
A partir de 1º de julho, consumidores que se conectam diretamente à rede de transmissão no Nordeste poderão pagar menos pelo uso do sistema. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu o cálculo das Receitas Anuais Permitidas (RAP) das transmissoras e das Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) para o ciclo 2026/2027, com vigência de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027. Pela nova metodologia adotada, regiões que produzem mais energia do que consomem, como o Nordeste, tendem a receber sinais tarifários mais favoráveis, o que a agência avalia como estímulo à atração de indústrias e projetos intensivos em energia para a região.
O impacto médio para o consumidor final em ambiente de distribuição é de 1,1%, mesmo com as receitas das transmissoras crescendo 9,41% no período, para R$ 54,95 bilhões. O cálculo envolveu 356 contratos de concessão de 258 empresas. A receita total do processo tarifário, que inclui obras previstas e custos operacionais do sistema, subiu de R$ 51,6 bilhões para R$ 56,5 bilhões.
O resultado mais contido na tarifa final decorre de ajustes na forma como a Aneel distribui os custos de transmissão entre as regiões do país. Desde o ciclo anterior, a agência vem migrando para um modelo que considera a realidade elétrica de cada região, e não apenas uma média nacional. Neste ciclo, o peso regional chegou a 60% do cálculo, contra 40% do cenário nacional.
A série histórica da TUST-RB média reforça a tendência. A tarifa média de consumo recuou de R$ 15,37/kW no ciclo 2025/2026 para R$ 15,23/kW no atual, mantendo distância do pico de R$ 17,99/kW registrado em 2020/2021. A tarifa média de geração subiu levemente, de R$ 10,57/kW para R$ 10,93/kW, mas permanece dentro da banda de estabilidade observada desde 2022.

Mapas da Aneel apontam Nordeste como destino de investimento
Quem produz energia em excesso, como o Nordeste com seus parques eólicos e solares, passa a ter tarifa menor para atrair consumidores de grande porte. Quem pressiona a expansão das linhas de transmissão paga mais, proporcional ao custo que impõe ao sistema. A metodologia redistributiva busca equilibrar a expansão da geração com a atração de cargas para onde a energia já existe.
Os mapas de distribuição da TUST divulgados pela Aneel ilustram o efeito. No mapa para consumidores, o Nordeste concentra os pontos em tons mais claros, com tarifas próximas ao piso de R$ 3,67/kW, enquanto Sul e Sudeste acumulam os valores mais altos, acima de R$ 10,66/kW. No mapa para geradores, o padrão se inverte: o Sul aparece em verde, com tarifas próximas ao piso de R$ 5,68/kW, enquanto o Nordeste concentra pontos em laranja e vermelho, aproximando-se do teto de R$ 19,49/kW. Para consumidores de grande porte, o Nordeste é a região mais barata do país.
A transmissão é a infraestrutura que viabiliza esse movimento: sem expansão da rede, a integração das fontes renováveis ao Sistema Interligado Nacional e a segurança do suprimento ficam comprometidas. A nova metodologia foi homologada pela Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR) pela primeira vez neste ciclo, nos termos da Portaria Aneel nº 7.065/2026. Antes, a competência era da diretoria colegiada da agência. Para a Aneel, a mudança reduz o tempo de processamento e aumenta a previsibilidade dos processos tarifários.
Leia mais: Em peleja de quase 30 anos, Piauí busca R$ 3,5 bi por privatização de energia









