
O Semiárido brasileiro tem agora a sua primeira estrutura dedicada exclusivamente à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação em energias renováveis. O Centro de Tecnologia em Energias Renováveis do Semiárido (CTERSA), instalado no Instituto Nacional do Semiárido (INSA), em Campina Grande (PB), teve sua sede administrativa inaugurada na sexta-feira (19) com investimento de R$ 34 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), viabilizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). As pesquisas se concentrarão em cinco frentes estratégicas: energia solar, energia eólica, biomassa, biocombustíveis e hidrogênio de baixo carbono.
O complexo ocupa mais de 2.200 m² distribuídos entre áreas administrativas e laboratórios especializados voltados ao desenvolvimento de pesquisas aplicadas, formação de recursos humanos e geração de tecnologias para o aproveitamento sustentável dos recursos energéticos do Semiárido. Além das cinco frentes principais, o CTERSA desenvolverá estudos em dessalinização, automação de processos, economia circular, captura de carbono e gestão inteligente de energia.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, presente à cerimônia, destacou ao INSA a importância dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação para o fortalecimento das capacidades nacionais diante da transformação da matriz energética mundial. Para a ministra, o CTERSA representa um investimento estratégico na produção de conhecimento, no desenvolvimento tecnológico e na formação de profissionais qualificados para os desafios do futuro.

Hub de inovação para o Semiárido
O diretor do INSA e do CTERSA, Etham Barbosa, que precisou se ausentar antes da chegada da ministra por compromissos previamente agendados, enviou mensagem lida pela diretora substituta Dilma Trovão. No texto, destacou que o Semiárido reúne algumas das melhores condições do mundo para a produção de energias renováveis e que o principal objetivo do centro é transformar esse potencial em conhecimento, inovação e oportunidades para a população da região, segundo o INSA. O reitor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Camilo Farias, classificou a inauguração como uma escolha institucional — “a escolha de continuar investindo no conhecimento, na ciência e na capacidade transformadora da universidade”, declarou ao MCTI.
O CTERSA integra uma estratégia mais ampla do MCTI para consolidar o Semiárido como polo de inovação em energias renováveis. Entre as iniciativas associadas está a Agenda Estratégica para 2032, que mapeou mais de 300 ações voltadas ao desenvolvimento da energia solar, eólica, de biomassa e de hidrogênio de baixo carbono. Para os próximos anos, o centro também prevê o mapeamento dos potenciais energéticos do Semiárido, o desenvolvimento de plataformas tecnológicas de monitoramento e a criação do Conselho de Energia do Semiárido, segundo o INSA.
O CTERSA já inicia suas atividades com resultados concretos por meio do Programa Vértice, iniciativa de aceleração de deeptechs em energias renováveis que mobilizou pesquisadores e instituições de diversos estados do Semiárido. Os projetos classificados participam de etapas de capacitação que antecedem a seleção das iniciativas a receberem apoio para transformar conhecimento científico em soluções de aplicação prática, segundo o INSA. O programa opera em rede com cerca de 25 universidades e instituições de pesquisa.

Semiárido na vanguarda da matriz limpa
A pesquisadora em energias renováveis do INSA e integrante do CTERSA, Maria Helena de Sousa, destaca que o Nordeste passou, em pouco mais de duas décadas, de importador a exportador de energia elétrica, com geração majoritariamente baseada em fontes renováveis, especialmente solar e eólica. Para ela, a continuidade desse avanço depende de investimentos permanentes em pesquisa científica, planejamento energético e desenvolvimento tecnológico. O coordenador técnico do CTERSA, Valdemir Brito, reforça que o centro foi concebido para atuar de forma integrada em diferentes fontes renováveis, com atenção especial a biomassa, biocombustíveis e hidrogênio — segmentos considerados promissores para a economia de baixo carbono, segundo o INSA.
Em 2024, as fontes limpas responderam por 88,2% da oferta interna de eletricidade do Brasil, segundo o INSA. A geração solar fotovoltaica avançou 39,6% em relação ao ano anterior, enquanto a eólica cresceu 12,4%, com protagonismo direto dos empreendimentos nordestinos nos dois segmentos. A intensidade de carbono da eletricidade brasileira é cerca de dez vezes menor que a da China e aproximadamente quatro vezes inferior à registrada na Europa e nos Estados Unidos, segundo o INSA.
O CTERSA se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, em especial o ODS 7 (Energia Acessível e Limpa), ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), ODS 13 (Ação Contra a Mudança do Clima) e ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação), reforçando a missão institucional do INSA de produzir conhecimento científico e tecnológico para o desenvolvimento sustentável da região.
Rede institucional e investimento na Paraíba
A consolidação do CTERSA é resultado de uma ampla rede de cooperação construída ao longo de sua implantação. Entre os principais parceiros estão a Finep, a UFCG, a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) e as Fundações de Amparo à Pesquisa dos estados do Nordeste, segundo o INSA. A cerimônia de inauguração reuniu ainda o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, e o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq-PB), Cláudio Furtado.
Entre 2023 e 2025, o MCTI destinou mais de R$ 513 milhões para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação na Paraíba, segundo o Ministério. O valor é quase três vezes superior ao registrado entre 2019 e 2022, período em que os aportes somaram R$ 174 milhões. Os recursos têm apoiado iniciativas em energias renováveis, computação quântica e inovação industrial no estado.
*Com informações do MCTI e do INSA
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