estão o Convento e Igreja de Santa Maria dos Anjos (século XVII), a Igreja de Nossa Senhora das Correntes (1729), a Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos (1759), o Theatro Sete de Setembro (1884), o Paço Imperial, além do casario colonial às margens do Rio São Francisco.

A cidade é banhada pelo Rio São Francisco e em fevereiro deste ano, a Azul Viagens anunciou que vai inserir a cidade em seu portfólio de destinos do estado. A entrada no portfólio acontece também como estratégia para desenvolver o turismo no Litoral Sul de Alagoas. O grupo hoteleiro Vila Galé por exemplo, avalia a possibilidade de investir na construção de um hotel na cidade histórica.

Cidade de Piranhas rota das cidades coloniais
Piranhas, às margens do Rio São Francisco, também integra rota das Cidades Coloniais em Alagoas e preserva elementos históricos e belezas naturais. Foto: Prefeitura de Piranhas

Sertão colonial conta história do desenvolvimento comercial

Seguindo a rota pelo Rio São Francisco, a cidade de Piranhas tem seu patrimônio histórico ligado à navegação fluvial e à chegada da ferrovia, que transformaram o município em um importante entreposto comercial do sertão.

O Iphan tombou o conjunto arquitetônico da cidade em 2003 e na cidade é possível visitar o casario colorido datado do século XIX e XX, o Mirante Secular, o centro histórico e o Museu do Sertão. O cangaço é outro laço histórico forte no município, que possui uma rota específica, que leva os visitantes à Grota de Angicos, local da emboscada final de Lampião e Maria Bonita. A cidade também está na rota do passeio pelo Velho Chico que leva aos Cânions.

Delmiro Gouveia representa o capítulo da industrialização do sertão. Foi ali que o empresário Delmiro Gouveia implantou, no início do século XX, a Vila Operária da Pedra e a Usina Hidrelétrica de Angiquinho, inaugurada em 1913, considerada a primeira hidrelétrica do Nordeste.

Hoje a cidade trabalha em um projeto conjunto com a Infra S.A. para resgatar a linha férrea que liga a cidade à Piranhas Olho D’Água do Casado. A ferrovia do Imperador tem origem histórica datada de 1859, quando Dom Pedro II percorreu o Rio São Francisco e foi de Piranhas a Paulo Afonso, na Bahia, de cavalo. Posteriormente, ele autorizou que a estrada que ele percorreu fosse transformada em ferrovia, que ligaria Piranhas a Jatobá, em Pernambuco. A ferrovia, de fato, funcionou entre 1881 e 1964, quando foi desativada.

União dos Palmares, Quilombo dos Palmares
Quilombo dos Palmares, em União dos Palmares, é para obrigatória para visitantes que passam pelo município; Parque Memorial Zumbi dos Palmares é patrimônio cultural do Brasil. Foto: Thiago Sampaio

Território da resistência negra

A cidade de União dos Palmares, na Zona da Mata alagoana, preserva um dos maiores símbolos da resistência à escravidão nas Américas. Na Serra da Barriga funcionou o Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi, considerado o maior quilombo do período colonial brasileiro.

Hoje, o sítio arqueológico é reconhecido como patrimônio cultural brasileiro e integra a lista de Patrimônio Cultural do Mercosul, consolidando-se como um dos principais destinos de turismo histórico e de memória do país.

O espaço recebe anualmente uma média de visitantes que varia entre 15 mil e 30 mil pessoas, em especial no mês de novembro, quando ocorrem celebrações em alusão à Consciência Negra.

Os visitantes podem observar réplicas de casas e outras estruturas utilizadas pelos quilombolas na época de Zumbi dos Palmares, oferecendo recursos em áudio e experiências imersivas, como os óculos de realidade virtual, fruto de uma parceria com o TikTok.

Rota turística Porto Calvo
Monumento em homenagem a Domingos Calabar foi erguido em ponto onde ocorreu confronto entre portugueses e holandeses no século XVII. Foto: Prefeitura de Porto Calvo

Calabar e a expansão para o Alto Sertão

A cidade de Porto Calvo, uma das cidades mais antigas do estado, preserva igrejas coloniais, casarões históricos e cenários ligados às invasões holandesas e à trajetória de Domingos Fernandes Calabar.

Nascido na região, Calabar inicialmente combateu ao lado dos portugueses durante as invasões holandesas, mas em 1632 passou a apoiar os holandeses, tornando-se peça estratégica nas disputas pelo controle do Nordeste. Capturado dois anos depois, foi executado sob acusação de traição.

Sua história permanece na cidade por meio de monumentos e no cenário onde ocorreram confrontos entre portugueses e holandeses em Alagoas. Há ainda igrejas coloniais, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação (século XVII) e ruínas de casarões.

Cidade de Água Branca Alagoas
Água Branca, no Alto Sertão de Alagoas, conserva igreja e casarios da época de sua fundação. Foto: Divulgação

No Alto Sertão de Alagoas, Água Branca conserva em sua região central igrejas, casarios, casa do Barão de Água Branca, Praça de Nossa Senhora do Rosário, Praça da Matriz e Praça Fernandes Lima.

A fundação da cidade tem ligação com irmãos portugueses da família Vieira Sandes, que dominaram a região com fazendas de gado. A cidade também deu origem ao município de Delmiro Gouveia, com o desmembramento do Distrito Pedra, em 1943.

Leia mais: Fé vira roteiro turístico e movimenta o Agreste alagoano em nova rota regional

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