
O Comércio do Nordeste abriu 2.224 vagas formais em maio, superando sozinho o saldo registrado pelo setor em todo o país, que terminou o mês com apenas 40 novos postos de trabalho. O resultado foi possível porque o desempenho da região compensou perdas registradas em outras partes do Brasil e contribuiu para que o Nordeste encerrasse o mês com 23.351 empregos formais criados, a maior expansão proporcional entre as cinco regiões brasileiras, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os dados completos estão disponíveis no Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET), no site do MTE.
Nos cinco primeiros meses de 2026, o Nordeste acumulou 94.684 vagas com carteira assinada, consolidando o segundo maior saldo do país, atrás apenas do Sudeste. O desempenho foi sustentado principalmente pelos setores de Serviços e Construção, enquanto a Bahia respondeu por quase metade dos empregos criados na região. Na outra ponta, Alagoas permaneceu como o único estado nordestino com saldo negativo no período, acumulando perda de 11.240 postos formais.
Em todo o país, maio terminou com saldo de 72.960 empregos formais, resultado de 2,20 milhões de admissões e 2,13 milhões de desligamentos. Com isso, o Brasil alcançou 767.326 vagas abertas entre janeiro e maio, elevando o estoque para mais de 47,8 milhões de vínculos formais. O salário médio de admissão ficou em R$ 2.384,10 no país, enquanto no Nordeste alcançou R$ 2.065,69, o menor entre as cinco regiões.
Na janela de 12 meses, entre junho de 2025 e maio de 2026, o Nordeste abriu 310.370 empregos formais, crescimento de 4,04% sobre o estoque de trabalhadores, a maior variação proporcional do país. O acumulado de 94.684 vagas entre janeiro e maio corresponde a aproximadamente 12% dos empregos criados nacionalmente no período. Apenas em maio, os 23.351 postos da região representaram quase um terço do saldo brasileiro.

Comércio supera desempenho nacional
O desempenho do Comércio foi um dos principais destaques do levantamento. Enquanto o setor registrou saldo líquido de apenas 40 vagas em todo o Brasil, o Nordeste respondeu sozinho por 2.224 novos empregos, compensando os resultados negativos observados em outras regiões.
O saldo nacional só permaneceu positivo porque o desempenho nordestino neutralizou perdas registradas principalmente no Sul, que fechou o mês com 2.200 postos a menos, e no Centro-Oeste, onde foram eliminadas 1.279 vagas. Entre os estados nordestinos, oito dos nove registraram saldo positivo no comércio. Maranhão liderou com 783 vagas, seguido por Paraíba, com 485, e Ceará, com 444. Apenas Alagoas encerrou o mês com resultado negativo.
O avanço do comércio também marca uma mudança de trajetória na região. Pelos dados consolidados do Caged, o setor fechou janeiro e fevereiro no vermelho e voltou a abrir vagas a partir de março. Apesar da recuperação regional, o comércio continua sendo o único dos cinco grandes grupamentos econômicos com saldo negativo no acumulado nacional do ano, somando perda de 26.274 postos entre janeiro e maio.
Serviços e Construção sustentam o emprego
Embora o comércio tenha chamado atenção pelo desempenho comparativo, o maior volume de contratações no Nordeste continuou concentrado nos Serviços, responsáveis por 12.146 vagas em maio, mais da metade de todos os empregos criados na região no mês. A Construção veio em seguida, com 5.583 postos, seguida pela Indústria, com 2.677, e pela Agropecuária, com 724.
Dentro do setor de serviços, o maior saldo ficou com o segmento de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, responsável por 6.070 vagas. As áreas de administração pública, educação e saúde responderam por outras 4.011 contratações, enquanto transporte, armazenagem e correio acrescentaram 1.190 postos. O único segmento com retração foi alojamento e alimentação, que encerrou o mês com redução de 198 empregos.
No acumulado do ano, Serviços e Construção permanecem como os únicos grupamentos econômicos com saldo positivo no Nordeste. Agropecuária, Indústria e Comércio ainda apresentam resultado negativo entre janeiro e maio quando considerada a soma mensal dos dados do Caged.
Bahia amplia liderança regional
A Bahia liderou a geração de empregos formais no Nordeste tanto em maio quanto no acumulado do ano. No mês, o estado abriu 7.159 vagas, à frente de Pernambuco, com 5.894, e do Ceará, com 3.421. Também registraram saldo positivo Paraíba (2.012), Piauí (1.999), Maranhão (1.955) e Sergipe (877). O Rio Grande do Norte criou apenas 109 vagas, enquanto Alagoas foi o único estado nordestino com resultado negativo em maio, perdendo 75 postos.
Entre janeiro e maio, a distância entre os estados aumentou. A Bahia acumulou 45.294 empregos formais, quase metade de todas as vagas abertas na região no período. Em seguida aparecem Ceará, com 19.033 postos, Pernambuco, com 14.724, Maranhão, com 9.936, Piauí, com 8.432, Sergipe, com 4.196, e Paraíba, com 4.094. O Rio Grande do Norte praticamente manteve estabilidade, com saldo de 215 vagas, enquanto Alagoas acumulou perda de 11.240 empregos, permanecendo como o único estado nordestino no vermelho.
Explicações para os resultados
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu o desempenho negativo observado em estados como Alagoas à sazonalidade das atividades agropecuárias. No caso do Rio Grande do Sul, que registrou o pior saldo do país em maio, o ministério relacionou a retração ao encerramento da safra e aos impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre setores como couro e calçados.
Durante a divulgação dos dados na terça-feira (30), o ministro também comentou a participação de beneficiários do Bolsa Família no mercado formal de trabalho. Segundo Luiz Marinho, entre janeiro e abril deste ano foram contratadas 1.451.616 pessoas inscritas no programa, enquanto 1.030.000 tiveram seus contratos encerrados, resultando em saldo positivo de 421 mil trabalhadores. Os números referem-se ao conjunto do país e não possuem recorte específico para o Nordeste.
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